Se antes era habitual ouvir-se ou ler-se queixas sobre haver demasiada coisa para ver em plataformas como a Netflix, agora o receio é que os catálogos dos vários serviços de streaming possam não ser suficientes. É que numa altura em que o surto de COVID-19 obriga a ficar em casa, nunca o entretenimento foi tão importante como agora. Foi precisamente a pensar nisso que o jornal americano "The New York Times" elegeu aquelas que considera ser as melhores séries da atualidade que podem ser vistas da Netflix.

Nessa lista, composta por 50 séries, incluem-se produções como "Os Homens do Presidente", "Star Trek" ou "The Office" que, por razões várias que envolvem a compra de direitos de transmissão, não estão disponíveis na plataforma portuguesa. Mas há outras que estão.

É o caso de "Mad Men", a série de culto que acompanha uma agência de publicidade entre meados de 1960 e 1970 que apesar de nunca ter sido um sucesso de audiências, ainda hoje é considerada uma das mais importantes da chamada era dourada da televisão — onde se incluem outras como "The Wire", "Os Sopranos" e "Breaking Bad".

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Mas há ainda vários originais da Netflix que o "The New York Times" destaca como sendo das melhores produções atuais. Uma delas, por exemplo, é "Better Call Saul", a prequela de "Breaking Bad" que acompanha a figura caricata de Saul Goodman, o advogado sem escrúpulos que ajudou Jesse Pinkman e Walter White nas suas aventuras criminosas.

E se os últimos episódios servem de alguma indicação, não falta muito para que a prequela se aproxime os acontecimentos chaves da série mãe.

Mostramos-lhe algumas das séries que o "The New York Times" considera serem as melhores. E todas estão disponíveis na Netflix portuguesa.

1. "I am Not Okay With This"

Fãs de  “The End of the F***ing World”, esta é para vocês. É do mesmo realizador, Jonathan Entwistle, e conta a história de uma jovem que perde o pai e se vê obrigada a lidar com um misto de sensações que desconhecia até então.

Na fase do luto, Syd (Sophia Lillis) vê a melhor amiga a ser engolida pela nova relação com o miúdo mais popular da escola à medida que tenta lidar com a incapacidade de estabelecer uma ligação emocional com a mãe. No meio de tudo isto, ainda descobre que tem superpoderes. É um drama de adolescentes com esteróides e muito (talvez demasiado) humor negro. Vale a pena espreitar.

2. "BoJack Horseman"

Um cavalo que fala, que se tornou milionário depois de participar numa série de sucesso na década de 90 e que agora sofre de ansiedade e de depressão por não conseguir ter o mesmo sucesso do passado.

Esta é a história de BoJack, uma personagem meio humana e meio cavalo que acredita que a melhor maneira de resolver os problemas é bebendo até à exaustão. Alcoólico, insignificante e destrutivo, a personagem é uma das mais queridas dos utilizadores da Netflix.

A série aborda temáticas como a humanidade, o amor e o desamor, a tristeza, a violência e a atualidade com uma frieza única, e conta já com seis temporadas.

3. "Mad Men"

Para fugir a séries pesadas, porque para coisas feias já basta o mundo real, aponte “Mad Men”. É considerada uma das séries de culto e acompanha o dia a dia de uma agência de publicidade entre 1960 e 1970.

À semelhança de outras grandes séries como "Os Sopranos" ou "The Wire", aqui também há um bad guy sem escrúpulos incorporado na personagem Don Draper, interpretada por Jon Hamm. A série nunca foi um sucesso de audiências, mas recebeu vários Emmys entre 2007 e 2015, o tempo em que se manteve em emissão.

4. "Better Call Saul"

Ainda que “Breaking Bad” tenha chegado ao fim em 2013, isso não quer dizer que os fãs se tenham esquecido das personagens icónicas que deram vida à série. Daí que não seja surpreendente que “Better Call Saul”, o spin-off que serve como prequela à série mãe, tenha sido recebida como entusiasmo pela crítica durante a estreia dos primeiros episódios.

Bob Odenkirk (“Nebraska”) dá vida a Saul Goodman que, no início da história, ainda usa o nome real — Jimmy McGill —, e que tenta ao máximo conquistar o seu espaço enquanto advogado num meio completamente dominado por várias firmas que têm muitos mais recursos para conseguir aceitar todo o tipo de casos que Jimmy, à partida, não conseguiria.

5. "Medical Police"

E se dois médicos americanos, atualmente a viver no Brasil, descobrissem um vírus capaz de dizimar toda a população? É a premissa de "Medical Police" cujo tema não podia ser mais adequada à realidade que estamos a viver.

Depois de descobrirem o vírus, os dois especialistas são recrutados pelo governo para tentarem encontrar a cura e evitar que a doença tenha consequências irreversíveis no mundo.

6. "Grace and Frankie"

“Grace and Frankie” é a comédia perfeita para descontrair. Conta a história de Grace (Jane Fonda), reformada da área da cosmética, e Frankie (Lily Tomlin), uma professora de arte. Estas são duas mulheres que se odeiam mutuamente e que, à partida, nada teriam em comum.

Tudo muda quando os maridos anunciam deixá-las por estarem apaixonados um pelo outro. É neste momento que ambas são obrigadas a pôr o orgulho de lado e a unir forças para tentar lidar com uma nova realidade que desconheciam há vários anos: uma vida de solteira.

7. "Dark"

Foi a primeira série alemã da Netflix e ainda hoje é comparada a "Stranger Things" devido à estranheza da história e à homenagem à cultura popular da década de 80.

Em "Dark", a história começa com o desaparecimento de duas crianças de forma inesperada. Os problemas começam quando a situação põe a nu todo um role de mentiras mantidas em segredo pelas famílias e amigos mais chegados.

O mistério complica-se quando o desaparecimento parece estar associado a fenómenos sobrenaturais que assolaram a mesma localidade em 1986.

8."Unbelievable"

Durante anos, Marie foi o rosto de uma mentira e de um crime que não cometeu. Estávamos em 2008 quando, na altura com 18 anos, a adolescente foi violada durante horas por um homem que lhe entrou em casa e a amordaçou. A jovem denunciou o caso às autoridades e foi sujeita a várias sessões de interrogatório — durante as quais adicionou e subtraiu detalhes importantes sobre o que tinha acontecido.

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Embora fosse vítima de violência sexual, a versão de Marie foi contestada pela polícia que chegou mesmo a acusá-la de fabricar acusações e inventar um caso que, devido à incoerência dos detalhes, nunca poderia ter acontecido. Mas aconteceu. Uma série de violações em vários estados dos Estados Unidos comprovou isso mesmo: havia um predador sexual à solta com um modus operandi muito específico.

Depois de ter originado uma reportagem, vencedora de um prémio Pulitzer em 2015, a história é agora recuperada numa nova minissérie da Netflix chamada "Unbelievable" — que a crítica diz ser importante por nunca perder o foco do que é realmente importante: as vítimas e o processo doloroso por que passam quando decidem denunciar.

9. "Derry Girls"

A série desenrola-se na Irlanda do Norte, numa altura em que há bombardeamentos constantes de grupos paramilitares em protesto contra a permanência do país no Reino Unido. Apesar de ter um contexto político e social tenso como plano de fundo, "Derry Girls" é leve e perfeita para desligar o cérebro depois de um dia de trabalho.

Neste universo, as bombas só são incómodas porque impedem as personagens de saírem de casa com os amigos ou de irem a um concerto à noite. A segunda temporada chegou à Netflix em julho e já é um fenómeno de audiências na Irlanda — onde foi criado um mural com os rostos das protagonistas.

10. "When They See Us"

A produção original da Netflix conta a história real de Antron McCray, Kevin Richardson, Yusef Salaam, Raymond Santana e Korey Wise, cinco adolescentes afro-americanos, com idades compreendidas entre os 14 e os 16 anos, acusados de agredir e violar Trisha Meili, uma mulher branca, enquanto esta corria no Central Park, em Nova Iorque.

 Apelidados de "Central Park Five" pela comunicação social, o caso correu a imprensa nacional e internacional no final dos anos 80. Apesar de manterem a sua inocência ao longo de todo o processo de julgamento, o grupo foi mesmo condenado, com sentenças entre os cinco e os 15 anos.

11. "Dear White People"

"Dear White People" conta a história de um grupo de estudantes negros que, na tentativa de contrariar o status quo, se revolta contra a elite privilegiada da universidade depois de uma polémica festa de Halloween em que alunos brancos pintam o rosto com tinta preta.

Em todas as temporadas reforça-se a questão do racismo nos EUA  e a reivindicação pela igualdade de direitos num país cada vez mais desigual e injusto.

12. "The Staircase"

"The Staircase" conta a história de Michael Peterson, um escritor norte-americano cuja vida sofre uma reviravolta quando encontra a mulher sem vida no fundo das escadas da casa que partilhavam. Apesar de ter ligado de imediato para os serviços de urgência, isso não impediu de ter sido acusado de ter morto a mulher num processo de investigação que demorou cerca de 16 anos.

Michael Peterson esteve preso até 2017, altura em que foi libertado por falta de provas. O documentário da Netflix vem dar a conhecer novos desenvolvimentos de um caso que, ainda hoje, está envolto em mistério e histórias mal contadas. Para isso, são reveladas informações inéditas da investigação, bem como alguns dos segredos do escritor norte-americano.

13. "The Crown"

Desde intriga política ao mais simples mexerico entre criadas de realeza, "The Crown" é já uma das séries mais conceituadas da plataforma de streaming. A crítica destaca a qualidade dos atores, a forma como a história se vai desenrolando ao longo dos episódios e a forma como toda a equipa responsável pela produção se tem mantido fiel a uma narrativa que ainda está a decorrer.

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É que os criadores da série querem chegar aos dias de hoje e isso implica passar por muitos anos de História — numa altura em que a princesa Diana ainda não foi apresentada na ficção. Na terceira temporada de "The Crown", cabe a Olivia Colman assumir o papel de rainha Isabel. E é um dos regressos mais esperados de 2019.

14. "The Good Place"

A série de comédia mostra uma mulher que, depois de morrer, luta para encontrar o verdadeiro significado sobre o que é ser boa pessoa todos os dias. A propósito da lista das 20 melhores séries que deveria estar a ver, a MAGG falou com Nuno Markl que selecionou "The Good Place" como uma das mais interessantes.

 “Não é a melhor sitcom de sempre, mas é a mais inventiva”, revelou o humorista que considera Michael Schur “um génio da escrita de comédia” — tal como ficou claro em “The Office”, “Parks and Recreation” e “Brooklyn Nine-Nine”.

“Uma das coisas que acho mais maravilhosas aqui, além da sensação de que eles estão a trabalhar sem limites, é a maneira como filosofia da boa é servida numa sitcom de horário nobre." A nova temporada vai ser também a última da série que, à Netflix, chega em formato episódico e semanal.

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