Um inquérito realizado entre abril e outubro do ano passado constatou que surgiram novos casos de violência doméstica (34%) durante a pandemia. Este é um dos resultados de um estudo desenvolvido pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) que indica ainda que das 1.062 pessoas inquiridas, 72% das que afirmaram ser vítimas de violência doméstica não apresentaram queixa e outras 51% não tem consciência ou perceção de ter sofrido de violência.

Os números vêm confirmar a situação que já tinha sido relatada pela Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica (RNAVVD) em novembro, quando deu conta de 503 casos relativos a "situações novas que chegaram pela primeira vez às equipas de atendimento à procura de ajuda" na RNAVVD, no período entre 28 de setembro e 8 de novembro — correspondente à segunda vaga da pandemia.

“Todos os dados parecem indicar que o contexto da pandemia acaba por agravar os fatores associados à violência doméstica”, afirma Sónia Dias, professora na Escola Nacional de Saúde Pública, e coordenadora do estudo da ENSP, da Universidade Nova de Lisboa. O principal objetivo do estudo foi conhecer os "efeitos da pandemia ao nível da violência nas relações de intimidade, especialmente a exercida contra as mulheres e minorias de género, antes, durante e após a crise COVID-19", diz o estudo, bem como perceber também se as vítimas procuraram ajuda.

O inquérito inclui respostas maioritariamente do género feminino (77,8%), entre os 25 e os 54 anos, e com ensino superior (82,1%).

Ao passo que os novos casos representam 34% das vítimas — sobretudo pessoas com ensino superior e sem dificuldades económicas —, 66% já tinha um histórico de violência doméstica. A professora Sónia Dias aponta como causa para um aumento de novos casos o facto de as pessoas passarem mais tempo em casa em regime de teletrabalho. São estas mesmas vítimas que tendencialmente não procuraram ajuda. "Parece indicar que há uma situação de violência doméstica que acaba por ficar escondida, podem estar a acontecer situações que não são denunciadas”, diz a responsável pelo estudo.

Entre as possíveis razões para não apresentar queixa, Sónia Dias indica que pode estar relacionado com o facto de as vítimas considerarem a ajuda é desnecessária, que não alteraria a situação e sentem-se constrangidos, mas também por consideram que o abuso não foi grave e acreditam que as autoridades não fariam nada.

O questionário online procurou ainda saber quem tinha sido testemunha de violência doméstica (15% dos casos) ou quem foi a própria vítimas (13,7%). Entre as vítimas encontram-se 138 casos de violência psicológica, 11 de violência sexual, dez de violência física e alguns casos em que as três situações colidiam.

A linha de apoio à vítima é o 116 006. O serviço é totalmente gratuito e está disponível todos os dias úteis entre as 9 e as 21 horas. Estão também espalhados, um pouco por todo o País, vários gabinetes da associação para que os possa contactar diretamente dependendo da sua localidade.

A lista completa de gabinetes pode ser consulta no site oficial da APAV.

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