Menos de 24 horas depois de ter agredido Chris Rock em palco, em plena cerimónia dos Óscares, a 28 de março, Will Smith dirigiu um pedido de desculpas ao comediante. "Gostaria de te pedir desculpa publicamente, Chris. Passei das marcas e estava errado. Estou envergonhado e os meus atos não corresponderam ao homem que quero ser. Não há lugar para a violência num mundo de amor e bondade", disse.

Will Smith agride Chris Rock e a cerimónia continua. Estamos perante uma normalização da violência?
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No entanto, esta sexta-feira, 1 de abril, o ator voltou a lançar um comunicado, desta vez com o principal intuito de esclarecer a sua situação com a Academia dos Óscares, da qual confirma, no mesmo texto, já se ter demitido.

"Demito-me de ser membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e aceitarei quaisquer outras consequências que a ​​​​​​​Direção considere apropriadas", escreveu, em declarações citadas pelo "Jornal de Notícias".

Will Smith frisa ainda que respondeu "diretamente ao aviso de uma audição disciplinar da Academia" e que está disposto a arcar com "quaisquer consequências" pela sua conduta. "As minhas ações (...) foram chocantes, dolorosas e imperdoáveis", acrescentou.

Ator diz que traiu a "confiança da Academia"

De acordo com o mesmo comunicado, a decisão de renunciar à Academia dos Óscares tem que ver com o facto de o ator reconhecer que a sua atitude magoou diversas pessoas e que não esteve à altura do compromisso que tinha para com a Academia.

"A lista daqueles que magoei é longa e inclui o Chris [Rock], a sua família, muitos dos meus queridos amigos e entes queridos, todos os presentes e o público global em casa", avançou.

Will Smith disse ainda que traiu a "confiança da Academia" e que, essencialmente por isso, apresentou a demissão. O ator lamentou também ter privado "outros nomeados e vencedores de terem tido a sua oportunidade de celebrar e ser celebrado pelo seu trabalho extraordinário".

"Estou de coração partido", admitiu. "Quero colocar o foco de volta naqueles que merecem atenção pelas suas realizações e permitir que a Academia volte ao incrível trabalho que faz para apoiar a criatividade e a arte no cinema", rematou.

Academia pode (ou não) ter pedido a Will Smith para abandonar a cerimónia

A alegada inércia da Academia, que, para efeitos práticos, deixou Will Smith continuar a marcar presença na cerimónia após ter agredido Chris Rock, foi fortemente criticada pelo público. Na passada quarta-feira, 30, a Academia divulgou um comunicado no qual confirmou que vai mesmo avançar com um processo disciplinar contra Will Smith por conduta imprópria (apesar de a decisão final poder demorar semanas), revelando que lhe pediu para deixar a cerimónia dos Óscares, mas o ator recusou.

No entanto, nas últimas horas, várias fontes próximas da situação garantem à imprensa especializada norte-americana, numa informação avançada pelo jornal "Público", que Will Smith nunca foi formalmente instado a sair e que o produtor da cerimónia, Will Packer, lhe pediu directamente que ficasse. O mesmo Will Packer já confirmou que a polícia de Los Angeles estava pronta a deter o ator de forma imediata — e garantiu que nunca falou directamente com Smith.

Polícia estava a postos para prender Will Smith depois da agressão, mas Chris Rock opôs-se
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De acordo com a revista "Variety" , várias pessoas presentes na produção  garantem que Packer conversou directamente com Will Smith, junto ao fosso da orquestra, pedindo-lhe para ficar.

Já a tese de Packer é ligeiramente diferente. O produtor da cerimónia admite ter aconselhado a permanência de Will Smith na sala, mas garante ter falado apenas com os restantes membros da produção. Na manhã desta sexta-feira, 1 de abril, foi convidado num programa matinal norte-americano e esclareceu que foi "imediatamente ter com a liderança da Academia que estava no local e disse: ‘Chris Rock não quer isso’".

"Eu disse: ‘Rock tornou claro que não quer tornar pior uma situação já de si má'", frisou, justificando assim a sua motivação para aconselhar a não remoção de Smith da sala.

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