Todos os dias, Greta Thunberg falta às aulas e senta-se à porta do Parlamento sueco como forma de mostrar o seu descontentamento perante a falta de ação do governo sueco face às alterações climáticas.

E como a persistência não se mede em velas de aniversário sopradas, Greta mostra que os seus 16 anos não são entrave a que a sua voz seja ouvida, primeiro na Suécia, depois no mundo.

Discursou na Cimeira do Clima das Nações Unidas, onde apontou o dedo aos líderes mundiais que, acredita, "não são maduros o suficiente para encarar o peso das alterações climáticas", foi presença em marchas e protestos pela Europa e — surpresa —  é uma das nomeadas para o Prémio Nobel da Paz.

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A frase “Greve Escolar pelo Clima” que escreveu no primeiro cartaz que levou consigo no primeiro dia em que se sentou sozinha em frente ao parlamento, serviu de mote para um protesto que poderá ser uma das maiores manifestações ambientalistas de sempre. São milhões de estudantes de mais de cem países a faltar às aulas para exigir aos governos que tomem medidas urgentes em relação às alterações climáticas.

A ação é tal forma global que foi criado um mapa digital, no qual é possível ver quais as cidades do mundo a aderir à iniciativa. Já são muitos os pontinhos em cima do mapa de Portugal e são às dezenas as concentrações marcadas, além de marchas previstas no Porto e Lisboa.

"Sozinhos somos pequenos, todos juntos temos muita mais força do que imaginamos", escrevem os estudantes, num site criado para o evento e do qual faz parte um manifesto onde explicam as razões pelas quais saem à rua.

"Protestamos a inação por parte dos governos face às alterações climáticas", "exigimos ao governo português que faça da resolução da crise climática a sua prioridade" e "fazemos esta greve para chamar à atenção para o problema da crise climática e apelar à sua urgente resolução, de maneira a limitar o aquecimento global a 1.5ºC, como acordado internacionalmente". São estes os três pontos principais de uma luta que se diz "estudantil, pacífico, descentralizado, organizado e apartidário".

Esta é a primeira greve em Portugal que junta todos os alunos, independentemente dos anos de escolaridade. Esta é “a primeira manifestação do país a unir todos os alunos desde crianças do jardim de infância até alunos de doutoramento” e é nessa “união que reside a sua força", explica Duarte Antão, um dos coordenadores nacionais da greve, em declarações à Agência Lusa.

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Esta semana, os jovens que estão a organizar a greve climática estudantil foram recebidos pelo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes. No final, o governante disse aos jornalistas que a defesa do ambiente “é a mais importante das causas pelas quais as pessoas se podem manifestar”, admitindo estar satisfeito por ver a motivação dos jovens para lutar pela redução das emissões de dióxido de carbono.

O único ponto de discórdia entre estudantes e governo está nos timings. Os jovens querem prazos mais apertados. Por exemplo, consideram que deve antecipar-se o fecho das centrais termoelétricas existentes em Sines e Pego. Já o ministro do Ambiente recorda que está previsto isso acontecer até 2029 e que, para isso acontecer, tem que haver um reforço de outro tipo de energias.

"O objetivo desta greve é chamar a atenção do Governo para a urgência deste problema e exigir uma ação governamental face ao mesmo", lembra Duarte Antão, com a noção de que se a ação não for imediata "será a geração atual de estudantes que irá sofrer mais".

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