Marisa Liz, cantora e compositora, e Francisca Magalhães de Barros, ativista e escritora, querem tornar o tema das violações em contextos bélicos numa discussão pública. Juntas, criaram a "Grito de Paz", uma campanha que visa chamar a atenção para a forma como ocorrem agressões sexuais em cenários de guerra, e que são usadas como armas de combate.

Esta iniciativa consiste numa consciencialização através das redes sociais. Terá a duração de cinco semanas, sendo que cada uma será dedicada a uma zona de guerra: Ucrânia (a primeira), República Democrática do Congo, Afeganistão, República Centro Africana e Iémen. É feita, por quem aderir, uma publicação com a bandeira do respetivo país, bandeiras essas criadas por André Piçarra.

O objetivo é "dar importância a cinco países em que foram cometidas violações em massa e que não são tão falados", acabando por "alertar, educar, sensibilizar" para o assunto, explica Francisca Magalhães de Barros à MAGG. A ativista e Marisa Liz contam já com o apoio de celebridades como Catarina Furtado, sendo que estabeleceram uma parceria com a associação Corações com Coroa, da qual a apresentadora da RTP é fundadora.

É no Instagram da associação que, no dia 18 de julho, às 22 horas, vai acontecer uma transmissão em direto com testemunhos de intervenientes, como o médico Gustavo Carona e o artista Raul Manarte. "Pessoas que estiveram lá, em zonas de guerra, a tratar mulheres, crianças, idosos violados neste contexto. Ninguém pode fechar os olhos", afirma Francisca Magalhães de Barros.

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"A invasão da Ucrânia e as violações lá ocorridas vieram chocar muito as pessoas", considerou a ativista, que acredita que as pessoas "precisam de ver sublinhado que, noutros lugares do planeta, também foi assim, de forma extremamente violenta". Trata-se, então, de "uma boa maneira de educar e sensibilizar para tudo o que se passa e se passou nos outros países também".

"Muitos violadores que utilizam a violação como uma arma de guerra continuam a sair impunes destes atos"

Para Francisca Magalhães de Barros, "por vezes, falamos no Ocidente, mas não no que se passa em África de forma massiva". A ativista é contactada por quem teve experiências na primeira pessoa e quer aproveitar esses relatos para abrir os olhos à sociedade. "Recebi testemunhos de mulheres ucranianas cujas irmãs passaram por isso", disse-nos, tendo-lhe sido descrito "o horror lá vivido".

"Muitos violadores que utilizam a violação como uma arma de guerra continuam a sair impunes destes atos", relembra uma das responsáveis pela campanha. "Acho que não devemos ficar indiferentes. Não o fico em relação ao meu próprio país sem ser num contexto de guerra e não o fico em relação a vários países em que a violação foi sistematicamente utilizada para, estrategicamente, denegrir o país oprimido", acrescenta.

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