Diogo Infante foi o convidado deste sábado, 6 de fevereiro, do programa "Conta-me", da TVI, em que se sentou frente a Manuel Luís Goucha, numa sala escondida do Teatro da Trindade — o mesmo onde há 30 anos o ator se estreou como encenador.

A conversa seguiu por vários rumos: da diferença entre interpretar e encenar, passou levemente pela crise que o setor cultural enfrenta. Neste aspeto, o ator recorda uma frase que Eunice Muñoz, amiga de longa data por quem tem uma estima muito grande, lhe disse pela altura em que se conheceram: "Filho, a crise do teatro já se fala desde a minha infância".

Educado pela mãe e pela avó, foram estas duas mulheres os pilares da sua vida. E o motivo por que sempre teve um respeito especial pela mulher e pelos mais velhos, por quem nutre uma "enorme ternura." "Adoro trabalhar com pessoas mais velhas porque sei o quanto podemos aprender com eles. E adoro ouvi-los", disse. "Este país não trata muito bem os seus velhos. "

O pai conheceu já como adulto. Não têm uma relação formal de pai e filho. Mas têm outra: "Mas temos outra relação e estamos juntos todos os meses, conversamos, trocamos mensagens e emails", conta. "Somos amigos."

Na faixa etária dos 30, Diogo Infante decidiu que queria ser pai. E foi precisamente a paternidade um dos assuntos mais explorados na entrevista. "Relativamente à minha própria paternidade, foi um desejo. Eu estava nos meus 30 e muitos e comecei a pensar no assunto e pensei que esta seria a altura."

Começou a pensar nas possibilidades. "Como é que poderia ser pai? Para além da forma convencional, havia outras hipóteses que se colocavam e nenhuma me agradava", conta. "Não quero fazer juízos de valor, mas  não me senti bem em ir à procura numa clinica, em ir à procura de uma barriga de aluguer ou a fazer um acordo com uma amiga. Não quis ir por ai."

Mas havia outra hipótese: "Depois pensei: 'acho que a melhor forma é adotar uma criança, porque além de ter a possibilidade de exercer como pai, eu estou a ajudar uma criança que precisa de um futuro, que precisa de uma família'", lembra. "Foi a melhor decisão que tomei na minha vida."

Diogo Infante conheceu o filho Filipe, quando este tinha sete anos. O processo de adoção durou menos do que aquilo que esperava: "Comecei por ir à Segurança Social, inscrevi-me. Depois passei por um processo de seleção em que tive formação ao longo de seis meses, em que falei com psicológicos, assistentes sociais, em que vemos filmes, fazemos exercícios. És exposto a vários cenários."

Depois deste processo, preencheu um "formulário gigante sobre os porquês". E passado seis meses, chega o parecer: "O parecer foi positivo. Eu estava habilitado a ser pai, em nome individual." Passou assim a integrar uma bolsa de adotantes, que tem de "ser cruzada com uma bolsa de crianças adotáveis."

"E foi assim que me emparelharam — é esse o termo — com o Filipe", conta. "Achava que era um processo que ia demorar muito tempo, mas, foram nove meses no total", acrescenta, lembrando que é esse o tempo de gestação de uma mulher. "Foram seis meses para o processo de adoção e três meses para me telefonarem."

No dia em que recebeu o telefonema, começou a chorar. "A sensação foi como se me tivessem dito: 'o seu filho nasceu'". É que também no seu caso, neste processo não preencheu os critérios para o tipo de filho que queria ter. A única condição foi de que não fosse um recém-nascido: "Eu não queria um bebé. Há casais que passam anos à espera de um bebé. Mas há muitas crianças a partir dos 4 ou 5 anos que ninguém quer. "Queria a partir dos três", conta.

De seguida, ligou ao seu companheiro, Rui Calapez. "Passados dois ou três dias fui à instituição". Conheceu Filipe, no momento em que este jogava num computador. Começaram logo a brincar. "Apaixonaste-te?", perguntou Goucha. "Tu já vais de coração aberto e tens ali um ser, com os olhos enormes a olhar para ti. Eu só me lembro de pensar: 'o que é que este miúdo estará a pensar?'", lembra. "Aos sete anos, já és gente. Tens uma história."

No dia do seu oitavo aniversário, Filipe foi viver com Diogo e Rui. "As psicólogas e assistentes sociais já nos tinham alertado. 'Isto é como nas relações amorosas: a primeira fase é de enamoramento, e depois há a realidade'." Assim, os primeiros meses são de adaptação, com visitas constantes de psicólogos e assistentes sociais que acompanham o processo.

Não é um "mar de rosas", mas é "maravilhoso". No dia em que foram a tribunal finalizar a adoção, Diogo pediu ao filho que o tratasse por pai. "Nesta fase ainda não chamava pai. Quando chegámos a casa, ele já tinha o meu nome. E eu disse-lhe: 'Se calhar agora já me podes tratar por pai. E ele disse: 'Pai?" E eu disse: 'Sim, no mundo inteiro toda a gente me pode tratar por Diogo. Mas no mundo inteiro só há uma que me pode tratar por pai."

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