Hoje em dia temos um nome para tudo. Para os influenciadores, os produtores de conteúdos, youtubers, vloggers, bloggers, e mais alguns que ou já existem ou estão por inventar. Mas há um que vai contra tudo isto. São os desconectados, que conseguem viver sem tudo isto e ainda mais.

No fundo, são os que sabem estar. Sabem acordar sem que o primeiro instinto seja ver as notificações. Sabem estar à mesa e conversar com quem realmente está presente e não com quem está online. Sabem estar sem um carregador por perto, porque a bateria é mais duradoura para eles. São, por isso, pessoas que decidiram afastar-se do mundo da internet, para se focarem na vida real.

Um deles é David Macián, um cineasta de 36 anos que contou a sua experiência ao jornal espanhol "El Mundo". Macián tem um telemóvel, mas é uma versão que poucos (ou nenhuns têm). Não porque é o último modelo que saiu, mas porque é dos mais antigos — um Nokia, sem dados móveis, mas com o essencial. Faz e recebe mensagens (e, quem sabe, tenha o lendário jogo da cobra).

E porque é que este millennial, da geração conhecida por como geração digital decidiu viver desta forma? "Estamos a perder as conversas, os relacionamentos cara a cara, o autêntico, o natural. Vendem-nos que graças às redes sociais estamos cada vez mais conectados, mas o que sinto é o oposto: acho que elas isolam-nos, tornam-nos cada vez mais individualistas", refere David.

Contudo, não pense que este homem vive num género de "bolha". Ele consulta o que lhe interessa na internet, apenas não perde tempo a saltar de página em página quando pode estar a saltar de tema em tema numa conversa.

"Os meus amigos sabem que eu não tenho redes sociais ou WhatsApp, então quando querem entrar em contacto comigo, ligam-me. Não é assim tão difícil", refere Macián.

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Como Macián, também Enric Puig Punyet, doutorado em filosofia pela Universidade Autónoma de Barcelona ou Philippe, um comercial francês, faz parte dos desconectados. Muitos não sabem quem eles são porque não têm contas no Instagram ou Facebook, mas certamente que os amigos e família sabem melhor do que ninguém.

E esta desconexão pode mesmo fazer todo o sentido. O online evoluiu de tal forma que, de acordo com um estudo desenvolvido pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) e divulgado em junho, 34% dos jovens inquiridos começou a usar internet antes dos 10 anos e cerca de um quarto assumiu ter problemas associados à sua utilização. 

Como converter isso? Desconectando. "O grande paradoxo é que os desconectados sentem que se reconectam com o mundo real", refere Enric Puig Punyet, que escreveu o livro "La Gran Adiccion", que explica precisamente como viver sem internet sem que isso implique isolar-se do mundo.

O filósofo destaca ainda que a internet hoje em dia não é apenas uma dependência, mas também um negócio. Isto porque ao partilharmos conteúdos online somos como "trabalhadores sem salário para um chefe anónimo", diz, uma vez que funciona como um ciclo onde é gerado conteúdo, circulação, visitas e, claro, dinheiro.

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