Personagens complexas, situações de perigo eminente, agentes secretos e momentos de cortar a respiração. Podia ser uma breve sinopse de séries como "Segurança Nacional" ou "Fauda", mas é, na verdade, o que caracteriza "Tehran" — a nova série de espionagem que (provavelmente) não está a ver. Mas a culpa não é sua, até porque a série faz parte do catálogo de originais da Apple TV+ que, embora seja a casa de "The Morning Show" com Steve Carell e Jennifer Aniston, tem pouca expressão comercial e publicitária em Portugal.

"Tehran", uma produção israelita, acompanha os esforços de uma agente secreta da Mossad que é enviada para o Irão com o objetivo de sabotar o reator nuclear. O propósito é apenas um: permitir que o governo israelita possa aprovar um ataque aéreo cujo desfecho seja o bombardeamento da planta nuclear do Irão — impedido o desenvolvimento de uma bomba atómica.

E ainda que a série arranque de forma relativamente calma, sem momentos alucinantes de nos fazer chegar ao final do episódio sem unhas para roer, há uma tensão que se vai acumulando de episódio em episódio à medida que os esquemas engendrados pela agente secreta vão mudando devido a imprevistos durante as missões. A cada alteração de planos, claro, acresce ainda mais o risco de ser apanhada. Nesse contexto, o desfecho final é sempre a morte por enforcamento em praça pública.

Mas ainda que "Tehran" seja, essencialmente, uma série de espionagem, há muito mais para lá disso. Quem o diz é Moshe Zonder, um dos criadores da série e também argumentista de "Fauda".

"O foco da série esta na forma como aborda a questão de identidade, nacionalidade, imigração e raízes familiares. Pergunta como é que nos podemos ligar a eles, quais são as nossas obrigações perante estes elementos e que de forma é que nos podemos libertar deles. E esta é uma ideia relevante e transversal a qualquer pessoa que viva em qualquer parte do mundo", explica em entrevista à publicação "Israel Haoym".

Já a atriz Niv Sultan, que dá vida à agente secreta e protagonista da história, complementa com a ideia de que, ainda que o conflito fulcral seja entre o Irão e Israel, "a história não é sobre um inimigo claro nem sobre um lado contra o outro", mas sim sobre pessoas. "Pela primeira vez [na ficção], estamos a dar a conhecer um ponto de vista diferente sobre o conflito entre os dois países", conclui.

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Ainda que pouco conhecida, especialmente em Portugal, a crítica internacional recebeu-a com elogios. "A produção é fria e crua, mas está repleta de humanidade, com muitas das suas paisagens urbanas a serem particularmente convincentes na sua persuasão. Com o coração usado como truque escondido na manga no casaco, 'Tehran' é, mais do que um thriller, uma tragédia, e talvez isso seja o pretendido", escreve o "The Hollywood Reporter".

Já a NPR argumenta que a série "deixa claro que a Mossad é capaz de uma violência desagradável e evita, de forma muito pontual, reduzir a população iraniana a monstros, fazendo uma distinção cuidadosa entre o povo e o governo que os rege".

A série "Tehran" é um exclusivo da Apple TV+ e já pode ver quatro dos oito episódios que compõem a primeira temporada.

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