Este domingo, 2 de outubro, há mais uma emissão do "The Voice Portugal". Neste segundo episódio de Provas Cegas, os mentores vão ouvir (e ver) um concorrente muito especial: o primeiro sacerdote a participar na edição portuguesa do talent show. Trata-se de Jason Gouveia, 42 anos, sacerdote natural da ilha de São Miguel, onde tem três paróquias a seu cargo.

"Uso a música na minha missão como padre e queria dar um incentivo à música religiosa. Mas o que me levou a concorrer foi o facto de, ultimamente, as notícias sobre a Igreja não serem muito positivas. Eu queria ser uma notícia boa. O mundo está a precisar de notícias boas e a Igreja também", começa por explicar à MAGG o filho de emigrantes açorianos, que nasceu no Canadá.

A paixão pela música vem desde a infância, porque a família sempre esteve ligada a esse mundo.  "No seminário temos formação musical. Comecei a trabalhar com jovens desde cedo. A juventude precisa de música, nas reuniões, na catequese... Eu tive de aprender a tocar violão, tive de desenvolver as minhas músicas, por trabalhar e evangelizar a juventude", conta.

Chegou a fundar uma rádio para difundir música religiosa e, em 2014, mudou-se para o Brasil, onde esteve em missão. Viveu um ano em São Paulo e três no Rio de Janeiro, um dos quais como pároco na favela do Complexo do Alemão. "Foi uma experiência maravilhosa. As pessoas são muito simples, muito acolhedoras, muito amáveis. Apesar de se sentir o perigo constantemente, como era português se calhar não reparei no perigo que estava à minha volta", recorda.

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Apesar de ter sido bem recebido, Jason sentiu na pele o que é viver num dos locais mais perigosos do Rio de Janeiro. "Estava a celebrar a missa e começou um tiroteio mesmo à porta da igreja. O mais engraçado é que um grupo de homens fizeram um círculo à minha volta para me proteger. Isso mexeu muito comigo. Eu disse 'se eu tiver de levar com uma bala, dou a minha vida por isso'. Eles disseram 'nós preferimos morrer no seu lugar'", recorda. Foi depois levado para um local seguro, um final feliz de um episódio marcante.

"Não se decide com 12 anos que se quer ser padre"

A paixão pela música manteve-se enquanto esteve fora de Portugal. Já gravou dois álbuns, "Cristo Reina" e "No Ritmo do Céu". "[O segundo álbum] tem ritmos brasileiros, é bastante diferente", realça.

Quando regressou a São Miguel, passou "de uma paróquia com 165 mil pessoas para três que não chegam aos 2000". A pandemia, que restringiu as celebrações religiosas, abrandou o ritmo de produção musical de Jason mas, com a contagem decrescente para as Jornadas Mundiais da Juventude (que acontecem em Lisboa, em agosto de 2023), o padre retomou o trabalho com a sua banda. "Estamos a fazer um espetáculo com os hinos das Jornadas Mundiais da Juventude pelas paróquias, para divulgar o evento, e a ideia é dar continuidade e desenvolver a música cristã."

A presença da religião em casa sempre foi uma constante e teve influência na escolha da sua vocação. No entanto, Jason salienta: "não se decide com 12 anos que se quer ser padre". "Os meus pais eram muito religiosos. Fui acólito. A nossa casa sempre acolheu muitos sacerdotes para refeições. Aos 12 anos decidi ir para o Seminário Colégio do Santo Cristo, em Ponta Delgada, porque queria ter outras experiências, sair de casa. E o seminário era uma possibilidade para quem é de uma freguesia rural como Rabo de Peixe", conta o padre.

Jason gouveia
créditos: Shine Iberia / RTP

Já no seminário, conta que teve as "crises de juventude" próprias do crescimento. "A questão do celibato, os namoros, foram tudo experiências que eu tive de superar, sempre a custo. Trata-se também de uma vocação", explica o sacerdote. Aos 18 anos, decidiu sair do seminário e foi fazer o 12.º ano numa escola secundária. "Durou pouco tempo. Foi uma experiência que correu mal porque eu sentia falta do seminário". Esse ano foi decisivo para escolher a sua vocação, reconhece.

Se as cadeiras de Carolina Deslandes, Diogo Piçarra, Dino d'Santiago e Marisa Liz se vão virar, é preciso esperar até este domingo, 2 de outubro, para saber. No entanto, o padre açoriano acredita que vai deixar uma marca. "Senti que as pessoas com quem contactei sentiram admiração por ver uma presença da Igreja diferente."

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