O Centro Hospitalar de Setúbal abriu um processo "para averiguar e esclarecer as circunstâncias da morte" de Vânia Graúdo, 42 anos, a 3 de agosto, no Hospital São Bernardo. A mulher esteve três dias em trabalho de parto, apesar de ter dado entrada no hospital com uma cesariana marcada. A causa da morte terá sido a embolia de líquido amniótico.

De acordo com uma resposta escrita pelo hospital e enviada à Agência Lusa, Vânia Graúdo foi "atendida de acordo com o estado da arte preconizado para a sua situação clínica", ressalvando que foi iniciado "um processo de averiguação para o cabal esclarecimento da situação". O Centro Hospitalar "lamenta a morte da utente Vânia Graúdo e endereça as mais sentidas condolências à família.

Vânia Graúdo deu entrada neste hospital a 1 de agosto, com uma cesariana que acreditava estar marcada, grávida de 39 semanas. Mas terá depois sido informada pela médica de que iriam tentar um parto normal, dizendo que a mulher "já tinha tido duas filhas" desta forma e que "não fazia sentido a cesariana".

"Até na hora da morte foi a Vânia. Ela era assim, não queria chatear ninguém"

Deram-lhe os comprimidos para a indução do parto. Ao longo destes dias, Vânia foi ligando à irmã Paula Oliveira, a residir no Luxemburgo, relatando-lhe a situação. Mas nunca pediu ajuda. "Até na hora da morte foi a Vânia. Ela era assim, não queria chatear ninguém. Preferiu sofrer, mas não pediu ajuda. Esteve três dias sozinha e não pediu ajuda."

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Depois, foi a vez do hospital telefonar à irmã: primeiro a dizer que a criança tinha nascido, mas que tinha havido complicações no parto. E 15 minutos depois para lhe dizerem que Vânia tinha morrido.

"Fiquei em choque", diz ao "Diário de Notícias".  "Foi transmitido que o líquido amniótico foi para o sangue. E que a minha irmã começou a fazer convulsões e começou com uma hemorragia. Fizeram três transfusões, mas o sangue já estava envenenado e ela rejeitou o sangue novo. Entrava pela veia e saía por baixo. Fez duas paragens cardíacas, mas não conseguiram reanimá-la."

A informação fornecida pelo hospital ao Diário de Notícias referente à questão da cesariana vai, no entanto, noutro sentido: o Hospital de São Bernardo diz que "não estava prevista a realização da cesariana", acrescentando que "foi realizada a indução de trabalho de parto no dia 1/8/2020, conforme planeado com a grávida em consulta de vigilância realizada em 29-07-2020."

"Um bebé é uma dádiva, não é isto! Não sabemos o que aconteceu", disse ao mesmo jornal Carina Gaspar, cunhada de Vânia, que a deixou no hospital no sábado, pelas 8h30.

Uma amiga de Vânia, que preferiu não revelar o nome, culpa o hospital pela situação, acreditando que o resultado tinha sido diferente se os médicos tivessem optado pela cesariana. "Ao que parece, ao fazer esforço, o útero 'caiu'. Ela ficou cheia de líquido amniótico que se espalhou pelo sangue. Se tivessem feito cesariana, ela não tinha feito esforço e estava hoje aqui, ao meu lado, com o filho", disse ao "Correio da Manhã".

O mesmo jornal avança que a família está a acusar o hospital de negligência médica.

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