André Ventura, líder e deputado único do Chega, revelou que a única forma de integrar ou viabilizar um novo governo nacional seria através da aprovação de medidas com o objetivo de "resolver de uma vez por todas o problema que milhares de portugueses têm com a etnia cigana". A declaração foi feita esta segunda-feira, 16 de novembro, em entrevista a Miguel Sousa Tavares no "Jornal das 8".

"Há um problema, que é conhecido, com a comunidade cigana. Não há comunidade em Portugal tão subsidiodependente como a comunidade cigana, não há comunidade que tenha tantos problemas com a justiça", justificou-se. Provocado por Miguel Sousa Tavares, que assumiu um papel de comentador e não o de entrevistador ao longo do segmento de entrevista, respondeu ainda que se tivesse uma filha e esta se casasse com alguém da comunidade cigana, "não gostaria. "Não vou estar aqui a ser politicamente correto. Não gostaria", reforçou.

Imediatamente a seguir, no entanto, reconheceu, ainda que por outras palavras, que não se poderia tomar uma parte da comunidade e julgá-la como um todo. Mesmo que seja isso a estar expresso na sua retórica enquanto líder do Chega, detalhe que Miguel Sousa Tavares levantou durante a entrevista.

"É isso que você faz, está a fazê-lo agora. Se você me diz que, à partida, que não gostaria que uma filha sua se casasse com um cigano, é porque já está a assumir que há um ónus sobre essa comunidade", argumentou Sousa Tavares.

Entrevista a André Ventura. "O casamento é uma coisa entre homem e mulher"
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André Ventura defendeu-se, dizendo não ser racista e argumentando até ter amigos negros depois de Sousa Tavares lhe perguntar se tinha "algum amigo preto". "Alguns até trabalham comigo e são dos mais próximos do partido", respondeu.

Sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo — e depois das declarações à agência Lusa em que disse que um casal de homens ou mulheres não deve ter menos direitos —, o líder do Chega esclareceu que "não deve haver um casamento enraizado entre pessoas do mesmo sexo" e que os casais homossexuais "devem ter tendencialmente os mesmos direitos", mas através de uma união civil.

Foi, aliás, essa a mesma posição de Ventura na entrevista que concedeu à MAGG em outubro de 2018. "É preciso garantir que a instituição casamento mantém a sua base, ou seja, que o casamento é uma coisa entre homem e mulher."

E continua: "Na minha opinião, eventualmente influenciada pela dimensão religiosa que tenho e pela formação que tive. Como acontece noutros países, o que deve existir é uma união civil para pessoas do mesmo sexo e não um casamento tal como nós o conhecemos. Juridicamente, o que é que muda? Na minha opinião, não deve mudar muito, ou seja, deve haver uma tendencial igualdade."

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