1 de março, 2020. Um dia depois de ser anunciada a primeira morte por coronavírus nos Estados Unidos, Matt Colvin e Noah Colvin meteram-se numa carrinha e passaram por várias superfícies comerciais da cidade de Chattanooga, no Tennessee, Estados Unidos. O objetivo? Comprar o maior número de embalagens de desinfetantes que conseguissem.

Não contentes com isso, decidiram partir sair do estado do Tennesee e passar para o Kentucky. Pelo caminho, passaram por todas as lojas que encontraram e esvaziaram as prateleiras: toalhetes, desinfetantes e outros produtos de higiene, levaram tudo. No total, compraram 17.700 embalagens com a ideia de as revenderem em plataformas online como a Amazon ou o eBay.

Regressados a casa, começaram a listar os produtos nas plataformas. Nas primeiras horas, conseguiram vender 300 embalagens com preços compreendidos entre os oito e os 70 dólares — valores muito elevados quando comparados aos valores de compra.

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Numa entrevista exclusiva ao jornal "The New York Times", Matt Colvin explicou que, na altura, lhe pareceu dinheiro fácil quando, na verdade, o que estava a fazer era aproveitar-se de uma pandemia para lucrar.

O esquema, no entanto, não durou. Para desencorajar este tipo de atitudes, a Amazon eliminou a listagem de milhares de produtos como desinfetantes, toalhetes e máscaras.

Pouco tempo depois, o eBay tomou medidas semelhantes e ameaçou que se ambos voltassem a repetir a tentativa de venda, poderiam perder as contas. Desde então que nenhuma das plataformas permite a venda de máscaras ou desinfetantes.

Numa altura em que, nos Estados Unidos, há milhões de pessoas à procura de desinfetantes para as medidas de prevenção e contenção do surto de COVID-19, Matt Colvin tem 17.700 embalagens empilhadas na sua garagem — e sem saber como se livrar delas.

 "Foi uma reviravolta incrível desde achar que podia deixar a minha família numa situação economicamente estável, até agora em que penso: 'O que é que vou fazer com tudo isto?'", revela ao mesmo jornal.
COVID-19. Comprou 17,700 embalagens de desinfetante e agora não tem como as vender
créditos: Doug Strickland/The New York Times

 Apesar de tudo, Colvin não se revê na ideia de que estava a tentar aproveitar-se de uma pandemia — mesmo que, segundo o "The New York Times", tivesse vendido duas embalagens de desinfetante por 20 dólares (cerca de 18€) quando cada uma lhe custou apenas 1 dólar (cerca de 90 cêntimos).

"Só porque ambas as embalagens me custam cerca de dois dólares, isso não significa que não não me tenha custado cerca de 16 dólares só para o entregar até a casa de alguém", terá dito.

Sem poder movimentar o produto que comprou, com as perspetivas de negócio arruinadas, e já depois da publicação da reportagem do jornal, Colvin revela agora que está a ponderar formas de poder doar todos os desinfetantes que comprou.

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