1 de setembro de 2020, foi, oficialmente, o primeiro dia de Cristina Ferreira. Passaram-se quase oito meses, durante os quais o nome da diretora de Entretenimento e Ficção da TVI (e administradora da Media Capital) nunca saiu das manchetes.

Desde então, a estação de Queluz de Baixo aproximou-se da líder SIC (de onde Cristina saiu abruptamente em julho passado), lançou vários formatos novos, entre os quais "Cristina ComVida", o programa dos finais de tarde conduzido pela apresentadora e que, a 29 de abril, faz um mês em antena.

O talk show, emitido ao final da tarde, venceu apenas uma vez. Algo que não preocupa Cristina, ciente de que enfrenta concorrência de peso (as novelas da SIC "Amor à Vida e "Eta Mundo Bom" e "O Preço Certo", da RTP1).

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"Eu estou contra uma novela que fideliza as pessoas e que já vem de há meses. Estou contra o Fernando Mendes, que ganhou durante toda a vida, a não ser no momento em que eu estive no 'Apanha se Puderes'. Isto precisa de tempo. Um formato destes que, ainda para mais, nunca esteve num horário destes, precisa de algum tempo. O que é certo é que as pessoas já querem que eu acabe com ele, que eu mude… não vai acontecer. Vou mantê-lo até achar que ele tem caminho para andar. Quando eu achar que ele não tem, não tenho problema nenhum em mudá-lo ou acabar.", afirma.

"Cristina ComVida", ideia original da apresentadora e que estava na "gaveta" desde 2013, não bate a concorrência e apresentadora acaba por lamentar que o formato tenha parecenças com o que conduziu nas manhãs da SIC. "Há aqui uma coisa que eu tenho pena. É que, de alguma forma, muito do que eu faço aqui as pessoas já viram na SIC. Eu nunca disse o contrário, o que é certo é que aquele programa foi inspirado naquela ideia. Este é um horário muito complicado. Eu sei disso desde o início", admite.

cristina comvida estreia
créditos: TVI

A diretora de Entretenimento e Ficção da estação de Queluz de Baixo conversou com os jornalistas durante a apresentação de "Festa é Festa". A novela, uma ideia original sua, estreou esta segunda-feira, 26 de abril, garantindo uma vitória que escapava à TVI há meses. Uma vitória que se pode considerar a primeira de Cristina nesta sua segunda passagem por Queluz de Baixo.

"Houve alturas em que me questionei"

À medida que os meses vão passando, o nome "SIC" e não "o outro lado" (expressão que utilizou no passado para se referir à estação de Paço de Arcos) vai surgindo de forma mais natural no discurso de Cristina Ferreira. E a apresentadora volta a afirmar que foi o "risco" da mudança que a fez deixar uma vida confortável (de recordar que "O Programa da Cristina" foi líder do primeiro ao último dia).

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"Se eu quisesse estar bem, estava na SIC. Se eu quisesse estar a ganhar todos os dias, tranquila, feliz da vida, com um bom ordenado, eu tinha continuado lá. Agora, eu não quis isso para mim. Eu sabia do risco que era vir para uma estação que, naquele momento, estava a perder por sete pontos. E sabia exatamente o que ia cair sobre mim se eu não conseguisse. Eu tive noção de todos os riscos quando mudei mas eu quis mudar. Com tudo o que essa mudança implicava. E eu só me arrependeria era se tivesse ficado e não tivesse nunca vindo aqui perceber como seria", afirma. 

Nos últimos meses, sobretudo após a sua saída da SIC, muito se escreveu não só sobre essa mudança mas também sobre a própria apresentadora. Uma "campanha" contra si, como Cristina apelida, mas que não lhe tira o sono, embora lhe faça alguma mossa.

“É óbvio que lidar com isto todos os dias mexe contigo, porque tens a noção que aquilo que estão a dizer de ti não corresponde à realidade, a forma como o estão a fazer é triste e é feia mas eu cá estou", confessa, dizendo que esperava, em alguns momentos, o reconhecimento pelo seu percurso. 

"É óbvio que eu não vou voltar à SIC até porque as relações não ficaram as melhores, é público."

"Não vou dizer que não houve alturas em que, de alguma forma, me questionei. Também me poderiam elogiar, de alguma forma. As pessoas esqueceram-se um bocadinho da conquista que alguém que começou do zero em televisão conseguiu ao fim destes anos todos. A saída da SIC pode ter sido um bocadinho mais rápida do que aquilo que alguém esperava. Eu quando vou para a SIC não foi nunca a pensar voltar à TVI. Agora, o que é certo é que todos somos livres de fazer as nossas escolhas", explica.

E, enquanto atual diretora e administradora do grupo Media Capital, não deixa de tecer elogios à sua antiga casa. "Tenho muito a agradecer à SIC o facto de, nos dois anos em que lá estive, ter sido muito feliz, ter feito a televisão que eu quis. Acho que a forma como tudo foi feito na saída não foi a mais bonita. Não estou a dizer da minha parte. Tudo o que se escreveu, o que se disse… gostava que tivesse sido diferente", confessa.

Em entrevista recente a Manuel Luís Goucha, antes da estreia de "Cristina ComVida", a apresentadora afirmou que, mesmo que vá para outro lado, continuará a ganhar. A apresentadora fez questão de esclarecer esta declaração, reafirmando que a TVI será a última estação de televisão onde trabalhará.

"E ganho, mas não é na televisão. Isso é certo. É óbvio que eu não vou voltar à SIC até porque as relações não ficaram as melhores, é público. Mas eu sei o que quero para a minha vida e sei que não quero mudar de televisão. Eu vim com um propósito para a TVI, é esse propósito que eu quero cumprir. Quando eu o cumprir, logo decido se quero continuar cá muitos anos ou se quero fazer outra coisa na vida", explica.

E os planos podem mesmo chegar, um dia, por deixarmos de ver a apresentadora no pequeno ecrã. "[Isso acontecerá] um dia, inevitavelmente. Eu não sou nada aquela que está presa… eu costumo dizer, a brincar, que me vou reformar muito cedo. Eu encontro os meus caminhos sem precisar desta exposição. Não preciso dela para nada. Viveria perfeitamente hoje em dia só atrás das câmaras. Sem mais nada", garante. 

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