António Costa assume que a prioridade do seu governo não é proibir despedimentos, mas "apoiar a manutenção de emprego", disse numa extensa entrevista ao jornal "Público", divulgada esta sexta-feira, 16 de outubro. O primeiro-ministro salientou também que o "excesso de rigidez pode significar matar muitos mais postos de trabalho do que aqueles que serão sacrificados para que a empresa se mantenha a funcionar”.

O chefe de estado salienta que é objetivo do governo impedir as empresas de abusarem da crise económica "para fazerem despedimentos que doutra forma não fariam", mas acredita ser necessário "deixar os estabilizadores automáticos da economia funcionaram com controlo”.

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Em relação ao Fundo de Resolução (FdR), António Costa não deixou margem para dúvidas. "A questão é saber se há dinheiro dos contribuintes a financiar o Fundo de Resolução: não há", disse o primeiro-ministro, que remeteu qualquer questão sobre o não acordo com o Bloco de Esquerda em relação à matéria para o próprio BE. "Da parte do governo, fizemos aquilo que era razoável". Mais: António Costa afirma que foi em "atenção" ao Bloco de Esquerda, e "para responder a uma posição” do partido que o governo decidiu não financiar o FdR.

Sobre o Orçamento de Estado (OE) para 2021, que Costa considera que responde "de uma forma diferente a esta crise, recusando uma receita de austeridade e, pelo contrário, procurando estimular o investimento público, sustentar o rendimento das famílias, responder às necessidades sociais mais prementes", o primeiro-ministro afirma sentir-se bem com o resultado alcançado, e acrescenta não compreender algumas das críticas à esquerda.

"Eu que sou de esquerda sinto-me bem com este OE e acho que, de facto, ainda ninguém percebeu as verdadeiras razões porque é que, à esquerda, há resistências de fundo a este OE. Que possa haver a ambição de o melhorar aqui e ali, compreendo, é normal. Uma resistência de fundo ao OE, com toda a franqueza, não consigo perceber. Creio que até agora ninguém conseguiu perceber", salientou o também secretário-geral do Partido Socialista.

Questionado sobre se as dificuldades em negociar o OE estariam associadas com um governo politicamente desgastado, António Costa salienta acreditar na existência de uma "enorme diferença entre o que é a bolha político-mediática e aquilo que é efectivamente a vontade e o sentimento popular".

"Basta, aliás, olhar para as sondagens para perceber que nelas não existe essa vontade de mudança, nem esse desgaste. Diria mesmo que o comum do cidadão nem percebe sequer esta conversa sobre crises políticas e qualquer debate sobre instabilidade, porque as pessoas estão já suficientemente preocupadas com a pandemia, com a crise económica, com a crise social para sequer pensar e imaginarem que no espaço político, os políticos em vez de estarem concentrados em responder à pandemia, à crise económica, à crise social, andam entretidos a criar crises políticas", afirmou na entrevista ao "Público".

António Costa aproveitou também para chamar a atenção para a necessidade de assegurar um orçamento ao País, numa altura em que Portugal, tal como muitos outros países, enfrenta a dura realidade da pandemia.

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"Temos de ter noção do seguinte: já há mais de duas mil pessoas que morreram. Temos tido esta semana mais de dois mil casos de pessoas infetadas por dia. Tivemos uma violência brutal para os idosos, que não puderam ser visitados pelas famílias; uma violência brutal para as crianças, que foram muito sacrificadas no seu processo educativo; temos pessoas que estão a perder emprego, a perder rendimento; empresários aflitos para manter as empresas a funcionar; os profissionais de saúde que estão a dar o litro para salvarem vidas, tratarem pessoas. O mínimo de respeito que podemos ter por esta realidade social é fazermos tudo o que estiver ao nosso alcance para assegurar ao País um Orçamento. O OE não é para o Governo, é para o País."

Sobre a possibilidade de um chumbo do Orçamento de Estado para o próximo ano, e de quem seria essa responsabilidade, o primeiro-ministro salienta que "não é fase para estar a apontar dedos, nem responsabilidades". E acrescenta que todos devem fazer "o melhor que podem, para, com bom-senso e razoabilidade, procurarmos encontrar pontos de convergência". No entanto, António Costa realça que ainda não encontrou ninguém que visse razões para não viabilizar o OE.

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