Já dizia Lavoisier que “na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Mas a verdade é que algumas coisas se perdem no caminho entre um restaurante de comida típica de tacho até casa dos portugueses. A Dinee, que quis seguir à risca o que Lavoisier disse há vários séculos, decidiu então transformar as formas de entrega ao domicílio para que nenhuma característica da comida de ilustres restaurantes se perdesse no caminho e lançar meal-kits que entregam as refeições por finalizar. Sim, vai ter de pôr mãos à obra.

O projeto foi pensado por Pedro Horigoshi, de 39 anos, Luiz Medeiros, de 42, e Sebastião Castilho, de 44, — três empreendedores que fundiram ideias. Luiz lançou no ano passado um negócio de meal-kits, o DIY Burger Shop, e Pedro a startup HomeMakers, que faz workshops de produção de comida e bebida. Quando se cruzaram, uma vez que o Luiz comprava os queijos para os hambúrgueres à HomeMakers, pensaram que do projeto de cada um podia resultar em algo maior.

"Eu era muito frustrado com esta coisa do delivery. Porque a comida chegava sempre com perda de qualidade. Delivery funciona para pizza, para massa, mas para uma comida saída do tacho, perde muito", refere Pedro à MAGG. Pensaram então ser eles próprios a elevar a qualidade das entregas ao domicílio dos restaurantes e foi aí que entrou o Sebastião, chef de cozinha, que teve algumas rubricas no canal 24 Kitchen.

"O que nós fizémos foi desconstruir os pratos", explica Pedro Horigoshi. Tudo começou com um encontro entre Sebastião e os reconhecidos chefs de cozinha Carlos Afonso, Michele Marques e João Cura dos restaurantes galardoados O Frade, em Lisboa (Michelin Bib Gourmand), a Mercearia Gadanha, em Estremoz (The Plate Michelin) e Almeja, no Porto, respetivamente.

Meal-kits Dinee
Meal-kits Dinee créditos: divulgação

O nome Dinee é um trocadilho que surge da palavra original "dine" (jantar em inglês), à qual foi adicionada uma letra para personificar o conceito: "A pessoa que gosta de sair para jantar", diz Pedro.

Aquilo que a Dinee fez foi então aprender as receitas originais dos chefs, reproduzi-las, embalá-las devidamente e levá-las até casa dos portugueses — que vão assumir o papel dos três chefs. "Nós desconstruímos o prato para que a pessoa só junte as coisas em casa. Vai sair exatamente igual ao que sai no restaurante. Não tem muito erro e ao mesmo tempo é uma experiência interessante, porque é um 'quase cozinhar'", explica Pedro.

"Um 'quase cozinhar'" porque cada prato leva, no máximo, 20 minutos a preparar (ou juntar). Basta seguir as indicações de uma espécie de manual de instruções, chamado de passo-a-passo, que vem juntamente com os meal-kits da Dinee. O processo é tão simples quanto a escolha.

Tem apenas três opções para duas pessoas — arroz de pato (29€) d'O Frade, bochechas de porco preto (37€) da Mercearia Gadanha ou caril de grão com pickle de gamba (39€) do Almeja — apresentadas em modo destruído dentro de uma caixa (que deve ser guardada no frigorífico até ao momento do preparo). Pode ainda completar a refeição com um vinho (a partir dos 12€), uma cerveja artesanal (8€ por um pack de dois) ou até um refrigerante tradicional bussaco de laranja (2,50€).

As encomendas devem ser feitas no site até às 12h de quinta-feira e as entregas são feitas todas as sextas-feiras diretamente em sua casa.

A Dinee lançou-se no mercado a 19 de março em soft-opening, por isso, por enquanto, opera apenas na Grande Lisboa. Contudo, o objetivo no futuro é fazer chegar a todo o País não só estes três pratos, como os de outros restaurantes de comida "de tacho", como dizia Pedro, e de chef.

Pedro considera que este é um conceito adaptado não só no presente, como ao pós-pandemia. "Acho que o hábito de comer em casa vai persistir por um tempo ainda e os restaurante vão estar focados no atendimento", diz Pedro. Assim, para aliviar os restaurantes das exigências das entregas em casa, a Dinee responsabiliza-se a permitir que as experiências caseiras continuem.

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