Nasceu em Castelo Branco, mas, hoje em dia, vive em Lisboa. Na infância, passava os dias com a avó paterna, que já morreu. Bruno d'Almeida tem 33 anos e apresentou a Curva da Vida na gala do "Big Brother" deste domingo, 14 de novembro.

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"É das pessoas mais genuínas e mais inteligentes que eu já tive o prazer de conhecer. Tinha oito netos e não se importava de dizer a ninguém que eu era o neto favorito dela. Tenho mesmo saudades dela, todos os dias da minha vida", afirmou, emocionado, a respeito da mãe do pai. A avó "Xica" morreu quando o concorrente tinha 18 anos, momento que descreveu como "assustador" e "um dos piores dias" da sua vida.

Aos 12 anos começaram os episódios de bullying que, de acordo com Bruno, aconteciam "de uma forma extremamente agressiva". "Era terror psicológico, eu fiquei completamente sozinho."

Ao longo da vida, o jovem sentiu que o pai exigia muito de si. "Quando o meu pai percebeu que o filho dele era realmente inteligente, começou a querer mais e mais e mais para mim, ao ponto de me deixar completamente infeliz. Eu tinha medo dele, da forma como ele me falava. Sentia que os pais dos meus amigos gostavam mais de mim do que o meu próprio pai e isso deixava-me completamente destroçado." Em relação à progenitora, descreve-a como "a melhor mãe do mundo".

"Eu não sabia quem eu era", confessou Bruno, recordando uma fase em que considerou suicidar-se. "Pensei muitas vezes o que é que eu estava aqui a fazer, pensei várias vezes em morrer." Na flor da adolescência, aos 16 anos, começou a questionar a orientação sexual: "Percebi que talvez eu quisesse estar com rapazes também e não só com raparigas", explicou.

"Fui preso por me quererem extorquir dinheiro"

Dois anos mais tarde, ingressou no curso de Arquitetura, na Universidade da Beira Interior. "Decidi que não ia ser mais uma pessoa com medo. E foi aqui que eu senti que era respeitado, que as pessoas gostavam de mim por quem eu era". No entanto, nem todos os momentos foram felizes: Bruno foi assediado "sexualmente constantemente" pelo seu orientador da faculdade. "[O assédio] chegou ao ponto de ele convidar para um jantar com mais amigos dele, eu ter dito que não e, na semana a seguir, tinha uma carta a dizer que eu tinha feito plágio de tudo aquilo que tinha escrito ate à data."

Terminou o curso e, um mês depois, foi trabalhar como arquiteto para a Indonésia. "Fui preso por me quererem extorquir dinheiro, pela polícia local e fiquei uma cela durante 2 ou 3 dias", descreveu o jovem, relatando que, apesar de ter sido o chefe da altura a libertá-lo, demitiu-se. "Comprei um bilhete de volta para Portugal, porque estava, realmente, assustado."

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Bruno sente-se orgulhoso por impulsionado a alteração das regras de doação de sangue, em particular por homossexuais. "Consegui mudar uma das normas mais aterradoras do nosso País. Foi-me negada a doação de sangue e peguei nisso e disse 'não, já chega'. Lutei. O que é certo é que, neste momento, somos um País sem preconceito em relação a isto", elucidou o concorrente, durante a Curva da Vida.

O jovem terminou a apresentação do segmento a afirmar que "a coisa que mais gosta de ser é um belo de um unicórnio que consegue tudo aquilo a que se propõe", portanto, "gostava de conseguir ganhar o 'BB8'".

No confessionário, conversou com os apresentadores sobre a relação com o pai. "Gostava que, um dia, me conseguisse aceitar por quem eu sou", confessou, explicando que, quando era mais novo, chegou a questionar o pai, mas "a resposta era sempre, de alguma maneira, muito negativa. "Acabei por desistir."

"Passei dois anos sem amigos"

Questionado por Manuel Luís Goucha, qual era a "pergunta adiada há anos" que gostaria de colocar ao progenitor, o concorrente hesitou, mas avançou: "Por que é que não gostas de mim?" O apresentador informou-o que o pai estava no estúdio do "Big Brother", mas Bruno ficou confuso e, a princípio, não acreditou. Ainda assim, não quis questionar o pai, nem que Goucha o fizesse.

Sobre a fase em que foi vítima de bullying, o jovem explicou que "foi de tal maneira extremo" que os pais foram chamados à escola e foi transferido para outro estabelecimento de ensino. "Quando cheguei à outra escola, os grupos já estavam formados. Basicamente, passei dois anos sem amigos e, por estar tão deprimido, comecei a engordar." Bruno recordou que, na altura, "estava sempre sozinho" e "não tinha autoestima", porque esta estava "completamente no lodo".

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A conversa chegou ao fim com o concorrente a dizer que ama muito os pais, "independentemente de tudo", mas, choroso, revelou alguma dificuldade em proferi-lo ao pai.

Durante a Curva da Vida, o pai de Bruno esteve de lágrimas nos olhos. Aos apresentadores, ainda emocionado, confidenciou que "sempre quis o melhor" para o filho e "nunca lhe faltou nada". A homossexualidade, soube através da mãe, porque o jovem nunca teve coragem de ter "a conversa" consigo. "É claro que eu não fiquei contente e mostrei o meu desgosto à mãe, não a ele. Ele achou que eu não ia gostar, mas é o meu filho, é o único, o que é que eu posso fazer?", explicou o progenitor, garantindo que, por diversas vezes, tentou falar com o filho, mas este não fala consigo. "Simplesmente quero que ele aceite que eu o aceito"

A mãe assegurou que, consigo, "era mais fácil falar", mas que "o pai gosta muito dele" e tem-no defendido desde que — sem o aval positivo dos pais — Bruno entrou no "Big Brother". Em relação à exigência acredita que "se reflete no homem que é hoje" e acrescentou, ainda, que se sente "muito orgulhosa dele, do percurso que tem feito".