Se, tal como nós, está atento ao que se passa nas redes sociais, já deve ter percebido que uma das resoluções mais comuns para 2019 é diminuir o consumo de carne em prol do planeta.

Há quem comece por fazer apenas um dia por semana sem carne, quem admita nunca mais tocar nem sequer num bife de frango e ainda os que, numa onda mais radical, adotam o vegetarianismo — e até o veganismo— para a vida.

Aplaudimos a mudança, até porque, em outubro, um grupo de investigadores avisou que uma redução muito significativa na quantidade de carne de vaca e de porco ingerida por pessoa podia ser a melhor forma de diminuir as alterações climáticas.

No entanto, há aqui um pormenor nesta ligação entre a comida e o ambiente que, talvez por ser tão difícil de aceitar, está a ser ignorado pelo mundo. Mas como alguém tem que chamar o mundo à razão, assumimos aqui sem medos que — preparem-se — o chocolate polui mais do que a carne. É isso mesmo. Pode já voltar a pôr na gaveta esse Ferrero Rocher que sobrou do Natal.

A pegada ecológica, neste caso, é medida através da quantidade de água que é necessária para produzir determinado produto e é aqui que, para surpresa de muitos, o chocolate surge acima da carne: são precisos mais de 15 mil litros de água para produzir um quilo de carne de vaca e 24 mil litros de água para fazer um quilo de chocolate — o equivalente a encher uma piscina de jardim.

Neste gráfico da WaterFootPrint.org é possível ter uma noção dos gastos de água por produto e até por país

Water Footprint Network — plataforma que reúne pessoas, organizações e empresas, com o intuito de resolver a crise hídrica e promover o uso justo e inteligente da água — vai mais longe nos cálculos e esmiuça a forma como o consumo de chocolate tem impacto no planeta.

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Na sua página, onde é possível ver a pegada ecológica de dezenas de produtos, explicam que os grãos de cacau têm uma pegada hídrica de 20 mil litros por quilo e que o resto do impacto ambiental — que dá origem ao total de 24 mil litros — vem dos subprodutos usados também como ingredientes. Esses grãos são transformados em pasta de cacau que, por sua vez, é dividida em manteiga de cacau e cacau em pó, ambos produtos usados na produção do chocolate.

Com base nos valores de cada um dos produtos, e na forma como são produzidos, a equipa de investigação conclui que, tendo em conta que o chocolate consiste em 40% de pasta de cacau (com uma pegada hídrica de 24 mil litros por quilo), 20% de manteiga de cacau (34 mil litros por quilo) e 40% de açúcar de cana (1800 litros por quilo), o chocolate tem uma pegada hídrica de cerca de 17 mil litros por quilo, ainda que os valores variem consoante a origem dos produtos.

Na prática, uma tablete de chocolate de 100 gramas equivale a um gasto de 1.700 litros de água, o que dava para oito banhos d de imersão.

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Estes são valores que fazem com que o chocolate se destaque na lista dos alimentos com maior impacto ecológico. Logo a seguir, e sem surpresas, vem a carne de vaca, cuja produção equivale a 15.415 litros por quilo. Sobre este tema já são vários os estudos, e o jornal "Expresso" relembra que, por cada quilo de bife produzido em sistema semi-intensivo em Portugal são emitidos até 27 quilos de dióxido de carbono, resultantes da digestão dos ruminantes e da aplicação de fertilizantes nas pastagens. É o equivalente a uma viagem de carro de 146 quilómetros.

Ainda na lista dos alimentos mais poluentes está a carne de porco (5.988 litros/kg), a carne de cabra (5.521 litros/kg), frango (4.325 litros/kg), manteiga (3.553 litros/kg), queijo (3.178 litros/quilo) e o algodão (2.495 litros/kg). E como as analogias ajudam sempre a ter uma noção real dos números, o site dá uma ajuda: uma camisa de algodão equivale ao gasto de 2.500 litros de água e umas calças de ganga de adulto cerca de 8 mil litros.

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