Para cada grande produção como “A Guerra dos Tronos”, há cinco ou mais séries que passam despercebidas e que não são conhecidas ao ponto de se tornarem assunto de conversa em jantares de amigos. “The Americans”, terminado em 2018 e considerado pela crítica como um dos melhores (e mais desconhecidos) títulos dos últimos anos, é só um exemplo.

Todas as semanas, a MAGG traz-lhe uma sugestão imperdível na nova rubrica “A série que ninguém está a ver”, com o objetivo de dar a conhecer algumas das produções com menos visibilidade — mas que merecem tantos ou mais elogios como outras populares. Depois de "Ozark", a nova sugestão é "Top Boy", uma série inglesa para todos os fãs de "The Wire" e que agora faz parte da Netflix depois de ter sido salva do cancelamento por Drake (esse mesmo).

Ainda que seja uma comparação fácil, muito devido ao tom que as duas partilham, há algumas diferenças. Há, nas duas séries, conflitos entre gangues e uma crueldade muito típica que é sempre comum à vida marginal, mas a "The Wire" acaba por focar a atenção na corrupção latente do sistema político e judicial dos EUA — e no impacto que isso tem no combate à criminalidade.

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"Top Boy", por sua vez, foca-se apenas no conflito entre gangues de East London, no Reino Unido, e de como as ruas não são para os fracos e ao contrário da série da HBO, esta é bem mais fácil de começar a ver. Em parte porque não há uma sobre-exposição das personagens e do seu background.

E, por isso mesmo, a história começa com uma premissa muito simples. Em plena guerra entre duas fações criminosas, um dos protagonistas tenta, a todo o custo, tornar-se no "top boy" — que é como quem diz, o rapaz que controla tudo: desde a rede de tráfico de droga ao fundo financeiro do gangue. 

Ainda que o arranque da história possa parecer igual ao de tantos outros, é a vida rotineira destas personagens, habituadas a conviver de perto com a violência e a pobreza, que preenche o espaço vazio. Aqui há armas, guerras, traições e esquemas mesquinhos engendrados através da gíria londrina que fez com que a série fosse recusada no mercado americano porque ninguém percebia o que é que as personagens estavam a dizer.

Quem o diz é o ator Ashley Walters que, durante uma das muitas apresentações da série à imprensa, comentou na ironia de "Top Boy" fazer agora parte da Netflix quando, inicialmente, foi rejeitada pelos grandes canais. As explicação terá que ver com os vários "innit" (de "isn't it") ou "bruvs" (de "brother") que são ditos quase como bengala linguística e que preencham os diálogos entre cenas.

A série parece ser daquelas a sofrer do mal das audiências. Ainda que tenha recebido os elogios de grande parte da crítica internacional, não convenceu os espectadores e foi mesmo cancelada pelo Channel 4, o canal britânico, quando os planos para uma terceira temporada já estavam a ser delineados. E porque nem todos os heróis usam capa, coube a Drake salvar a produção.

Fã assumido da história, fez o pitch à Netflix e em menos de uma hora o acordo estava assinado e pronto a passar do papel para os estúdios. Assim nasceu a terceira temporada de "Top Boy", com o rapper como produtor executivo, e  que, seis anos após a estreia da segunda, voltou a convencer os críticos e levou à renovação para mais uma produzida em exclusivo pela Netflix.

Coisas importantes sobre a série: deve-se começar pela "Top Boy: Summerhouse", que é a original do Channel 4, e só depois "Top Boy" da Netflix. E não, esta não tem nada que ver com aquela coisa estranha que foi "Toy Boy", também da Netflix.

"Top Boy" pode não ter um terço da ambição de "The Wire", mas não fiz nada atrás em crueldade, perspicácia e humanidade. Afinal, todos estes gangsters são pessoas como nós — com famílias, amigos, ambições e perspetivas de futuro. A tragédia é que, regra geral, é nas ruas que perdem tudo. As mesmas para que viveram.

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