O caso do desaparecimento de Madeleine Mccann — que tem marcado a imprensa nos últimos anos e mais recentemente desde que o nome Christian Brückner surgiu associado a uma nova pista — foi o assunto de uma publicação no Facebook da jornalista de investigação da RTP Sandra Felgueiras, que lidera a equipa do  "Sexta às 9", programa que aborda alguns dos casos mais polémicos da sociedade portuguesa.

A jornalista, que investiga o caso de Madeleine há 13 anos, e por várias vezes entrevistou os McCann, mostra-se revoltada sobre a forma como tema tem sido tratado, em especial sobre as alegações que são feitas sem provas, defendendo por isso que "em público, só podemos falar o que podemos provar. E isto é válido para todos", diz, referindo-se às mentiras que viu serem difundidas "apenas em ordem de justificar a tese de um inspetor afastado por ter dito em público o que nunca conseguiu provar na justiça".

O inspetor em causa é Gonçalo Amaral cuja tese, afirma, "tinha falhas irreparáveis, e por isso, só por isso, não foi sequer transformada em acusação pública". O ex-inspetor da Polícia Judiciária Gonçalo Amaral investigou os desaparecimentos de Joana e também de Maddie, caso em que atribuiu as culpas ao pais, apesar de nunca ter conseguido provas concretas para sustentar as acusações.

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A tese acabou antes por se transformar numa história vendável, que se transpôs para livros, em resultado da pressão pública. "A vontade de crucificar os pais impeliu muita gente a querer acreditar numa tese mesmo quando as incongruências eram demasiadas e condenavam o caso ao absoluto fracasso", refere Sandra Felgueiras na publicação.

Ao longo da mesma, a jornalista defende a verdade comprovada e faz ainda uma análise sobre aquilo que se sabe sobre o atual suspeito do caso Meddie: Christian Brückner. "Nunca vi um suspeito como Bruckner: com tantos indícios que o colocassem no lugar do crime à hora do crime com um passado que nos permite adivinhar, mas não provar, o que pode ter feito".

Perante estas as pistas que apontam para o envolvimento de Brückner no caso de Madeleine Mccann, a jornalista de investigação pede: "A todos os que preferem acreditar naquilo que sempre acreditaram sem saber porquê, ou simplesmente porque não gostaram dos Mccan e os culpam por terem deixado os filhos sozinhos, peço-vos: livrem-se dos preconceitos".

No entanto, Sandra Felgueiras não deixa de reconhecer que os pais de Maddie têm culpa no que aconteceu. "Os McCann são culpados, sim. Viverão sempre com a culpa da negligência. Mas mais não podemos dizer. Não com as provas que temos".

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A mesma acredita que a nova pista que reabriu o caso pode vir a revelar "muitas verdades inconvenientes que andam escondidas há décadas no nosso aparente Portugal seguro". Quanto ao suspeito, a jornalista reconhece que não tem provas para o acusar do homicídio de Madeleine, mas investigou o seu percurso, incluindo tudo o que fez a crianças portuguesas, por isso, "merece ser denunciado", diz, acrescentando que ao contrário da polícia alemã, que quer apenas fechar mais um caso, o seu objetivo é saber mais sobre o seu país e de quem por ele anda.

"Escrevo para que as vozes incendiárias de quem não me conhece, mas vê em mim apenas o rosto de um caso, perceba que em mim, mora apenas um objetivo: descobrir a verdade. Seja ela qual for!", conclui Sandra Felgueiras numa nota final.

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