"Fico em Kiev. Na rua Bankova. Não me escondo. E não tenho medo de ninguém. Farei o que for preciso para ganhar a nossa guerra patriótica". Na noite do 12º dia de guerra, Volodymyr Zelensky voltou a desmentir rumores de que teria abandonado a Ucrânia.

Num vídeo publicado nas várias redes sociais, Zelensky mostra a janela de um edifício, através da qual se pode ver o exterior, facilmente identificável para quem está familiarizado com a capital ucraniana.

Depois de mais uma ronda de negociações inconclusiva, com a Rússia a propor que os corredores humanitários sejam orientados para localizações na própria Rússia e na Bielorrússia (o que faria com que os que fogem à guerra só pudessem procurar abrigo nesses países), Volodymyr Zelensky voltou a dar uma entrevista, desta vez ao canal norte-americano ABC News. E, mais uma vez, a reforçar que quer negociar com Vladimir Putin, embora descarte por completo a hipótese de assumir uma derrota.

"Estou pronto para um diálogo. Não estou pronto para a capitulação porque isto não é sobre mim, é sobre o povo". Zelensky diz que não vai ser o presidente que andará a "pedinchar ajuda" à NATO, reforçando ainda que a Aliança Atlântica tem medo de tomar posições controversas face à Rússia.

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Zelensky confirmou a oferta do presidente norte-americano para uma retirada segura do país. Questionado pelo jornalista David Muir sobre se vai ficar "até ao fim", o presidente ucraniano respondeu. "Gostava que o fim fosse como nos filmes de Hollywood: um fim feliz para o nosso país".

Falando diretamente para os telespectadores, e em inglês, Volodymyr Zelesnky apelou ao povo norte-americanos. "Quero que sintam e que percebam o que significa liberdade para nós. Os americanos falam de liberdade e sabem o que é. Agora, quando olham para os ucranianos, percebem o que isso significa para nós. Não estamos longe de vocês. Se veem e se percebem como lutamos contra os inimigos pela nossa liberdade, apõem-nos. Não só com palavras mas com ações concretas e diretas. Se assim for, acho que ganharemos". 

1,7 milhões de pessoas já abandonou o país

Esta terça-feira, 7 de março, registaram-se 752 vítimas civis, entre as quais 227 mortes, 15 das quais crianças. Os números foram avançados por Michelle Bachelet, alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, numa comunicação ao Conselho dos Direitos Humanos. Bachelet sublinha que estes são números poderão ser muito mais altos, uma vez que há "inúmeras vítimas" sobre as quais se aguardam confirmação, uma vez que há atrasos significativos na recolha de informação nas zonas mais intensamente afetadas pela guerra.

Bachelet avançou ainda que mais de um milhão de pessoas abandonou o país, embora o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados fale num número ainda mais alto: 1,7 milhões de ucranianos já terá passado as fronteiras em direção a um dos países a oeste.

Está já agendado para a próxima quinta-feira, 10 de março, um encontro entre os ministros dos Negócios Estrangeiros dos dois países. A reunião acontecerá na Turquia, país que poderá ter um papel fundamental como mediador de um possível fim do conflito. Sergey Lavrov e Dmytro Kuleba vão reunir-se em Antalya, no sul da Turquia.

Zelensky fala hoje ao Parlamento Britânico através de videoconferência às 17h (hora de Lisboa) e tem também reuniões com os líderes da Polónia, Hungria, Eslováquia e República Checa.

À medida que as sanções impostas pela União Europeia e os Estados Unidos vão endurecendo, também vão crescendo as ameaças do lado russo. Esta segunda-feira, avança a BBC News, o vice primeiro ministro russo avançou que o Nordstream, o principal gasoduto que fornece a Alemanha poderá ser encerrado.

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Este aviso acontece depois de os países ocidentais terem banido a aquisição de petróleo russo. Se tal acontecesse, diz Novak, traria "consequências catastróficas" para o fornecimento de energia a nível global, bem como faria disparar o preço do barril de petróleo para os 300 dólares (275€). O valor está fixado atualmente nos 139 dólares (127€). 40% do gás e 30% do petróleo atualmente consumidos na União Europeia são de origem russa.