O que significa “vestir como uma mulher”? A pergunta globalizou-se em 2017 depois de Donald Trump avisar que as funcionárias da Casa Branca se deviam “vestir como mulheres”.  As redes sociais inundaram-se de fotos delas vestidas de diferentes maneiras, como não podia deixar de ser. Militares fardadas, cirurgiãs de bata, juízes de beca, pastoras anglicanas de batina, boxeurs com luvas de boxe e muitas outras fizeram questão de mostrar ao Presidente dos Estados Unidos o óbvio: a frase é tola, não há um uniforme de mulher. Como escreve Roxana Gay, autora best seller do New York Times,  em “Dress Like a Woman: Working Women and What They Wore”  lançado a 28 de fevereiro em Nova Iorque: “Vestir como uma mulher significa usar qualquer coisa que ela considera apropriado e necessário para fazer o seu trabalho”.

Neste livro da editora Abrams as imagens dizem tudo. É uma colecção de 240 fotografias elucidativas do percurso da mulher no mercado de trabalho no século passado, em que as únicas palavras são os prefácios de Roxana Gay, autora de “Bad Feminist” e Vanessa Friedman, editora de moda no New York Times, para além das legendas das fotos.

Vemos bombeiras, oficiais do exército, atletas, cientistas, astronautas. Vemos pioneiras como Amelia Earhart (na aviação) ou Shirley Chisholm (primeira negra a ser eleita para o Congresso dos EUA), artistas como Georgia O’Keeffe, primeiras damas como Michelle Obama, atletas como Serena Williams ou cantoras como Debbie Harry, por exemplo. Vemos figuras que muitos não conhecem (mas deviam conhecer) como Mary Edwards Walker, a única mulher médica-cirurgiã durante a Guerra da Secessão dos EUA, a única autorizada pelo Congresso a vestir-se com roupa de homem, e a única a receber a medalha de honra em 1865. Ou Frances Clalin Clayton, uma americana que se disfarçou de homem para lutar na mesma guerra. Mas a maioria das imagens são de trabalhadoras anónimas de vários países com profissões, culturas, etnias e estratos sociais diferentes.

Sem o afirmar explicitamente, "Dress like a Woman” prova que as mulheres não chegaram ao mercado de trabalho nos anos 70 como muitos pensam. Elas estiveram sempre lá. E é o livro perfeito para, neste mês de março em que se assinalou o Dia da Mulher, perceber que não é a roupa que a define.

Fotografia. Como as mulheres se vestiram para trabalhar em 100 anos

Subscreva a newsletter da MAGG.
Subscrever

As coisas MAGGníficas da vida!

Siga a MAGG nas redes sociais.

Não é o MAGG, é a MAGG.

Siga a MAGG nas redes sociais.

Fale connosco

Se encontrou algum erro ou incorreção no artigo, alerte-nos. Muito obrigado.