Para 22 de dezembro já foram marcados mais de 1500 testes à COVID-19. A procura pelos testes disparou após ter sido avançado pelo primeiro-ministro, António Costa, que no Natal serão levantadas algumas medidas e será possível passar a consoada em família.

Os dados são divulgados pela rede de diagnóstico clínico Unilabs Portugal, de acordo com o "Diário de Notícias", que cita a agência Lusa. "Tivemos um incremento muito grande de pedidos de testagem, nomeadamente testes de PCR e também testes de antigénio, para os dias 21, 22, e 23 de dezembro", revela o presidente da Unilabs, Luís Menezes.

"As pessoas veem na testagem uma forma de criarem uma salvaguarda adicional", acrescenta, mas lembra que a ceia de Natal deve ser realizada com um número reduzido de pessoas, com distanciamento físico e com o uso de máscaras sempre que possível.

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Também a rede de laboratórios SYNLAB viu um aumento da procura de testes RT-PCR, mas mais associados a viagens. "Os clientes começaram a contactar muito cedo (desde o início de dezembro) para efetuar marcações também para o dia 24 de dezembro, de forma a poderem realizar as suas viagens no dia 26 de dezembro", revelou a SYNLAB.

Contudo, no que diz respeito aos testes anteriores às celebrações de 24 e 25 de dezembro, os especialistas avisam que a testagem, ainda que negativa, não é fiável.

"Estar a fazer testes de forma aleatória, sem o contexto epidemiológico ou o contexto de sintomas, pode ser menos útil do que se esperaria. As pessoas não podem ficar com uma sensação de segurança dada por um resultado que daqui a dois dias pode ser outro", alerta o médico infeciologista António Silva Graça ao "Público".

Além disso, os testes rápidos de antigénio "são muito sensíveis”, relativamente aos testes de PCR, diz o especialista, o que significa que "há sempre a possibilidade de haver um falso negativo, um resultado que dá negativo quando na verdade a infeção existe", acrescenta. 

Esta “falsa sensação de segurança” pode levar os portugueses a deixar de lado as medidas de contenção do vírus durante o Natal e agravar a situação pandémica no País.

Por outro lado, o presidente Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, defende que a testagem "parece interessante" para identificar pessoas que podem estar infetadas, mas são assintomáticas. "Pode ajudar também a reduzir o risco de uma exposição que é previsível venha a acontecer no período das festividades", disse à agência Lusa.

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No entanto, reconhece que além do custo desta medida e da dificuldade em testar massivamente num curto espaço de tempo, "é importante que pessoas tenham a perceção de que as diversas medidas e cautelas que podem ter em relação a evitar a disseminação da doença são complementares". 

Além do infeciologista António Silva Graça, também a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, já tinha destacado que os testes de antigénio só devem ser usados em situações específicas, como quando os testes PCR não estão disponíveis, e apenas quando existe uma prescrição médica. No mesmo sentido, o Instituto Nacional De Saúde Dr Ricardo Jorge (INSA) indicou que os testes rápidos deveriam ser usados utilizados com “ponderação e reserva”.

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