A partir desta segunda-feira, 19 de julho, a maioria das restrições aplicadas na Inglaterra deixam de existir. Cai a obrigatoriedade de uso de máscaras, as restrições à lotação em cinemas e teatros, assim como a obrigatoriedade de distanciamento físico. Da mesma forma, quem está em teletrabalho pode começar a voltar às empresas e as discotecas abrem portas. É assim o chamado "Dia da Liberdade", que se assinala com o levantamento das maioria das medidas restritivas numa altura em que, no país, o número de casos de infeção por COVID-19 continua a aumentar.

A decisão foi comunicada por Boris Johnson, o primeiro-ministro britânico, numa conferência de imprensa na segunda-feira, 12. Na altura, Johnson anunciou que o país estava pronto para avançar para a quarta fase do desconfinamento, baseando-se na estimativa de que, até meados de setembro, todos os adultos a residir no Reino Unido já teriam as duas doses da vacina tomada.

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O levantamento das restrições, no entanto, surge 24 horas depois de o país registar 48.161 novos casos de COVID-19, mais 25 mortes e 750 internamentos. Estes dados representam um crescimento de 43% do número de casos face aos dados dos últimos sete dias, muito devido à variante Delta que predomina no país.

Ainda que, neste fase, todos os maiores de 18 anos possam já inscrever-se para tomar a sua vacina, são vários os especialistas que alertam para os eventuais problemas que o levantamento das restrições em massa poderão fazer surgir. "Qualquer variante que se torne dominante no Reino Unido provavelmente espalhar-se-á pelo resto do mundo. As medidas tomadas no Reino Unido não nos afetam só a nós. Afetam toda a gente", avisa Christina Pagel, diretora da unidade de pesquisa clínica da University College London, ao jornal "The Guardian".

A epidemiologista Deepti Gurdasani é da mesma opinião. "O mundo inteiro está a ver a crise que ameaça surgir no Reino Unido e que poderia ser evitada. Que não tenhamos quaisquer ilusões: estamos num país em que o governo tomou medidas para expor os novos jovens a um vírus que causa doença crónica. O nosso governo está a acabar com qualquer proteção para as nossas crianças, inclusive situações de isolamento após contactos de risco", escreveu na sua página de Twitter.

200 mil casos e mil hospitalizações por dia são as previsões dos especialistas

Os avisos não se ficam por aqui e mais de 1.200 cientistas e especialistas juntaram-se para, numa carta publicada na revista "The Lancet" avisarem de que "permitir que a transmissão continue durante o verão criará um reservatório de infeção que, provavelmente, irá acelerar a propagação do vírus quando as escolas e universidades reabrirem no outono".

Nesta fase, Neil Ferguson, cientista e matemático, prevê que o levantamento de todas as medidas de restrição no país possa conduzir o Reino Unido aos 200 mil casos de infeção por dia. Com isso, será também inevitável o aumento das hospitalizações que, diz, deverão chegar, pelo menos, às mil por dia. "A verdadeira questão é se nos ficámos por aí ou se o número sobe. Se há muitos casos, há uma sobrecarga nos serviços de saúde", alertou.

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O "Dia da Liberdade", tal como Boris Johnson o apelidou, assinalar-se-á esta segunda-feira, 19, mas sem Boris Johnson, que está em isolamento após ter contactado com Sajid Javid, ministro da Saúde, cujo teste à COVID-19 deu positivo.

E embora assuma o isolamento e peça cautela à população na forma como desconfina, alertando para o facto de a pandemia ainda não ter acabado, as medidas que aprovou (e anunciou) parecem dar uma ideia contrária.

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