Durante os três meses de confinamento devido ao surto da COVID-19 em Portugal, mais de 60% dos estudantes revelaram ter sido vítimas de cyberbullying. Os métodos usados contra eles eram sempre os mesmos: insultos, partilha de fotografias íntimas ou incitação ao suicídio.

"Mandaram-me fotos com teor sexual e muitas mensagens com ‘devias-te matar’ ou ‘se fosse como tu já me tinha matado'", relatou um dos 485 jovens inquiridos para o estudo "Cyberbullying em Portugal durante a pandemia da COVID-19", realizado por um grupo do Centro de Investigação e Intervenção Social do ISCTE e citado pelo jornal "Público".

A mesma investigação revela ainda que, além do aumento das agressões online em tempos de pandemia, entre os 41% que afirmaram ter sido os autores de alguns dos ataques e incitação à violência terem como sentimentos principais a indiferença relativamente aos possíveis danos, a alegria e a raiva.

Uma das conclusões a que a equipa do ISCTE chegou aquando da realização do estudo foi que, com a transferência das aulas presenciais para os computadores, 61.4% dos inquiridos revelaram ter sido vítimas de cyberbullying pelo menos algumas vezes nos três meses em que o ensino à distância esteve em vigor — isto, claro, numa altura em que 44.7% dos jovens entrevistados revelaram ter passado cerca de seis horas por dia na internet e nas redes sociais.

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Questionados sobre se este este tipo de violência contra eles tinha aumentado exponencialmente durante a pandemia, 59% dos entrevistados respondeu que sim e só 37% negou.

"Não podemos medir este aumento das agressões, porque não foi feito nenhum estudo antes da pandemia, mas as respostas parecem indicar que sim”, explica ao mesmo jornal Raquel António, uma das autoras do estudo. E sublinha que, para lá do medo provocado pelo surto da COVID-19, as vítimas de bullying "afirmaram terem-se sentido irritadas, tristes, nervosas e inseguras com mais frequência do que os estudantes que não sofreram ataques online."

E conclui, ainda em declarações à mesma publicação: "Sentimos neste inquérito muita falta de reconhecimento das emoções nos outros e acredito que esta falta de culpa e esta indiferença nos agressores decorre daí. Muitas vezes, os jovens não têm consciência de que, ao carregarem no botão para partilharem determinado conteúdo, estão a magoar muito quem é visado naquela foto ou naquele post."

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