Esta segunda gala do "Big Brother — Duplo Impacto" foi marcante desde o início — e não pelas melhores razões. Depois das boas-vindas dadas aos espectadores pela dupla de apresentadores, Teresa Guilherme e Cláudio Ramos, Ana Garcia Martins, assim que teve oportunidade de falar, expôs uma situação passada dentro da casa na tarde de sábado, 9 de janeiro, que envolveu concorrentes como Helena Isabel, Rui Pedro e, principalmente, Joana Diniz, que proferiu comentários preconceituosos.

Em causa estava um momento lúdico passado na casa da Ericeira, onde os concorrentes tentavam adivinhar as celebridades de quem os colegas falavam — uma espécie de "Quem é Quem?"—, com recurso a pistas. Quando chegaram a Pedro Crispim, comentador dos "Extra" do reality show, Helena perguntou a Joana Diniz se era um homem. Em tom jocoso, tal como salientado por Ana Garcia Martins, a concorrente de Vila Franca de Xira respondeu: "Mais ou menos, tem dias".

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No seu tempo de antena, a comentadora residente das galas explicou que este tipo de comportamentos têm de ser sancionados, discutidos e trazidos a público. Ana Garcia Martins revelou ainda que aproveitou o momento para falar já depois de ter confirmado com a produção se o tema ia ser abordado na gala, e ter percebido que nada aconteceria.

"Muitos concorrentes entraram com a missão de fazer dos comentadores culpados de tudo o que fazem dentro da casa", começou por dizer. "Podem acusar-nos de tudo enquanto comentadores, mas não podem dizer-nos que os julgamos com base na cor, raça ou orientação sexual. Por isso, do lado deles isso, também não pode acontecer", acrescentou.

Depois de criticar fortemente os mesmos comentários, bem como a postura da produção, ao "branquear" o sucedido, a comentadora, também conhecida como "A Pipoca Mais Doce", explicou que, caso determinadas atitudes não fossem tomadas — desde uma sanção a um pedido de desculpa —, colocava em causa a sua permanência no programa.

"Se não houver nenhum tipo de sanção, no que me toca a mim, isso vai comprometer o meu futuro enquanto comentadora. Se não acontecer nada durante esta semana, provavelmente esta será a última gala em que estarei aqui. É inadmissível que alguém seja julgado por ser homossexual em pleno século XXI. Acho absolutamente vergonhoso. Se não agirem, o programa corre como entenderem, mas eu pessoalmente não tenho interesse em fazer parte", disse Ana Garcia Martins.

Teresa Guilherme assumiu não ter visto as imagens, e Cláudio Ramos que, apesar de dizer várias vezes entender a posição da comentadora, explicou não ter visto malícia nos comentários e teve a ideia de que os concorrentes comentaram o trabalho de Pedro Crispim, e não a sua orientação sexual.

O apresentador chegou também a dizer que, enquanto homossexual, não se sentiu ofendido com o sucedido, perante uma Ana Garcia Martins que refutou que isso não era razão para tantas outras pessoas, homossexuais ou não, terem a mesma opinião ou não se sentirem atingidas.

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Teresa Guilherme e Cláudio Ramos mantiveram a boa química da primeira gala créditos: Instagram

E isto foi apenas o início, com o tema a marcar toda a gala — mas já lá vamos. Pode parecer estranho, mas as expulsões e trocas de duplas foram praticamente o menos importante do programa, por isso despachamos a coisa e siga para bingo, sim? Gonçalo Quinaz e Helena Isabel foram os concorrentes menos votados pelo público, sendo os primeiros a ser salvos.

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Seguiu-se Bruno Savate e uma Noélia que achava que era desta que "ia de carrinho", segundo a própria, ao ficar para o fim com o "casalinho" Hélder e Anuska. A irmã de Iury foi mesmo a mais votada pelos portugueses, abandonou a casa e deixou para trás um Hélder (algo) destroçado.

Depois de nomeações e salvações das infiltradas, Maria Antónia, a mãe de Pedro da "Revolução", e Bernardina Brito (#saudades), Rui Pedro, Teresa, Sandrina e Noélia estão em risco de ser expulsas no próximo domingo. Helena e Hélder, uma nova dupla, são os líderes desta semana.

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Anuska foi a concorrente expulsa do "Big Brother" créditos: TVI

Piores momentos

O pedido de desculpas mais fraco de sempre e a "condução" de Cláudio Ramos

Desde que escrevo estas crónicas à segunda-feira, nunca escondi o meu apreço por Cláudio Ramos. Começou devagar no "BB2020", ganhou espaço e os nossos corações e foi com muita pena e saudosismo que o vi afastado da edição seguinte. A semana passada, aplaudi o seu regresso, melhor do que nunca, e mantenho que está perfeito no papel de apresentador deste tipo de formato e que a dupla com Teresa Guilherme funciona a 200%. Mais, acho mesmo que Cláudio traz ao de cima o melhor de Teresa, que tem estado muito mais leve e divertida do quem em todo o decorrer do "BB - A Revolução".

No entanto, foi com pena que vi a necessidade de Cláudio Ramos desculpar os comentários iniciais de Joana Diniz e pior, conduzir o discurso da concorrente quando esta foi chamada ao confessionário. Para início de conversa, foi só a mim que me pareceu que Joana estava avisada sobre o tema? Não pareceu minimamente surpreendida quando o Big Brother a confrontou com os comentários, e tinha a desculpa na ponta da língua, apesar de o tema não ter sido abordado em mais de 24 horas. Mas adiante.

Apesar de pedir desculpa, descarrilou ao referir-se a "todos os Pedros Crispins desse mundo" ou ainda usar o chavão "tenho um caso na família". Porém, já tinha assumido malícia no comentário quando Cláudio Ramos lhe começou a conduzir o discurso, ao afirmar que não achava que a concorrente tivesse dito o que disse com maldade, que talvez tivesse querido referir-se a outra coisa, que sabia que esta não era preconceituosa. E isto não é aceitável.

É público que Cláudio conhece bem Joana, dado que esta manteve um relacionamento de cerca de dois anos com o irmão do apresentador, Luís. Por isso, não me choca que Cláudio Ramos tenha, num primeiro momento, salientado a Ana Garcia Martins que Joana, a seu ver, não era uma pessoa preconceituosa — e até pode não ser. Mas conduzir um discurso e ajudar a concorrente a "safar-se", isso é outra história.

Ainda recorremos a choques para animar a malta?

Num dos momentos da gala, Helena Isabel, Quinaz e Joana Diniz reuniram-se na Sala do Impacto para responder a questões sobre o trio amoroso. Com recurso a um falso polígrafo, os concorrentes levavam choques nos braços sempre que respondiam de forma "falsa" às questões dos apresentadores. Já vimos isto em tanta edição anterior, de Cátia a Fanny, e já ninguém tem paciência. O tipo de humor é datado, pouco original e de hilariante tem muito pouco. Coloquem o Savate a imitar o Rui Pedro que a coisa funciona melhor.

Teresa para Bernardina. "Eu tinha era vergonha de ser uma pessoa como tu"

Infiltrada no bunker, Bernardina Brito foi convidada a atribuir um peixe a cada concorrente. Regendo-se às hipóteses disponíveis, elegeu a figura de peixe-víbora para Teresa, e justificou a escolha por não se identificar com os comportamentos da concorrente. Aproveitou ainda para dizer que talvez Teresa pudesse ter aproveitado este segundo programa para "limpar" a sua imagem, depois de vários momentos mais polémicos no "BB 2020".

Big Brother - Duplo Impacto
Teresa recorreu ao insulto para responder a Bibi créditos: TVI

Em cerca de dois segundos e meio, Teresa sacou dos seus não argumentos, recorreu ao insulto e foi do 8 ao 80 mais rápido que o Beep-Beep a fugir do Coiote. "Eu tinha era vergonha de ser uma pessoa como tu", disse a Bibi. 'Tá ótimo, Teresa, realmente, que amor de pessoa, e que injusta que Bernardina foi ao atribuir-te a víbora (mais uma vez, a pedido do programa, e não gratuitamente). Só que não.

Anuska é a concorrente expulsa do "Big Brother - Duplo Impacto"
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Os sapatos de Anuska

Era só isto.

Melhores momentos

Bibi, volta.

Sou a favor de uma petição para colocar Bernardina a mexer com a Ericeira. Com o seu estilo característico, mas claramente uma mulher mudada (quem achou que Bibi fosse perder a paciência com a Teresa em cinco segundos levante a mão), a ex-concorrente mostrou que seria uma excelente adição à casa do "Big Brother".

Não teve medo de ser direta, de dizer o que pensa, de fazer frente a concorrentes que estão habituados a falar sem que ninguém os interrompa e ainda nos arrancou gargalhadas. Metam a Bibi num Uber para a Ericeira, tipo já.

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Alguém pode colocar Bibi no jogo? créditos: Instagram

Tudo às claras. Como Ana Garcia Martins expôs uma situação que seria, muito provavelmente, varrida para debaixo do tapete

Desde o Joanagate, como Pipoca apelidou o momento que marcou a gala de ontem, que há uma coisa que não me sai da cabeça. Em abril passado, a primeira semana do "BB2020" também foi marcada por comentários homofóbicos. Na época, Hélder disse que preferia ser mulherengo do que "como ele", referindo-se a Edmar, concorrente homossexual.

Ainda antes do tema chegar às redes sociais, a produção — que assumo ser a mesma — agiu de imediato, chamou a atenção para a proibição desse tipo de comentários dentro da casa e sancionou rapidamente Hélder com uma nomeação direta.

Com a situação de Joana Diniz e Crispim, foi preciso o tema estalar no Twitter e Ana Garcia Martins trazer o assunto à baila para o mesmo ser abordado, já que Pipoca assumiu ter questionado a produção e esta lhe ter garantido que o tema não seria falado em direto.

Concorde-se com tudo com o que Ana Garcia Martins diz ou não, goste-se ou odeie-se, a comentadora foi uma peça fulcral na noite deste domingo, e é graças a Pipoca que este momento não passou impune, e que Joana teve de se desculpar. Mesmo que, para isso, tenha de ter existido uma ameaça de alçapão. Para a semana há mais, esperemos que com menos preconceito.

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