Ao entrar no "Big Brother Famosos 2", Virginia López tornou-se, em fevereiro deste ano, a primeira escritora a participar num reality show em Portugal. Ainda dentro da casa, avisou que esta experiência daria um livro. "Só Eu Sei Porque Estive na Casa" foi publicado a 20 de outubro.

Vem aí um livro polémico. Ex-concorrente do Big Brother vai contar tudo. "Há coisas que nem as câmaras apanham"
Vem aí um livro polémico. Ex-concorrente do Big Brother vai contar tudo. "Há coisas que nem as câmaras apanham"
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Editado pela Contraponto, este livro de 224 páginas custa 16,60€ e, de acordo com a divulgação, contém os segredos dos bastidores do reality show mais famoso da TVI. "Há coisas que nem as câmaras apanham", avisa a autora e ex-concorrente do Big Brother.

A MAGG conversou com a jornalista de 43 anos sobre este livro, cuja premissa é, afinal, a de esclarecer o que se viveu (em primeira pessoa) neste programa. Virginia López revelou-nos que apenas aceitou o convite para participar no jogo "porque poderia dar um livro".

Um livro sobre o "Big Brother" combinado de antemão

"Convidaram-me para fazer parte dessa edição com o objetivo de ser a primeira escritora que fazia parte de um reality show e que depois podia contá-lo em livro. Se tivesse sido só para participar num reality, não era algo que eu tivesse em mente", adiantou, reforçando que foi "a ideia de viver a experiência para escrever num livro" aquilo que deu "força" à decisão.

Seria "um desafio", "algo que suscita sempre a curiosidade". Virginia quis, então, "viver a experiência para depois poder contá-la", e foi isso mesmo que fez neste livro onde responde a perguntas como "o que leva alguém a participar?", "porque é que se expõem desta maneira?" e "como é que se vive lá?".

Repleto de "reflexões" e "aprendizagens", "Só Eu Sei Porque Estive na Casa" clarifica, de acordo com a perspetiva da autora, o que se pode levar para a vida depois de se participar neste reality show. "Como posso levar a pessoa que está a ler a estar lá?", pensou Virginia López.

São "os bastidores dos bastidores" de "um dos formatos mais sigilosos da televisão". "Quando falo dos bastidores e digo que as câmaras não apanham, falo de como é que se sentem as coisas lá dentro", esclarece a autora. Embora exista um canal (TVI Reality) a emitir durante 24 horas, Virginia considera que "mesmo que alguém estivesse a ver, há coisas que é impossível apanhar".

Refere, a título de exemplo, as emoções que se sentem dentro da casa mais vigiada do País."Quando vemos alguém a chorar por uma coisa pequenina, por passar um avião ou haver uma discussão acesa, é esse o lado que não se vê. Mesmo nos resumos dos programas, nos comentários, nas redes sociais, não é o que acontece lá dentro. A perceção já está distorcida", argumenta.

Uma obra redigida sem "pisar os calos" à TVI

A ideia do livro, escrito para as "pessoas que sentem curiosidade de viver a experiência", era "ir a fundo". Para tal, a escritora espanhola parte de uma análise "de um ponto de vista mais social e de inteligência emocional", contando alguns episódios que viveu, que mais a marcaram e que lhe permitiram "tirar aprendizagens" e lições para a vida.

"Este programa interessa porque é ver um pedacinho da vida", crê, enumerando: "amar alguém e sentir-se traído, como nas nomeações, não gostar de algumas pessoas e ter de ultrapassar essa convivência, criar amizades". Além, claro, de contar a forma como lidam com o sono, com a fome e com a falta de intimidade.

"Só Eu Sei Porque Estive na Casa" foi escrito "respeitando os limites contratuais", já que o programa "pede sigilo aos seus concorrentes". "Respeitando esse lado, está tudo bem, está tudo certo", garante para com a TVI, reforçando que o objetivo do livro não era o de desmascarar a estação e sim "viver a experiência e poder contá-la a quem sente curiosidade, mas não quer ir".

Virginia López
"Só Eu Sei Porque Estive na Casa" é o novo livro da escritora espanhola Virginia López. créditos: Instagram

Desta forma, considera a escritora, os curiosos conseguem aproximar-se "o mais possível". "Eu senti falta de pertença. Quantas vezes me arrependi de estar lá? Muitas mesmo", admite, olhando para trás. "A aventura mais improvável da minha vida" é como a descreve.

"Em janeiro de 2022 não sabia que em outubro de 2022 estava a colocar à venda um livro sobre um reality show. Nunca me passou pela cabeça. Provavelmente, teria dito 'nem pensar'", diz à MAGG sem hesitar. Porém, como aprecia um bom desafio, decidiu ir, com este livro, além dos géneros que já explorou (como história, política, romance e conto infantil).

As diversas etapas do processo de escrita

"Saímos da casa abananados. É super intenso. O que parece cliché não é cliché. Eu saí lesionada e já sabia que não era uma entorse, que era uma coisa mais séria, mas ainda não tinha resultados. A seguir fui operada", recorda a ex-concorrente, que abandonou o programa de muletas. "Tive de estruturar tudo, recuperar a minha vida e conseguir montar o puzzle para escrever o livro", aponta.

Apesar de já estar a contar escrever este livro quando saísse, não fazia ideia de como seria o resultado final, "porque é preciso vivê-lo". López escreveu-o durante cerca de dois meses, mas acredita que conseguiria ter demorado bem menos: "Se tivesse tido o computador comigo na casa, acho que o livro estava pronto no dia em que saí".

Sentiu saudades dos filhos, do marido, de "uma casa de banho sem câmaras" e do computador. "Nunca imaginei que ia ter tantas saudades do computador", disse, explicando que preferia ir escrevendo conforme ia vivendo. Como não permitem levar papel e caneta para o jogo, às vezes pedia à produção para aproveitar o que sobrava dos desafios e lá "guardava algumas emoções".

Isto ajudava-a a "assimilar tudo o que acontecia". "Gosto de escrever quando tenho as coisas muito frescas na cabeça", esclarece, não tendo desde logo conseguido prosseguir com a tarefa devido aos compromissos para com a estação de Queluz de Baixo, como entrevistas.

A escritora "estava com a vontade de o fazer para ganhar o tempo em que estava tudo muito vivo, intenso, à flor da pele". "Como o programa mexe muito connosco,  precisei de assentá-lo bem dentro de mim", admite. Ao redigir a obra, achou que seria mais fácil do que aquilo que foi. "Estive lá, conto e está feito", pensava. Mas não foi assim.

A participação de outros ex-concorrentes

"Só Eu Sei Porque Estive na Casa" conta com um prefácio de Marco Costa e um posfácio de La Vie de Marie, que integraram o formato na mesma temporada que Virginia López. Depois de os lermos, entendemos que estes dois textos se tratam de dedicatórias de amizade à autora. "Estou super grata, porque aceitaram o convite com confiança plena", refere, admitindo ter-se emocionado ao ler o que escreveram.

Virginia López
Os "amigos improváveis" do "Big Brother". créditos: Instagram

O pasteleiro e a influenciadora digital estão também presentes na capa do livro, por escolha de Virginia López. O trio de "amigos improváveis", tal como se intitularam, foi um dos pilares da espanhola no reality show. "Lá dentro, de repente, parece que estamos numa ilha deserta sem conhecer ninguém, sem saber nada dos outros", relembra.

A "necessidade do ser humano de pertencer a uma comunidade" faz com que surjam amizades como esta, "de forma completamente espontânea". "Como é que uma fada, um pasteleiro jeitoso e uma escritora espanhola podiam dar-se bem?", questionavam. Este tópico é abordado no capítulo onde Virginia escreve sobre as primeiras impressões, o "quão importante são e como nos enganam na vida".

"Cá fora, nunca teríamos sido amigos, nem sequer nos teríamos cruzado", reforça a natural de Valladolid. "E eu quis representar isso, algo bonito que criámos", elucida. Embora tenha escolhido estes dois ex-colegas de casa, assegura que "todos os concorrentes" da sua edição lhe ensinaram coisas.

Em "Só Eu Sei Porque Estive na Casa", Virginia López queria que os seus leitores habituais continuassem a reconhecê-la pela escrita. "Quando o livro sai das nossas mãos, para a gráfica e para as livrarias, já não é nosso. É das pessoas que o querem ler", acredita.

"Devemos dançar como se ninguém estivesse a ver e escrever como se ninguém estivesse a ler para sermos fiéis a nós próprios, e não pensar no que é que o público vai gostar", alerta a escritora, que trocou o jornalismo pela literatura. Redigir este livro deu-lhe "imenso prazer". "Estou super feliz com este projeto", garante.

Os capítulos de "Só Eu Sei Porque Estive na Casa"

  • Agradecimentos;
  • Prefácio de Marco Costa;
  • "Porquê participar num reality show";
  • "Como é entrar na casa mais vigiada";
  • "Seremos todos preconceituosos?";
  • "As primeiras impressões às vezes enganam";
  • "Onde é a saída de emergência?";
  • "Para além dos nossos limites";
  • "Na montanha-russa das emoções";
  • "Aviões cheios de saudades";
  • "As nomeações não matam, mas moem";
  • "Ser ou não ser jogador, eis a questão";
  • "A verdade sai cara num reality show";
  • "O elo mais fraco abandona a casa";
  • "Dez aprendizagens do reality show";
  • Posfácio de Marie.

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