A música sempre fascinou Filipa Taipina. Foi uma das suas primeiras paixões e a palavra "primeira" é algo que bem caracteriza esta mulher de 51 anos. Isto porque foi a primeira a licenciar-se em Canto Gregoriano em Portugal, e, aliás, até agora a única.

Fundou também o primeiro coro feminino em Portugal dedicado exclusivamente ao estudo e à interpretação do Canto Gregoriano e, mais tarde, criou o Mediae Vox Ensemble, um grupo feminino dedicado ao estudo e interpretação, vocal e instrumental, da música da Idade Média. Foi também a primeira a terminar um doutoramento no Pontificio Istituto di Musica Sacra no Vaticano, em Roma, Itália.

Um vasto currículo de competências exclusivas, onde a música estava em harmonia e sem qualquer desafino. Até que um dia uma das notas saiu de ritmo.

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"Em 2007 tive uma dor ciática que não respondia a nenhuma terapêutica. Tinha concertos para fazer com o Mediae Vox Ensemble, grupo de música medieval que fundei e dirijo, nomeadamente cinco concertos no Festival MusicAtlântico, nos Açores, que implicavam cerca de dez voos. E eu mal conseguia andar", conta Filipa à MAGG.

Teve que aprender a viver noutro ritmo e foi nessa descoberta que descobriu a terapia de Bowen. "Um amigo falou-me desta terapia, experimentei e com algumas sessões resolvi o meu problema. Fiquei estupefacta com os resultados e com a aparente simplicidade da terapia".

O efeito que teve na dor forte que sentiu há 13 anos fez com que a sua ligação às ciências voltassem ao de cima. Falamos em voltar, porque antes de estudar música na Escola Superior de Música de Lisboa, Filipa Taipina fez o ensino secundário na área de ciências, ao mesmo tempo que frequentava o Instituto Gregoriano de Lisboa.

Foi depois de um trabalho para a disciplina de socorrismo, que envolveu o acompanhamento de médicos e enfermeiros durante 24 horas nas urgências de um hospital, que se apercebeu da dificuldade que tinha em lidar com o sofrimento dos outros. "Tive a noção de que conseguia mas senti que o 'preço' era demasiado alto", conta Filipa à MAGG.

Contudo, e de uma outra forma, a área da saúde voltou até Filipa. "Como tenho formação em ciências e sou muito curiosa, fui ler o que havia disponível acerca da terapia de Bowen. Indiquei a terapia a amigos que precisavam e mantive o contacto com esta. Encontrei muita informação nos países anglo-saxónicos. Em Portugal era praticamente desconhecida". Mas afinal, em que é que consiste esta terapia?

"É considerada a mais suave e segura das terapias manuais"

Como o nome  deixa adivinhar, foi desenvolvida pelo australiano Tom Bowen entre os anos 50 e 60, revelando-se eficaz no alivio de dores causadas por diversas patologias e distúrbios. Falamos de tendinites, lombalgia, esclerose múltipla, dores menstruais ou dor ciática, como foi o caso de Filipa Taipina.

"A terapia de Bowen é uma terapia manual e é considerada a mais suave e segura das terapias manuais. Consiste numa série de manipulações muito suaves, de grande precisão anatómica, que se realizam em músculos, tendões, nervos e fáscia [tecido repleto de recetores que existe num contínuo em todo o corpo humano]", explica Filipa.

Estas manipulações são todas feitas pelas mãos dos terapeutas. Ao contrário de outras terapias, a de Bowen não usa qualquer tipo de instrumento — como agulhas, cremes, pomadas ou óleos — e todos os movimentos são feitos de forma suave.

A dor é a principal razão que leva as pessoas a procurar esta terapia, mas outros motivos que levam à procura desta terapia: o bem estar.

Quem pode e deve fazer terapia de Bowen?

Qualquer pessoa, de qualquer idade. Desde os recém-nascidos aos idosos, incluindo atletas e mulheres grávidas. No caso dos bebés recém-nascidos, a terapia de Bowen pode ajudar a prevenir e a resolver problemas de cólicas ou dificuldades de aleitamento e no caso das grávidas os benefícios podem ir desde a ciática, a dor de costas ou a azia, até à promoção de um melhor posicionamento fetal. Além disso, a terapia tem influência na reabilitação do corpo das mães após a gravidez.

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Não há nada que impeça alguém de fazer estas sessões terapêuticas. Existem apenas alguns fatores que podem condicionar os resultados. "O uso de certos fármacos e a realização de outras terapias manuais ou massagens em simultâneo condicionam e retiram eficácia à terapia de Bowen atrasando o processo de cura", explica Filipa.

A eficácia é maior quando estas recomendações são levadas à risca, mas quanto aos resultados, esses dependem de caso para caso. Isto porque é preciso ter em conta a complexidade da patologia, a sua origem, a idade do individuo e o seu estilo de vida.

"Por exemplo, nas pessoas sedentárias, normalmente, os efeitos são mais lentos. Em geral são precisos entre quatro a oito tratamentos para resolver o problema apresentado, mas não existe uma regra", diz Filipa Taipina e acrescenta que a periodicidade ideal para a realização das sessões é de sete dias e que o intervalo entre as mesmas não deve ser menor que cinco dias nem maior que dez.

E como é que Filipa sabe tudo isto? Porque depois de frequentar as sessões que permitiram que conseguisse realizar os concertos e a viagem aos Açores, acabou por ter a oportunidade de se formar nesta terapia em 2014, altura em que o curso em terapia de Bowen chegou a Lisboa.

Ao interesse pela ciência, juntou o gosto pelos estudos, que na verdade confessa ser um vício: "Estudar coisas diferentes ajuda-me a combater o stress, a ser mais eficaz e, por estranho que possa parecer, a ser mais focada. Bom, ajuda-me também a não ficar entediada coisa que considero verdadeiramente mortífera [risos]".

Depois de terminar a formação, tornou-se terapeuta e Jonh Wilks, com quem realizou um dos exames, chegou a dizer-lhe que a ligação à música era uma mais valia. "Esta conversa com o Jonh Wilkes e o meu descontentamento com o rumo que o ensino artístico tinha seguido nos últimos tempos, fez-me decidir exercer como terapeuta de Bowen e abrir a clínica do Parque das Nações", conta a Terapeuta.

Morada: Avenida do Atlântico, 16 – 3.10, Edifício Panoramic – Parque das Nações
1990-019 Lisboa
Consultas: De 2ª a Sábado, por marcação
Contactos: 919 403 712/ filipa.taipina@gmail.com
Site: filipataipina.com

Hoje em dia consegue conciliar todas as suas paixões — a música medieval, continuando a investigar na área e a fazer concertos e conferências, a ciência e a terapia. Contudo, para Filipa não se trata de uma conciliação, mas sim de uma ligação: "Ser terapeuta é também uma forma de arte, onde a ciência é apenas o seu suporte".

Filipa Taipina

O que é que distingue a terapia de Bowen de técnicas como a fisioterapia ou massagens terapêuticas?

O foco na fáscia, o tecido repleto de nervos que está quer em camadas mais superficiais, logo abaixo da pele, quer em camadas mais profundas, é um dos principais fatores que diferenciam a terapia de Bowen. A fáscia é responsável pelo nosso equilíbrio e bem-estar e é o tecido menos estudado do corpo humano.

Pelo menos por outras terapêuticas que não se dedicam à investigação da relação da fáscia com patologias que desenvolvemos. Filipa Taipina revela que ao longo da última década a investigação sobre este tecido tem aumentado, nomeadamente por investigadores da faculdade de medicina da Universidade de Ulm — The Fascia Reserch Group — e pela ortopedista e professora de Anatomia e Fisiologia da Faculdade de Medicina de Pádua, Carla Stecco.

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