Carloto Cotta, ator de 41 anos acusado de violação, sequestro e agressão pelos ataques a uma mulher de cerca de 40 anos, decidiu prescindir da fase de instrução e o processo vai assim avançar para julgamento, avançou o jornal “Expresso” na tarde de quarta-feira, 3 de abril. Em causa está a acusação de um total de nove crimes por parte do Ministério Público, depois de o MP ouvir os relatos de uma mulher que, alegadamente, o ator terá mantido presa durante mais de 24 horas numa casa em Sintra.

A fase de instrução é facultativa, e tem de ser pedida ou pela vítima ou pelo arguido quando estes não concordam com a decisão do Ministério Público no final da fase de inquérito (esta é a fase que tem como objetivo investigar), segundo o site “Infovítimas”. Assim, esta acaba por ser uma fase de discussão dos fundamentos da decisão final do MP, onde a vítima ou o arguido podem apresentar provas que não tenham sido consideradas durante a fase de inquérito. 

Carloto Cotta pode ter feito mais vítimas. Mulher que acusa o ator de violação, sequestro e humilhação sexual está "péssima"
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Ou seja, Carloto Cotta decidiu não avançar com a fase de instrução por não ter mais nada a acrescentar ao caso, fazendo com que o processo siga assim para julgamento, conforme explicou uma fonte judicial ao “Expresso”.

O processo terá então início nos próximos dias, depois de ser distribuído a um coletivo de juízes que irá agendar o seu começo. Na altura em que foi interrogado, o ator negou todas as acusações, mas a procuradora valorizou o depoimento da alegada vítima, segundo o “Correio da Manhã”, com a acusação a basear-se assim neste testemunho. 

Ao que tudo indica, o Departamentos de Investigação e Ação Penal de Sintra considerou existirem indícios suficientes para acusar Carloto Cotta de violação, importunação e coação sexual, sequestro, ameaça agravada, injúrias e ofensas à integridade física da mulher a 28 de fevereiro. Segundo a acusação, o ator e a vítima conheceram-se em janeiro de 2023, e o caso deu-se meses depois, a 3 de maio. Nesse dia, a mulher foi convidada por Carloto Cotta a visitar a sua casa em Colares, e o ator encaminhou a vítima para o seu quarto. 

Lá, alegadamente, “mostrou um preservativo XL” e “exibiu os órgãos genitais”, e a mulher, desconfortável, disse que queria ir embora, mas percebeu que a porta de casa estava trancada. Usando a força, o ator deitou-a no sofá, pôs-se em cima dela para a prender, masturbou-se, obrigando-a a fazer-lhe sexo oral, tendo depois mantido a vítima “ao pé de si a ouvi-lo citar poesia até de manhã”. Além disso, segundo o Ministério Público, o ator terá dito à mulher que tinha uma dívida a traficantes de droga, e depois de a vítima se ter recusado a ajudar, ameaçou-a a si e aos seus filhos “de morte”.

De seguida, bateu-lhe com um livro na cabeça, e obrigou-a a lavar a loiça enquanto “lhe batia e cuspia”, voltando a ameaçá-la e dizendo que chamaria “dois amigos” para a violarem. “O suspeito disse que ia à cozinha buscar uma faca e que ‘a cortava em pedaços e a dava de comer aos cães, como já fizera com outras’”, disse ainda o “Expresso”. Foi nessa altura que a vítima conseguiu escapar e saltar pela janela do primeiro andar da casa, pedindo ajuda a dois homens que estavam a passar pelo terreno.

No entanto, esta parece não ter sido a única vítima de Carloto Cotta. Uma fonte próxima da mulher que apresentou queixa pelos crimes de Colares refere que o ator, conhecido pelos papéis no filme “As Mil e Uma Noites”, nas novelas “A Impostora” e “Prisioneira” e nas séries da Netflix “Glória” e “Elite”, pode ter atacado outras mulheres. "Existem outras alegadas vítimas que já chegaram à fala com ela [mulher que apresentou queixa], mas não vão ser testemunhas no processo pois têm medo da retaliação, até porque não apresentaram queixa na altura", citou o "Correio da Manhã".