A Ordem dos Médicos fez esta segunda-feira, 18 de janeiro, um apelo de desespero ao Governo: um confinamento geral semelhante ao de março e abril e a “revisão imediata do Plano Nacional de Vacinação COVID-19", anunciou em comunicado. Em causa está a sobrelotação do Serviço Nacional de Saúde, a vida dos mais frágeis e a proteção dos profissionais de saúde, que "são vítimas de burnout e sofrimento ético", denúncia a Ordem.

"São eles que, além dos doentes, sofrem no terreno, e que aguentam a pressão brutal sobre o SNS”, alerta a Ordem dos Médicos, que fala em "medicina de catástrofe", na qual os profissionais de saúde" têm de tomar decisões complexas e muito difíceis" porque não se conseguem salvar todos os doentes.

Assim, a Ordem dos Médicos defende que é necessário “adotar, sem reservas e com a maior brevidade, um confinamento geral, no mínimo semelhante ao que ocorreu em Março-Abril de 2020, aquando da primeira onda da pandemia, com uma situação muito menos severa”, diz o comunicado, a que o jornal "Público" teve acesso.

O presidente do Colégio de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos, Artur Paiva, acrescenta ainda que o confinamento atual é o "pior que podíamos ter", uma vez que "acarreta prejuízos para a economia sem os benefícios em termos de saúde”, diz. O presidente é ainda da opinião de que todas as escolas, sem exceção, devem fechar imediatamente.

Na opinião da Ordem, os médicos de família devem ser desresponsabilizados de gerir tarefas administrativas, associadas ao Trace COVID-19, para que possam estar focados no serviço nos centros de saúde. Defendem ainda que seja aumentada "de forma exponencial a capacidade de testagem de pessoas infetadas e os seus contactos, através da utilização maciça de testes rápidos, para tentar recuperar o tempo já perdido na quebra de cadeias de transmissão”, que fez com a linha vermelha de capacidade de resposta dos serviços de saúde fosse quebrada há muito tempo.

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Para além de ser necessário criar uma resposta "integrada e consistente aos cidadãos e ‘doentes COVID-19’ e ‘não COVID-19’", a Ordem dos Médicos refere que as equipas médicas devem ser reforçadas com profissionais "com formação adequada, para que possam ter acesso privilegiado a cuidados de saúde em segurança” e cuidar das pessoas mais frágeis, como os idosos.

A atual situação pandémica em Portugal, que levou o País para o primeiro lugar a nível europeu dos que têm a média mais alta de novos casos de infeção por COVID-19 por um milhão de habitantes, levou ainda a Ordem dos Médicos a pedir a “revisão imediata do Plano Nacional de Vacinação Covid-19 e um pedido de parecer urgente ao Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) sobre critérios de prioridade para vacinação COVID-19”.

O comunicado termina com mais um apelo ao Governo: "Precisamos com urgência de proteger os doentes, os profissionais de saúde, toda a população portuguesa. É emergente esmagar a transmissão na comunidade. Dada a evolução atual da pandemia, precisamos de atuar agora com todos os meios para ter resultados consistentes daqui a duas semanas".

O Governo vai reunir esta segunda-feira, 18, em Conselho de Ministros extraordinário para fazer um balanço dos últimos três dias de confinamento, decretado na quarta-feira, 13, e novas medidas serão apresentadas ao País. Estas deverão ser mais severas do que as já aplicadas, tal como indicado este domingo, 17, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, quando alertou que a situação do País "é muito crítica" e que não vai hesitar em avançar com medidas mais severas.

"Pode ser necessário ir mais longe no fechamento de atividades que ainda ficaram abertas, se for necessário, como sinal à sociedade", disse aos jornalistas.

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