Francisco Pinto Balsemão, fundador do jornal "Expresso" e da SIC, morreu esta terça-feira, 21 de outubro, aos 88 anos, em Lisboa. A notícia foi avançada pela JLM&A Consultores, que referiu em comunicado que o antigo primeiro-ministro e empresário "morreu serenamente, acompanhado pela família", mas a causa da morte não foi divulgada. A notícia abalou o País, e foram vários os políticos e jornalistas que já se manifestaram.
Cavaco Silva, antigo presidente da República e primeiro-ministro, recordou o "legado para a História" deixado por Francisco Pinto Balsemão na democracia portuguesa, assim como o seu papel "fundamental" para a liberdade de imprensa em Portugal, de acordo com a SIC Notícias, algo que Manuel Alegre, socialista, também admitiu. Já Rui Moreira, presidente cessante da Câmara Municipal do Porto, declarou luto municipal durante o dia desta quarta-feira, 22 de outubro, considerando Pinto Balsemão "o verdadeiro senador da democracia portuguesa".
Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Pinto Balsemão iniciou-se verdadeiramente no jornalismo no "Diário Popular", antes de fundar, em 1972, o "Expresso", semanário que se tornaria uma referência do jornalismo português, com o intuito de se aproximar dos jornais internacionais "Figura maior da defesa da liberdade, apologista intransigente da liberdade de imprensa e de expressão, marcou a história do País nas últimas décadas", lê-se na missiva da JLM&A Consultores.
Em 1992, o empresário voltou a fazer história ao criar a SIC, o primeiro canal de televisão privada em Portugal. À frente do Grupo Impresa, consolidou um dos maiores impérios de media portugueses, com títulos como o "Expresso", "Visão", “Caras”, “Exame” e “TV Mais”. Além disso, Francisco Pinto Balsemão foi também professor universitário, presidente de associações internacionais de media e fundador do Prémio Pessoa, assim como um dos fundadores do Partido Social Democrata (PSD). Aqui ficam mais curiosidades sobre o empresário.
Francisco Pinto Balsemão tinha sangue real
É verdade — o empresário, político e jornalista português era descendente dos reis de Portugal, segundo explica o "Diário de Notícias". Tudo começou com o seu bisavô materno, Rodrigo Delfim Pereira Neto, que nasceu em 1823 e que era filho ilegítimo de D. Pedro IV ( e D. Pedro I, no Brasil) e da baronesa de Sorocaba, Maria Benedita de Castro Canto e Melo. No entanto, o bisavô de Pinto Balsemão só reconheceu o filho nove anos depois, em 1832, num testamento e já depois de ter abdicado da coroa portuguesa e da coroa imperial brasileira.
Acontece que Rodrigo Delfim Pereira Neto casou-se no Rio de Janeiro, Brasil, com Carolina Bregaro, e os dois tiveram três filhos. Um desses filhos foi Manuel Rodrigo de Castro Pereira, que, por ventura, casou com Cecília van Zeller, o que resultou em 12 filhos. Desses 12 filhos nasceu Maria Adelaide van Zeller de Castro Pereira, que casou com Henrique Patrício Pinto Balsemão e os dois tiveram Francisco Pinto Balsemão - considerado o filho milagre, uma vez que é filho único e chegou mais tarde. Ou seja, o empresário português é bisneto Rodrigo Delfim Pereira Neto e trineto de D. Pedro IV.
Por sua vez, Francisco Pinto Balsemão casou uma primeira vez com Maria Isabel Lobo, e deste casamento nasceram os seus filhos mais velhos, Mónica da Costa Lobo Pinto Balsemão e Henrique da Costa Lobo Pinto Balsemão. No entanto, os dois divorciaram-se, e o empresário casou uma segunda vez com Maria Mercedes Aliu Presas, com quem também teve dois filhos: Joana Presas Pinto Balsemão e Francisco Pedro Presas Pinto Balsemão. Fora do casamento, Pinto Balsemão teve um filho com Isabel Maria Supico Pinto, de nome Francisco Maria Supico Pinto Balsemão.
Simone de Oliveira era sua colega de escola (e puxava-lhe o cabelo)
Ainda na adolescência, Francisco Pinto Balsemão frequentou o Liceu Pedro Nunes, mesmo em frente ao Jardim da Estrela. De acordo com a "Renascença", o empresário e jornalista recordou o estabelecimento como um "liceu fantástico", uma vez que era uma escola mista e isso queria dizer que rapazes e raparigas podiam estar todos no mesmo espaço, algo muito raro durante o Estado Novo. Foi inclusive neste liceu que Francisco Pinto Balsemão conheceu Simone de Oliveira, e os dois criaram uma bonita amizade.
Na terça-feira, pouco depois de se saber que o empresário tinha morrido, a cantora de 87 anos entrou em direto na emissão da SIC Notícias, e acabou por relembrar o jornalista e político como um jovem com quem se metia constantemente, isto porque Francisco Pinto Balsemão tinha sempre "uns calções pelos joelhos e umas meias ótimas, douradas, como os meninos usavam nessa altura". "Metia-se comigo, dizia que eu era a menina dos olhos verdes, e puxava-me pelas tranças", acrescentou.
Foi no exército que teve a primeira experiência no jornalismo
Apesar de Francisco Pinto Balsemão já conhecer o mundo do jornalismo desde pequeno, uma vez que o pai, Henrique Balsemão, e o tio, Francisco Balsemão, estavam entre os investidores do jornal "Diário Popular", foi na tropa que o empresário português teve o primeiro gosto neste meio. Enquanto cumpria o serviço militar obrigatório para a Força Aérea Portuguesa, de acordo com o "Jornal de Negócios", Francisco Pinto Balsemão foi chamado para ser chefe de redação do "Mais Alto", e teve várias aventuras.
Uma delas foi em Londres, depois de ter sido enviado com um fotógrafo e um realizador de cinema para fazer reportagens sobre a "miséria inglesa", uma vez que "um programa da BBC facioso" tinha descrito Portugal "como um País da miséria" e composto apenas por "bairros de lata", recordou a "Renascença". Mais tarde, e já depois de cumprir as obrigações militares, Francisco Pinto Balsemão iniciou o seu percurso na Licenciatura de Direito, mas não largou o jornalismo e acabou também por entrar então no "Diário Popular". Um jornal que, em 1971, foi vendido por 200 mil contos (um milhão de euros).
Francisco Pinto Balsemão, uma vez que, na altura, fazia parte do conselho de administração, acabou por ficar com 30 mil contos (150 mil euros) desse valor, dinheiro esse que serviu então para criar o "Expresso", de acordo com o "Diário de Notícias". Com isto, em 1972, fundou a Sojornal, uma empresa que entretanto mudou de nome e hoje é conhecida como Imprensa, um dos maiores impérios de media portugueses. O resto é história.
Fanático pelo Sporting, música e desportos motorizados
Algo que não é novidade é que Francisco Pinto Balsemão era adepto e sócio do Sporting Clube de Portugal, mas sabia que era também um apaixonado pela música e por todo o tipo de desporto, inclusive o motorizado? É verdade. De acordo com a CNN Portugal, o empresário, durante a sua infância, participava nas atividades da Mocidade Portuguesa e jogava bastante futebol com os amigos, tendo sempre apoiado o clube verde e branco. No entanto, também gostava muito de hóquei em patins e de ténis, tendo criado um gosto especial pelo golfe e acompanhado de perto os desportos motorizados.
Além disso, Francisco Pinto Balsemão adorava música, segundo diz o meio de comunicação, e até aprendeu a tocar piano e bateria, algo que continuou por muitos anos da sua vida. Um dos seu sonhos era, até, ter um grupo musical.
Foi distinguido com 13 das mais altas condecorações
Francisco Pinto Balsemão foi amplamente distinguido ao longo da sua vida, tendo recebido cinco das mais altas condecorações nacionais e oito internacionais. Em Portugal, recebeu em 1973 a Grande-Oficial da Ordem de Benemerência de Portugal, em 1983 a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo de Portugal e em 2006 Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique de Portugal. Cinco anos depois foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade de Portugal e, em março deste ano, com Grã-Cruz da Ordem de Camões de Portugal.
Já no estrangeiro, todas as distinções foram dadas na década de 80, altura em que também foi primeiro-ministro de Portugal. Em 1981, foi distinguido com a Grã-Cruz da Ordem da Coroa da Bélgica e com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul do Brasil, e, em 1982, com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito da Grécia, com a Grã-Cruz da Ordem da Bandeira da Hungria e com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República Italiana de Itália. No ano seguinte, foi a vez do Vaticano o distinguir com Grã-Cruz da Ordem de Pio IX, assim como a Jugoslávia, com a Grã-Cruz da Ordem da Bandeira.
Já em 1989, Francisco Pinto Balsemão foi distinguido com a Grã-Cruz da Real Ordem de Isabel a Católica. Além de tudo isto, recebeu também doutoramentos honoris causa por universidades como a Nova de Lisboa e a da Beira Interior, e foi homenageado por autarquias como Lisboa, Porto e Guarda, que reconheceram o seu contributo para o País nas áreas da política, cultura e comunicação, segundo a "Imagens de Marca".