Precisa apenas de uma viagem de carro, de menos de duas horas a partir de Lisboa, para se aventurar numa viagem no tempo, mais precisamente, há 128 anos. Foi há mais de um século que esta casa emblemática da cidade de Abrantes foi erguida, o que nos leva a imaginar as histórias que durante estes longos anos se foram acumulando. A estas acrescenta-se agora mais uma: a Dona Amélia.

Este é o nome do novo alojamento local em Abrantes, que faz jus aos nomes que por aqui passaram. A Dona Amélia era a esposa do Dr. Solano de Abreu, que mandou edificar esta casa, mas como não tiveram descendentes, deixaram a casa à afilhada, também ela Maria Amélia. Como também não teve herdeiros, doou a casa à Paróquia de São Vicente. Apesar da falta de descendência, entre gerações foi passando o nome forte na família, Amélia, que dá agora nome à nova Guest House.

Quem nos conta esta história é Luís Agudo, responsável pelo novo capitulo desta casa que é, como diz, "um repositório de histórias, muitas delas não escritas, apenas gravadas em muitos dos pequenos detalhes que nela ainda podemos ver".

É que apesar da renovação que dá ao novo alojamento um toque contemporâneo, o passado histórico continua bem presente, criando uma simbiose harmoniosa: "Apesar da grandeza desta casa e dos seus imponentes tectos altos e escadarias, a sensação de quem a visita é de grande conforto e a sua enorme quantidade de janelas, também permite que exista uma luz incrível ao longo de todo o dia", diz Luís à MAGG.

O proprietário, nascido e criado em Abrantes e orgulhoso do novo projeto, não esconde o entusiasmo, mas deixa os segredos para quem por aqui passar. "Existem pequenos pormenores que aliam à sua beleza, um lado mágico, sendo a torre um deles, mas essa experiência não é relatável, terão mesmo de vir até cá", desafia.

Luís não está sozinho nesta aventura, mas este era um sonho seu de desde a infância, altura em que já nascia dentro de si um fascínio por este edifício antigo. "Para mim não fazia sentido uma casa histórica como esta e com tanto potencial estar fechada", revela à MAGG.

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Motivado pela beleza da casa e pela vontade de receber pessoas num ambiente o mais familiar possível, juntou ao projeto a esposa, a filha e os dois enteados, para que, além de criar um negócio de família, conseguisse um equilíbrio geracional e alguém que cuide do digital — "algo onde ainda navego com alguma dificuldade", admite Luís.

Apesar de ser definida como Guest House, esse "rótulo" não encaixa no conceito Luís quer passar: "Para nós o nosso nome 'oficial' será sempre Dona Amélia. Queremos acima de tudo que associem este projeto a algo familiar e nesse sentido a palavra House (casa), era algo que fazia sentido para nós estar presente", diz.

Quem foi e quem é António Botto e Dr. Solano de Abreu?

A segunda é fácil: apesar de a casa ter o nome da mulher, Dr. Solano de Abreu também fez parte da casa e tinha de ser relembrado de alguma forma. Agora o Dr. Solano de Abreu dá nome a um dos quartos na casa Dona Amélia, onde os hóspedes acordam com vista para o jardim e para a parte norte da cidade.

Como desde início, a Dona Amélia foi pensada como uma forma de homenagear e reforçar a identidade das gentes de Abrantes, além do marido da mulher que dá nome à casa, outros nomes importantes por aqui andam. António Botto, que não era da família da Dona Amélia, mas fez parte da família da cidade de Abrantes, por quem sempre foi acarinhado, ganhou lugar noutra das divisões da casa, agora disponível aos hospedes. É "alguém cuja irreverência e perfil vanguardista trouxeram ao cenário poético e literário da época uma lufada de ar fresco", conta Luís Agudo. Aqui a vista é para o jardim.

Além dos quartos com casa de banho privativa, a Dona Amélia tem ainda dois dormitórios, com acesso a cozinha e casa de banho comum, ambos virados ora para o jardim, ora para o jardim e para a entrada da cidade. Nos caso dos dormitórios, o preço é de 20€ por noite e, embora não inclua pequeno-almoço, tem acesso a uma cozinha paetilhada.

Já para quem optar por um dos quartos principais, cada noite custa 50€ no caso do Quarto António Botto, e 80€ por noite para o Quarto Dr. Solano de Abreu. Neste último o pequeno-almoço está incluído e devido às medidas aplicadas em contexto de pandemia para segurança dos hospedes, o mesmo será deixado à porta do quarto, numa hora previamente estabelecida e com um menu à vontade do freguês, isto é, os produtos incluídos variam consoante as preferências que o hóspede indicar no momento da reserva.

Há novas histórias para criar na Dona Amélia

Depois de mais de 100 anos de memórias na casa da Dona Amélia, a narrativa não podia ficar só pelas dormidas.

É por isso que já estão em vista workshops sobre as mais diferente áreas — desde a pintura, passando pela fotografia, escrita, até ao ioga. Claro que com o equilíbrio geracional dos proprietários da casa, faltava um toque da tendência atual: cinema ao ar livre. A lista de eventos prossegue por sessões literárias e pequenos mercados.

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"Parcerias com empresas locais estão neste momento a ser desenvolvidas, mas é um dos nossos principais objetivos: que o alojamento funcione em contacto direto com todo o tipo de negócios/projetos deste território, seja a nível de atividades turísticas, restauração, eventos culturais, etc", revela Luís Agudo sobre as mais novidades que estão para chegar, de forma a dar aos hospedes a melhor experiência possível.

Para já, pode traçar um roteiro passando pela Aquapolis, a Praça Barão da Batalha, as praias fluviais junto à barragem de Castelo do Bode, ou simplesmente desfrutar de um livro no jardim deste alojamento.

"Neste momento queremos, acima de tudo, que este lugar seja um lugar de criação de histórias e que as mesmas possam ser contadas e partilhadas pelo País e pelo mundo fora. Queremos que esta nossa casa tenha vida, agitação e dinamismo e que todos os que nos visitam e todos os que ficam aqui connosco, levem consigo memórias dos momentos que aqui viveram, memórias que os 'obriguem' sempre a querer voltar", conclui o proprietário.

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