Depois de "Golpe de Sorte", Ângelo Rodrigues está de regresso às novelas, numa curta participação na novela "A Serra", que estreia esta segunda-feira, 22 de fevereiro. Em entrevista à MAGG, o ator de 33 anos confessa estar numa fase da vida profissional em que pretende dedicar-se menos à televisão. Ângelo, que já realizou dois documentários, quer profissionalizar-se nessa área. "Não há Espelhos na Amazónia", disponível na plataforma OPTO, é o seu último documentário da viagem de sete dias que fez pela maior floresta tropical do mundo.

Ângelo Rodrigues é Artur Neto na telenovela "A Serra". "O Artur mora na Serra da Estrela e ele e o pai têm um negocio de queijos. Naquela zona, existe uma família rica que lhes empresta dinheiro para expandirem o negócio. Mas esse negócio corre mal e a história desenrola-se a partir daí", adiantou o ator sobre a sua participação especial na trama.

Neste momento, o intérprete quer fazer uma pausa na ficção nacional para se dedicar aos seus projetos. "Quero continuar a desbravar o mundo e estudar sobre cinema documental. Agora, não tenho muita vontade de fazer novelas. Quero parar um pouco", confessa.

Ciente daquilo que quer para o seu percurso profissional, Ângelo Rodrigues garante que agora é tudo muito diferente em comparação com os seus primeiros anos de carreira: "Foi libertador começar a selecionar os projetos em que trabalhava, de modo a contrariar uma busca cega profissional de colecionar trabalho atrás de trabalho".

A fase que vive é de profundo desapego de bens materiais e de reflexão. "O facto de vender o meu carro e desfazer-me de bens materiais tem a ver com o conceito de desapego. Fui percebendo as implicações emocionais que isso tinha em mim e passei a escutar-me melhor enquanto viajava", disse.

O facto de, em 2019, ter sido internado em estado grave na sequência de uma infeção generalizada, também o fez ver a vida de outra forma e que, na sua opinião, tem sido reveladora. "Comecei a ler mais sobre a morte e isso tem-me ajudado a aceitar que um dia vou, efetivamente, morrer. Isso acompanha-me todos os dias porque estive bem perto de saber o que significava", explicou à MAGG.

Ângelo Rodrigues conta tudo sobre o acidente. Afinal, foi muito mais do que uma "obsessão física"
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"Encontrei uma selva profunda e muito densa"

"Não há Espelhos na Amazónia" é o segundo documentário de Ângelo Rodrigues, no qual fala sobre a expedição à Amazónia que durou cerca de uma semana e que aconteceu em 2016. O ator contou à MAGG que encontrou todo o tipo de obstáculos e realidades a que o mundo ocidental não está acostumado.

"Encontrei uma selva profunda e muito densa. Árvores incrivelmente altas e muitos mosquitos. A Amazónia nunca dorme e por vezes foi complicado", afirmou, acrescentando que na hora de adormecer ouvia-se "pura poesia" na selva. Mas também a narração do ator acabou por assumir um estilo poético no documentário: "É uma extensão da forma como vejo o mundo e como eu me expresso".

Na maior floresta tropical do mundo, o ator e os seus companheiros de viagem foram recebidos pela tribo Tatuyo e, apesar de numa primeira instância os índios se mostrarem desconfiados, acabaram por receber bem os visitantes. "São hospitaleiros, mas ao mesmo tempo percebem o nosso lugar lá. Enquanto homem branco ocidental, representamos riqueza e é inocente achar que eles nos iam olhar de igual para igual. Num primeiro contacto, eles pensaram naquilo que lhes podíamos levar", explicou o ator.

A tribo a que Ângelo teve acesso reside a alguns quilómetros de Manaus, a capital da Amazónia, e vê frequentemente turistas passearem-se por aquelas terras. Ainda assim, existem tribos naquela floresta que são inacessíveis e que vivem de forma diferente da tribo Tatuyo. "Eles acham que a natureza é tudo o que precisamos. São muito aptos, tanto a comer, como a caçar ou pescar. Não vi ninguém preso à vaidade. O nome do documentário remete para a ausência de espelhos onde se possa observar a vaidade", frisou o ator, referindo-se à vivência dos índios que serviu de inspiração para o título do seu projeto.

Paulo Vintém acompanhou Ângelo Rodrigues na expedição

Mas Ângelo Rodrigues não partiu à aventura sozinho. O seu companheiro de viagem também é bem conhecido do público e, aparentemente, foi o único que respondeu ao convite para fazer uma viagem inusitada. Paulo Vintém deu resposta positiva ao ator e ambos marcaram encontro no aeroporto do Rio de Janeiro.

Ângelo Rodrigues conta como tudo se desenrolou: "Num jantar de Natal, disse ao Paulo que ia fazer uma expedição. Convido sempre muitos amigos, mas ele foi o único que me disse prontamente que sim. Um dia antes de chegar ao aeroporto do Rio de Janeiro, liguei ao Paulo e perguntei se sempre se iria encontrar comigo no dia seguinte". E assim foi.

Ângelo Rodrigues fez uma tatuagem na perna
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Mas dois portugueses sozinhos no meio da maior floresta do mundo poderia ser uma aventura demasiado arriscada, por isso Rambo juntou-se ao grupo. "Rambo é o nome de herói de Raimundo Barbosa. Ele foi o nosso guia turístico, que nasceu na Amazónia e sabe fazer tudo, desde pescar uma piranha, capturar uma anaconda ou fazer um arpão para alguma ameaça", explicou o ator à MAGG.

"A Terra dos Mil Sorrisos" foi o primeiro documentário do ator

A paixão pelos documentários surgiu da urgência que Ângelo Rodrigues sente em mostrar a sua realidade e na tentativa de levar mais "empatia" a quem assiste. Apesar de "Não há Espelhos na Amazónia" ter sido gravado antes de "A Terra dos Mil Sorrisos", o documentarista divulgou em primeiro lugar a sua experiência de voluntariado em Moçambique.

O filme narra a viagem que o ator fez a Nampula, onde ficou durante um mês. Ao longo desse período, foi professor de teatro de três turmas com crianças desde os cinco aos 12 anos. Formou educadores de infância para que também eles fossem capazes de desenvolver exercícios com as crianças.

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