O The Decadente, o restaurante que faz parte do The Independente Collective (e que divide o espaço com o hostel com o mesmo nome), sempre foi um sítio com pinta, ideal para juntar amigos à mesa. Ao longo dos anos, a carta foi sofrendo alterações, existiram apostas em menus de almoço e até diferentes tipos de brunch ao fim de semana e, depois de um encerramento forçado devido à pandemia, o espaço reabriu renovado, e com um chef decidido a fazer do The Decandente um restaurante conhecido não só pelo bom ambiente, mas também pelos ótimos pratos.

David Vieira, que já trabalhou com nomes como Ljubomir Stanisic e Nuno Mendes, pôs mãos à obra e virou a carta do The Decadente de pernas para o ar, a começar pelo conceito. Sim, a ideia é partilhar os pratos com quem divide a mesa, e mesmo que já esteja a bocejar de tão batido que é o conceito, acredite: aqui resulta mesmo, porque vai querer que todos provem a sua maravilhosa escolha.

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Na visita da MAGG ao renovado The Decadente, comprovámos com agrado que a esplanada se mantém acolhedora e confortável. E que melhor maneira de a aproveitar do que com um copo de espumante na mão como aperitivo? O melhor de tudo é que o restaurante disponibiliza taças a um preço bastante económico, a começar nos 4€ pelas sugestões Quinta da Pedreira Brut ou Rosé.

The Decadente
Se o tempo o permitir, prefira ficar na esplanada. créditos: Miguel Guedes Ramos

Para ir aquecendo o estômago para as iguarias "assumidamente portuguesas", como destaca o chef David Vieira, e feitas a partir de produtos frescos e da época —sendo que o conceito do restaurante aposta tudo no desperdício zero, com os ingredientes que não são colocados por inteiro nos pratos a serem aproveitados para sopas, caldos e molhos —, pedimos para a mesa o pão de massa mãe com manteiga dos Açores fumada (3€), que nos deliciou e fez entender que a qualidade do pão faz toda a diferença num simples couvert.

De seguida, a tarefa mais complicada: decidir o que partilhar. Para duas pessoas, a sugestão do restaurante é que sejam pedidos entre três a quatro pratos. Decididos a cumprir o desafio, deambulámos pela carta (o pão não conta, ok?) e lá fomos tentando perceber o que não nos podia escapar.

A primeira seleção pareceu vencedora e provámos a gamba do Algarve com pele de frango e algas (7€), o fried chicken Decadente com coentros e piri-piri (12€), a cavala braseada com morangos e tomate (9€) e o tártaro de vaca maturada com gema d'ovo e flores (12€).

The Decadente
Fried chicken Decadente com coentros e piri-piri (12€) créditos: Miguel Guedes Ramos

Apesar de estar tudo bem saboroso, é verdade que existiram pratos que se destacaram, e seria muito complicado não enaltecer o fried chicken — vulgo, frango frito — que nada tem que ver com as peças de fast-food celebrizadas pelo restaurante de um tal coronel norte-americano. Aqui a sensação é que estamos perante comida caseira, feita com carinho e dedicação, e com um piri-piri bem nacional no ponto certo. Por outro lado, a cavala traz uma frescura ao palato quase impossível de descrever, e a junção pouco comum do tomate com morango fica perfeita.

The Decadente
Cavala braseada com morangos e tomate (9€) créditos: Miguel Guedes Ramos

Os "problemas" começaram a partir daqui. "Gostam de borrego? Têm mesmo de provar o nosso. E não podem ir embora sem experimentar a couve coração, é mesmo boa. Ah, e os secretos, aquele pimentão é feito cá, de raiz". Da conta certa de quatro petiscos, demos tudo na elasticidade das calças e acrescentámos mais três sugestões à lista do jantar.

Chef David Vieira
O chef David Vieira está à frente da cozinha do The Decadente créditos: Miguel Guedes Ramos

A couve coração grelhada com molho de amêndoas e citrinos (8€) é muito mais que uma das alternativas vegan do The Decadente, ganhando o seu lugar à mesa; o borrego fumado com acelgas grelhadas e limão preservado (15€) resulta numa forma saborosa e diferente de servir este típico prato nacional; e o que dizer dos secretos de porco preto com salada de tomate de verão e massa de pimentão (12€)? A carne irrepreensível, com o sabor da gordura do porco preto a ser sentido sem ser excessivo — e a ser cortado com a salada —, e o pimentão que nos faz ter Portugal na boca. Não há condimento que grite mais alto de que se trata de comida tipicamente portuguesa, e acabámos o jantar a tentar arranjar um esquema para assaltar a cozinha de David Vieira e levar uns quantos frascos de massa de pimentão para casa.

Para terminar, o esforço de não sair do The Decadente sem provar uma sobremesa, com a eleição do pão de ló de azeite e flor de sal (6€). E apesar do bolo estar fofinho, vamos ser honestos e confessar que foi a única parte da refeição que não nos fez "sentir coisas", com o azeite a não funcionar assim tão bem. Ou isso, ou estávamos demasiado cheios para apreciar.

E não é só na cozinha que se dá primazia ao que é nosso: também do bar saem cocktails clássicos e de assinatura feitos com bebidas nacionais e provenientes de produtores locais, com fabricação portuguesa certificada, com preços entre os 7€ e os 10€. Se for fiel ao vinho, existem dezenas de sugestões, a começar nos 4€ por copo (como é o caso do verde Pequenos Rebentos 2020) e nos 18€ por garrafa (também para os Pequenos Rebentos).

Morada: Rua São Pedro de Alcântara 81, Lisboa
Telefone: 213 461 381
Horário: 19h-23h

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