O nosso organismo adapta-se às diferentes estações do ano, mas também se ressente — o que significa que há alturas em que todos os cuidados são poucos. Por exemplo: no inverno, devido às temperaturas mais baixas, os nossos corpos tendem a contrair-se mais, fazendo com que haja menos espaço nas artérias, o que pode chegar mesmo a interromper a circulação sanguínea.

Este é um dos fatores que contribui para o resultado de um estudo publicado no livro "International Journal of Biometeorology": uma descida de dez graus poderá aumentar em 7% a taxa de acidentes vasculares cerebrais (AVC) e enfartes.

José Carlos Almeida Nunes, médico de medicina interna do Hospital Lusíadas, em Lisboa, explica o fenómeno e dá dicas sobre como prevenir.  "Com o frio, as artérias contraem-se e é necessário um esforço maior por parte do coração para fazer com que o sangue chegue a todas as partes do corpo, o que faz com que a pressão arterial aumente e haja mais doenças cardio-cerebrais nesta altura do ano."

José Carlos Almeida Nunes, médico medicina interna no Hospital Lusíadas, em Lisboa

É por isso que, para fins de prevenção, conforme as temperaturas diminuem, os médicos tendem a aumentar as doses ou a mudar os medicamentos dos utentes com elevada pressão arterial. Segundo o médico, esta é uma forma de salvaguardar possíveis aumentos.

Porque é que algumas pessoas estão sempre com frio?
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Do lado dos comportamentos, também no inverno há uma maior tendência em adotar hábitos que potenciam ainda mais os números avançados pelo estudo: dá-se um aumento do sedentarismo, uma diminuição da prática do exercício físico e um aumento na ingestão de calorias, de açúcares, de gorduras.

O maior número de infeções, como a gripe sazonal, também podem aumentar a hipótese de AVC e de enfarte. Por isso, além de um estilo de vida saudável, o médico aconselha a população com mais de 65 anos e portadores de doenças crónicas debilitantes a fazerem a vacinação contra a gripe. "Aos doentes respiratórios, é aconselhável também a vacina da pneumonia", destaca.

Por fim, e à população em geral, o médico recomenda uma diminuição na quantidade de sal ingerida e uma maior atenção aos valores relativos à pressão arterial.

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