Não me venham com histórias. São poucos os que resistem a levar para casa aqueles frasquinhos que nos põem na casa de banho do hotel. É o champôzinho, o gel de banhozinho, o amaciadorzinho. É demasiado 'inho' para resistir, nem que por isso passemos as semanas seguintes a sentirmo-nos um Gulliver a tomar banho em Liliput.

As pessoas que gerem hotéis sabem dessa dificuldade em resistir à tentação e Eglantina Monteiro, estando do lado da hotelaria, decidiu que se era para os seus hóspedes usarem os amenities, que lhes fosse dado o melhor.

Proprietária da Companhia das Culturas, um ecoturismo sustentável e orgânico, próximo da Reserva Natural de Castro Marim, Eglantina faz questão que tudo por lá seja sustentável. A água é aquecida a energia solar e faz-se recuperação de águas pluviais para a rega. Mantêm-se 40 hectares de pinheiro manso, sobreiros, alfarrobeiras, figueiras e laranjeiras que, além de aproximarem os hóspedes da natureza, servem de matéria-prima para o que é servido às refeições.

Numa busca por um sistema ecológico cada vez mais perfeito, Eglantina Monteiro decidiu aproveitar o que tinha em volta para criar também uma linha de amenities que respeitasse tanto a pele do hóspede, como o ecossistema que o envolve.

A zona é propícia para desenvolver a ideia, uma vez que estão próximos da Pharmplant, um laboratório em Alcoutim que produz óleos essenciais a partir da destilação de plantas. Além disso, a vocação da Serra do Caldeirão para a produção de perfumes, cosmética e aromaterapia é reconhecida desde a época romana, e manifesta-se, entre outras coisas, na presença de alambiques para a destilação de óleos essenciais.

Reunidas as condições, não demorou a chegar a um nome: 8950, o código postal de Castro Marim, o local que está na origem da marca e que lhe serviu de inspiração.

O gel, o champô e o creme de corpo vão desaparecer de vários hotéis
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O aroma da 8950 — desenvolvido pelo perfumista Lourenço Lucena — é produzido precisamente com óleos essenciais e extratos de plantas autóctones, conjugando plantas alimentares, com medicinais e de cosmética. É o caso da alfarroba, da esteva, da murta, do funcho do mar, do alecrim e da macela.

O sabão líquido leva aloé vera e extrato de quilaia, também conhecida como casca-de-sabão, aquilo que lhe dá a espuma pretendida. O condicionador é feito com proteína de trigo, que atua como nutriente capilar, e o creme de corpo leva como um dos ingrediente principais o óleo de grainha de uva, o que lhe dá a suavidade pretendida.

O sabão líquido, o champô e o leite de corpo apresentam-se em frascos em cerâmica de Alcobaça, desenhados pela ceramista Sofia Magalhães, e estão isentos de plástico.

Em exclusivo para hotelaria há ainda uma escova de dentes em bambu, pasta dentífrica biológica, bálsamo labial, touca de banho compostável, cotonetes e discos de algodão biodegradáveis.

Ainda que, numa fase inicial, os produtos estejam disponíveis apenas nas casas de banho dos quartos da Companhia das Culturas, a ideia é em breve chegar a mais hotéis noutras zonas do País. E a pensar em todos os que estão longe do Algarve e da Companhia das Culturas, Eglantina Monteiro criou também a versão grande destes produtos, à venda na Vida Portuguesa, em Lisboa e Porto, e na Desenhohabitado, em Lisboa (preços a partir dos 20€).

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