Com o verão, as idas à praia aumentam e as horas que passamos ao sol multiplicam. Apesar de estarmos mais do que informados dos cuidados redobrados que devemos ter com a pele no verão, há quem não deixe de apanhar um escaldão todos os anos. Mas será que sabemos realmente o quão prejudicial as queimaduras solares podem ser tanto a nossa pele, como para nossa saúde?

As queimaduras solares (ou escaldões, como habitualmente lhes costumamos chamar), tal como todas as queimaduras, podem apresentar diferentes graus e por isso merecem também ser tratadas de formas distintas.

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"Se a pele apresentar só vermelhidão e ardor, aí está inserido nas queimaduras de primeiro grau. Contudo, noutros casos, pode ter bolhas e, dependendo do número, pode provocar outros sinais sistémicos do organismo. Estas queimaduras (já de segundo e terceiro grau), geralmente, acompanham-se de calafrios e fazem com que a pessoa apresente um grau de desidratação elevado", explica Manuela Paçô, dermatologista no Hospital Lusíadas Lisboa, à MAGG, referindo que, muitas vezes, estes escaldões têm já ser tratados como queimaduras numa unidade de queimados (quando são de terceiro grau intensas).

Segundo a especialista, as queimaduras de primeiro grau são, sem dúvida, as mais comuns, e as que, por norma, não precisam de acompanhamento médico. "Nesses casos, a pessoa deve beber muita água, resguardar-se do sol e aplicar hidratante várias vezes", aconselha Manuela Paçô, acrescentando que os cremes devem sempre ser bem espalhados para que pela absorva melhor. Em termos de hidratante, deve-se optar sempre pelos mais neutro, sem químicos. "Quanto mais neutro melhor", realça a dermatologista.

Esta é a melhor forma de lidar com os escaldões que se identificam apenas pelo sintoma de pele vermelha, contudo, no caso de queimaduras de segundo e terceiro grau, a pessoa deve sempre recorrer à ajuda de um médico. "Aí não se pode brincar. Primeiro porque qualquer bolha que rebenta pode infetar e depois porque há desidratação intensa. As bolhas normalmente estão cheias de líquido, uma água que estava na pele e deixou de estar, portanto aí já é preciso ser visto por um médico", alerta Manuela Paçô, referindo que os casos mais graves podem mesmo necessitar de prescrição de medicação oral.

Sucessivos escaldões podem contribuir em grande medida para o cancro da pele

Apesar de haver tendência para, por vezes, se optar por colocar na pele certas receitas caseiras (como a gema de ovo), a dermatologista aconselha a que não se opte por isso, uma vez que nada comprova que irá correr bem. "O aloe vera, por exemplo, é anti-inflamatório e ajuda a reduzir a sensação de ardor, mas o próprio aloe vera em si pode fazer mal e portanto é uma coisa que não se deve colocar na pele por iniciativa própria."

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Aplicar protetor solar em quantidade suficiente e reaplicar frequentemente (quer estejamos ou não na praia), é a principal dica para que consigamos proteger a nossa pele do sol, já tinha explicado em entrevista à MAGG a dermatologista Helena Toda Brito. A esta medida preventiva, Manuela Paçô acrescenta que se deve evitar o sol nas horas más. "A regra é: quando a nossa sombra é mais pequena do que nós, não é para estar ao sol."

Se mesmo com estas dicas, não conseguiu evitar uma queimadura solar, deve saber que "uma pessoa com um escaldão nunca deve continuar a apanhar sol e por isso só deve voltar à praia, com cuidado, quando a pele já não estiver com uma cor vermelha", refere ainda a especialista ouvida pela MAGG, que alerta para o facto de que sucessivos escaldões continuem em grande medida para o aparecimento de  cancro da pele.

"O escaldão é provocado pelos raios ultravioleta B e é um aviso de que foi ultrapassada a capacidade de defesa da nossa pela. Mas os ultravioletas B estão sempre acompanhados pelos ultravioletas A, além do resto da radiação, e todos eles são causadores de cancro cutâneo. Costuma dizer-se que a pele tem memória, e é verdade, por isso quando nós apanhamos escaldões em cima de escaldões isso provoca uma agressão grande para a pele e o risco principal é o cancro cutâneo. Depois há as manchas, há o envelhecimento (os escaldões são uns dos principais causadores de rugas), mas o mais importante e perigoso é mesmo o cancro", remata a especialista.

Apesar de as queimaduras solares ocorrerem em todas as faixas etárias, Manuela Paçô refere que os jovens são quem menos tem cuidado com a pele.

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