Já se escreveu e disse quase tudo sobre a entrevista dos duques de Sussex a Oprah Winfrey. Portugal teve, este domingo à noite, 14 de março, a oportunidade de ver a entrevista na íntegra na SIC. Meghan Markle é, claramente, a protagonista e quem toma as rédeas da narrativa, mas são as afirmações do príncipe Harry que, uma semana depois de as quase duas horas de entrevista serem analisadas e escrutinadas, são as mais reveladoras.

Quase no final da conversa com Oprah Winfrey, o príncipe relata o estado de saúde mental em que a mulher se encontrava logo após o nascimento do primeiro filho e de como isso precipitou a decisão do afastamento da família real. "Ela deu à luz o Archie durante um período muito cruel e muito maldoso. Todos os dias eu voltava do trabalho, de Londres, para junto dela, a chorar, enquanto amamentava o Archie", relata.

"Simplesmente não queria viver mais". As revelações explosivas de Harry e Meghan a Oprah
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Há, no entanto, um consenso entre os detratores e apoiantes de Meghan. A atriz sabia no que se estava a meter. E é por isso que é difícil, quase impossível, de acreditar que, mesmo vivendo nos Estados Unidos, a atriz não conhecesse a história da princesa Diana, nem tão-pouco soubesse que, em 1995, a malograda Lady Di tinha dado uma entrevista onde expunha a forma como tinha sido tratada pela instituição durante o seu casamento com o príncipe Carlos.

É também difícil acreditar que Meghan Markle, que se movia entre celebridades de Hollywood, não só não soubesse quem Harry era, como não tivesse procurado mais informação sobre o príncipe na internet. Algo que qualquer mulher, mesmo anónima, faria com qualquer date do Tinder.

A entrevista contém ainda uma enorme divergência no que toca à alegada conversa que terá acontecido entre um membro da família real britânica e Harry sobre a questão da cor da pele do filho. Quando, num primeiro momento, relata a conversa a Oprah Winfrey, Meghan diz que o tema surgiu quando já se encontrava grávida. Depois, questionado pela apresentadora, o príncipe afirma que esse momento aconteceu quando começou a namorar com a atriz.

"Foi logo no início, quando ela não ia ter segurança. Quando membros da minha família sugeriram que ela continuasse a ser atriz porque não havia dinheiro para lhe pagar e todas essas coisas. Havia uns sinais evidentes antes de casarmos que esta situação ia ser diferente", relata Harry.

Casamento antecipado já foi desmentido

Num momento de descontração, enquanto dão comida a galinhas, já em casa dos duques de Sussex, Meghan revela a Oprah que se terão casado três dias antes da cerimónia oficial. O arcebispo da Cantuária Justin Welby ainda não se pronunciou sobre o assunto, mas o "The Sun" cita o reverendo Mark Edwards, que afirma que o casamento não aconteceu, garantia essa dada por Justin Welby num telefonema.

As comparações com a princesa Diana, com a forma como foi tratada não só pelos tabloides britânicos, como também pela casa real, surgem ao longo de todo o discurso do príncipe, que vai ao ponto de dizer que a mãe "previu" o que iria acontecer, ao deixar-lhe um, digamos assim, simpático pé de meia ao filho. Isto porque, no início de 2020, a casa real cortou o financiamento do casal, bem como a segurança.  "O meu maior receio foi que a História se repetisse", justifica Harry, explicando por que tomou a decisão de se afastar da família real britânica, primeiro formalmente, depois geograficamente.

O lado B desta histórica entrevista é o de um homem profundamente magoado, abandonado pela família, de relações cortadas com o pai e o irmão, por quem diz sentir "compaixão" (palavra que é repetida várias vezes pelos dois ao longo da entrevista). "O meu pai e o meu irmão estão presos. Eles não podem sair e eu tenho compaixão por isso".

Curiosamente, a figura da rainha Isabel II sai pouco beliscada desta entrevista. As culpas e responsabilidades são atribuídas a figuras que não são nomeadas, e tanto Harry como Meghan falam da monarca com reverência e carinho. "Falei mais com a minha avó no último ano do que em muitos, muitos anos", conta Harry.

A relação tensa, mas de interdependência, entre a família real britânica e os tabloides é também um tema caro a Harry, não tivesse a mãe morrido num acidente de viação em Paris, enquanto era perseguida por papparazzi. Meghan vai mais longe, explicando a Oprah Winfrey que existem jantares no palácio com jornalistas e também trocas de favores. "Há um contrato invisível entre a família real e os tabloides", afirma.

O príncipe acaba por confessar que teve "vergonha" de pedir ajuda quando a saúde mental da mulher se deteriorou, exatamente por saber desse suposto contrato e das consequências públicas que teria caso isso se tornasse público.

Estas duas horas, num tom altamente confessional e onde foram tocados temas nunca antes abordados por um membro da família real britânica, foram claramente construídas para uma visão do mundo norte-americana. Porque é naquele país que o casal assentou arraiais e onde pretende construir um trabalho ligado à filantropia.

E é por isso que uma visão europeia, mais cínica, não se pode deixar de torcer o nariz com desdém quando Meghan relata, como se estivesse num daqueles filmes de sábado à tarde da Fox Life, que se apercebeu que a história do filme da Disney "A Pequena Sereia", era a sua. "Ela apaixona-se pelo príncipe e, por causa disso, tem de perder a sua voz. Mas, no fim, recupera a sua voz".  

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