O médico brasileiro Miguel Nicolelis avisou este domingo, 14 de março, que o Brasil constitui um celeiro de novas estirpes do novo coronavírus e alertou que, caso a doença não seja controlada, o país poderá produzir um novo vírus — um "SARS-CoV-3".

O médico e neurocientista garante que a nova estirpe, conhecida como variante brasileira ou amazónica, é mais transmissível. Embora ainda não haja certezas se ela é ou não mais mortal do que as restantes variantes em circulação no Brasil, Nicolelis explica que é de igual forma um sinal de alerta uma vez que a transmissão pode provocar o surgimento de um novo tipo de coronavírus.

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"O Brasil tonou-se o foco, o epicentro da pandemia neste momento uma vez que nos Estados Unidos houve uma queda de mais de um terço dos óbitos (..) O Brasil é o foco [da doença] no mundo", afirmou o médico à Lusa, citado pelo jornal "Público".  Miguel Nicolelis liderou durante onze meses um grupo de especialistas responsáveis por orientar um consórcio de governadores no nordeste do Brasil para o combate à pandemia e explica que quando há "um reservatório humano muito grande de um vírus e o vírus se multiplica demais é inevitável que ocorram mutações por acidente na replicação do vírus".

"O perigo é que nós estamos a dar oportunidade para o coronavírus, aqui no Brasil, se replicar e [infetar] entre 70 mil e 80 mil pessoas por dia e, isto, gera um número incrível de mutações no vírus. Isto pode dar origem a novas variantes e inclusive, no limite, a mistura do material genético de diferentes variantes pode gerar um novo vírus, um SARS-Cov-3", realçou.

Nicolelis explica ainda que, de acordo com os valores médios dos últimos 14 dias para fazer uma estimativa da curva de crescimento de casos e óbitos, é possível prever que o Brasil vá superar a marca de 500 mil mortes por COVID-19 em Julho. "No caso [do Brasil] o valor está tão alto, há um crescimento ainda exponencial, que é possível fazer uma aritmética simples. Estamos com mais de 270 mil óbitos, se fizer [um cálculo] com 2 mil óbitos em média por dia, nos próximos 90 dias, haverá 180 mil óbitos. Em três meses batemos 450 mil óbitos. Se houver um colapso completo vai morrer gente e [muitos] nem vão chegar ao hospital", referiu ainda o neurocientista.

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