Uma nova força política composta pelos "estilhaços" do Chega. É assim que Miguel Tristão Teixeira, antigo líder do Chega na Madeira, fala da Liga Nacional ao jornal "Público". Trata-se de uma nova força política composta por dissidentes do partido liderado por André Ventura que, por esse motivo, irá disputar o mesmo espaço ideológico ocupado pelo Chega — assumindo posições mais próximas da extrema-direita do espectro político, embora os próprios, claro, não se revejam nessa definição.

"Nós não somos os extremistas, os extremistas continuam no Chega", diz Jorge Malheiro, nacionalista e anteriormente associado ao PNR, à mesma publicação, referindo-se a militantes como Luís Filipe Graça, presidente da Mesa da Convenção do Chega e anteriormente associado à Nova Ordem Social, de Mário Machado. Para mim, o nazismo é de esquerda. Não somos de extrema-direita, apenas queremos um futuro melhor para os nossos filhos", refere.

Miguel Tristão Teixeira é da mesma opinião ao considerar que "o Chega acolheu muita gente que não interessa" e que acabará por "implodir". Nesse contexto que parece, para vários dos antigos militantes do partido de André Ventura, cada vez mais próximo, Pedro Perestrelo, fundador da Liga Nacional, diz estar "à espera de que saiam as pessoas que interessam" para que as possa convidar para a sua força política.

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"Sei perfeitamente quem é válido naquele partido", e adianta que saiu do Chega como forma de não se ver "novamente envolvido em crimes" na sequência da descoberta de que o partido de André Ventura tinha sido fundado com assinaturas falsas de pessoas menores e outras que já morreram.

A ideia de um conflito interno no Chega prestes a implodir tornou-se ainda mais evidente em setembro quando, durante a II Convenção do partido, a lista para a direção nacional foi a votações por diversas vezes por não haver um consenso. Esse impasse levou a que, por breves instantes, estivesse em cima da mesa o pedido de demissão de André Ventura.

"O Chega é um partido de gente do sistema, do pior que o sistema tem e que está louquinha para arranjar tacho no Governo. Andam a tentar fazer, apesar de o André o recusar, coligações para as autárquicas e legislativas seguintes [em 2023] para ver se ganham lugares. Há gente à volta dele [referindo-se a André Ventura] que começa a hostilizar, a ameaçar, a perseguir. Conheço vários casos de ameaças físicas. Há difamação, histórias inventadas com provas forjadas, é especialidade da casa", explica Perestrello, ex militante do PNR e fundador da Liga Nacional, ao jornal "Público".

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A estratégia da Liga Nacional, sabe-se agora, não será muito diferente daquela que fez nascer o Chega no espaço mediático. Nos últimos meses, os responsáveis começaram a construção de um programa político e a recolha de assinaturas, atualmente com cerca de duas mil já angariadas. O próximo passo será o de encontrar um rosto mediático capaz de liderar o partido e há quatro nomes em cima da mesa (que não revelam) depois de ter sido estendido um convite a Suzana Garcia, a antiga comentadora da TVI afastada por Cristina Ferreira, que recusou.

Sobre quais serão, exatamente, as linhas ideológicas da Liga Nacional, Migual Tristão Teixeira explica à mesma publicação. "A Liga vai ocupar o espaço da direita e acho que vai disputar o espaço com o Chega. Vamos disputar o nacionalismo liberal. Defender Portugal e os portugueses primeiro, defender uma democracia, com o aumento da autoridade do Estado, e uma economia de mercado dentro dos limites da garantia da soberania nacional."

"É natural que parte das pessoas que ainda estão no Chega venham para a Liga e parte desse eleitorado também virá, e muito, da abstenção”, referindo, ao mesmo jornal, rever-se nas políticas de Donald Trump.

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