Naomi Seibt tem 19 anos, é alemã e, contrariamente à corrente de pensamento da sua geração, é uma céptica (ou realista, como diz) das alterações climáticas. A ativista, que é já conhecida como "anti-Greta", vai discursar na Conferência de Acção Política Conservadora (CAPC) — aquele que é o maior encontro anual de conservadores americanos, onde também o presidente, Donald Trump, e o vice-presidente, Mike Pence, vão discursar — e já foi várias vezes destacada por personalidades ligadas à extrema-direita alemã.

De acordo com o jornal inglês "The Guardian", Seibt é paga pelo Heartland Institute, uma incubadora de políticas públicas americana conservadora que é aliada à Casa Branca e que, desde 2000, nega a evidência científica que aponta para o papel do homem no aquecimento global e respetivas consequências.

De acordo com a ativista, Greta Thuberg, a cara mais mediática na luta pelas alterações climáticas, e os seus seguidores estão a provocar uma histeria coletiva desnecessária e a exagerar nos problemas associados ao ambiente e clima. "O alarmismo das mudanças climáticas é, na sua essência, uma desprezível ideologia anti-humana", diz no seu canal de YouTube.

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Natural de Münster, afirma que não tem agenda ou sequer ideologia, apesar de ter sido destacada por personalidades da extrema-direita alemã, sendo que a sua mãe, uma advogada, representa os políticos do partido de extrema-direita alemão Alternative für Deutschland (AfD). Num post da página de Facebook da juventude deste partido, Seibt foi nomeada como membro (a jovem depois veio negar a associação), tendo discursado num evento recente do AfD.

No seu primeiro vídeo de YouTube em maio de 2019, Naomi Seibt leu versos de poesia que acabaram por ser enviados para um concurso organizado pelo AfD. Foi assim que ela entrou no radar do americano Heartland Institute, sediado em Chicago, começando a fazer lobby pelas indústrias de tabaco, carvão e, mais recentemente, para desafiar o consenso científico das alterações climáticas.

Tanto assim é que, em dezembro de 2019, quando Thunberg discursava em Madrid, na cimeira sobre aquecimento global, para as Nações Unidas, Seib estava numa "conferência rival", diz o jornal inglês, a poucos quilómetros de distância, a discursar no  evento organizado pelo Heartland Institute.

A jovem de 19 anos, que já admitiu que recebe um salário mensal deste instituto, terá sido contratada para gravar vídeos céticos sobre o aquecimento global, avançou James Taylor, o estratega do Heartland.

Tanto assim é que no canal de YouTube deste instituto é possível vermos um vídeo de Seibt a falar a partir de casa dela, onde diz: "Tenho boas notícias para vocês. O mundo não está a acabar por causa das mudanças climáticas. Na verdade, daqui a 12 anos ainda vamos estar por cá, a tirar fotografias casuais com o nosso iPhone 18s", diz, acrescentando que estamos a ser "alimentados à força por uma agenda muito distópica de alarmismo climático que nos diz que nós, como seres humanos, estamos a destruir o planeta."

Apesar de ter apenas três vídeos, o seu canal conta já com perto de 54 mil seguidores. Dois deles têm títulos com alusões à ativista sueca: o "Anti-Greta or Pro Human?" e o "Message to the Media: How Dare You?". Neste último, além de criticar os media da Alemanha, fala sobre o polémico discurso de Greta Thunberg. "Eu gostava que não estivessem a dizer aos jovens para terem medo do futuro, que as gerações mais velhas estão a arruinar o planeta, que os animais se estão a extinguir e que a natureza está a morrer."

Mais ligações suspeitas: o primeiro ensaio de Seibt foi publicado, em 2017, no Philosophia Perennis, um blogue de "anti-islamização". Foi defendido por Martin Sellner, líder do Movimento Identitário Austríaco, também ligado à extrema-direita, a quem foi negada a entrada no Reino Unido devido ao seu ativismo político.

Desde a eleição de Donald Trump, diz o "The Guardian", a CPAC aliou-se  afiguras da extrema-direita, como os ex-funcionários da Casa Branca Steve Bannon ou Sebastia Gorka, sem esquecer os inúmeros céticos das alterações climáticas.

“A ciência do clima é entendida pela maioria dos americanos, tanto liberais como conservadores. Infelizmente, não encontramos nenhuma dessas pessoas ou cientistas do clima num evento como o CPAC", disse Connoer Gibson, investigador para a Greenpeace americana.

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