Um casamento que se consumou em segredo, acusações de racismo e tendências suicidas que foram negligenciadas pela família real britânica. Foram estas algumas das revelações de Harry e Meghan na primeira entrevista, exibida este domingo, 7 de março, após formalizada a decisão de se afastarem da coroa e de se mudarem para os EUA. O casal foi entrevistado por Oprah Winfrey, que há vários anos mantém uma ligação de amizade e proximidade com a atriz e duquesa, num programa que foi alargado de 90 minutos para duas horas.

Ainda que a conversa tenha sido pautada pela tensão e pelas críticas acutilantes que tanto Harry como Meghan teceram sobre o comportamento da família real britânica ao longo dos últimos anos, o casal elogiou a rainha Isabel II que ambos dizem ter sido "fantástica" ao longo de todo o processo.

No entanto, e porque o fantasma de Diana esteve sempre presente ao longo de toda a entrevista, Harry explica que nunca conseguiu esquecer a memória traumática da morte da mãe e de, com isso, traçar um paralelismo com o sofrimento por que a sua mulher estava a passar enquanto membro da coroa.

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"Tinha muito receio de que a História se repetisse. Estou muito aliviado e feliz de poder estar aqui sentado a falar consigo [referindo-se a Oprah Winfrey], com a minha mulher ao meu lado. Não consigo imaginar o que terá sido para a minha mãe ter de passar por todo aquele processo sozinha. Se [Diana] fosse viva, ter-se-ia sentido muito irritada e desapontada com o que aconteceu, mas sei que gostaria que fossemos felizes", diz Harry.

Recuperamos as principais revelações de Harry e Meghan a Oprah Winfrey.

1. As acusações de racismo durante a primeira gravidez de Meghan

Uma das revelações mais chocantes da entrevista foi o momento em que a duquesa de Sussex recordou a gravidez. Foi nessa altura, conta, que começaram a ser levantadas dúvidas acerca do tom de pele de Archie, agora com um ano de idade.

"Naqueles meses em que estava grávida, começou a haver, em paralelo, a conversa: 'Não lhe será dada segurança, nem um título'. Mas também surgiram preocupações sobre como a sua pele [referindo-se a Archie] poderia ser mais escura quando nascesse", deixando no ar a possibilidade de que Archie dificilmente se tornaria príncipe e, por isso, teria menos proteção. "A ideia de o nosso filho não estar seguro e o facto de não ser titulado da mesma forma que o outros netos..."

Apesar da revelação, os duques recusaram-se a revelar a identidade das pessoas que expressaram estas "preocupações". Mas Harry lembra-se de que o assunto era, muitas das vezes, iniciado com uma questão semelhante: "Afinal, como é que as crianças se vão parecer?".

2. O silenciamento de que Meghan diz ter sido vítima desde o início do namoro com Harry

Inicialmente, Meghan Markle sentiu que estava a ser protegida pela família real. É que após anunciado o namoro com Harry, a futura duquesa e todas as pessoas da sua vida foram instruídas a não comentar publicamente a relação. "Foi dada a todas as pessoas da minha vida uma ordem clara: dizer sempre 'sem comentários'".

"Só depois de estarmos casados, e de tudo piorar a partir daí, é que percebi que não só não estava a ser protegida, e que eles [a família real] não estavam dispostos a dizer a verdade para nos proteger", revela Meghan.

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É por isso que diz ter sido "silenciada" ao longo de todos estes anos. No entanto, garante que é importante estabelecer uma diferença clara entre a família real e as pessoas que gerem "a Firma". "Há a família e depois há as pessoas que gerem esta empresa, e são duas coisas completamente diferentes. Mas é importante que se faça essa distinção porque a rainha, por exemplo, sempre foi fantástica comigo."

3. "Simplesmente não queria viver mais". As tendências suicidas de Meghan Markle

A pressão interna que sentia e que unia forças com a mediática, à medida que os tablóides britânicos investiam numa cruzada anti-Meghan Markle, a saúde mental da duquesa começou a definhar. "Senti-me vítima de um enorme assassinato de caráter", diz.

"Simplesmente não queria viver mais. E isso foi, para mim, muito claro e real. Foi um pensamento constante e assustador e só me consigo lembrar do quanto o Harry me apoiou e me deu a mão." Na mesma entrevista, a duquesa diz ter pedido ajuda ao Palácio de Buckingham que a ignorou por não ser "uma funcionária remunerada da instituição".

Precisa de ajuda? Estas são as linhas de Apoio e de Prevenção do Suicídio em Portugal

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Tive muita vergonha de pedir ajuda naquela altura e de ter de admitir ao Harry o que estava a sentir. Mas sabia que, caso não dissesse nada, tê-lo-ia feito. Simplesmente não queria viver mais", repete.

Nessa altura, Meghan era constantemente impedida de sair de casa porque pessoas ligadas à "Firma", nome que usa recorrentemente para se referir à instituição da família real, preocupavam-se acerca "do que isso poderia parecer" ao olho público.

4. O conflito entre Meghan Markle e Kate

A história não é nova e foi, uma vez mais, avançada por um tabloide britânico que dizia que de um conflito entre Meghan Markle e a duquesa de Cambridge, Kate tinha chorado. Na entrevista a Oprah Winfrey, Meghan negou categoricamente a notícia e revela que, na verdade, aconteceu o inverso. "Foi ela que me fez chorar e feriu-me muito os sentimentos", revela.

O conflito foi, de facto, devido aos vestidos das crianças que levariam as flores durante a cerimónia, mas terá sido Kate a responsável da discussão. Apesar disso, Meghan garante que "não foi um confronto" e que Kate é "uma pessoa bondosa".

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"Não acho que seja justo voltar a recuperar os detalhes na discussão porque ela pediu logo desculpa e eu perdoei-a. Difícil de ultrapassar foi as histórias que me davam como responsável de algo que, não só não tinha feito, como me tinha acontecido a mim", recorda.

5. O casamento secreto entre Meghan Markle e Harry

Outra das revelações explosivas é o facto de, antes do casamento que celebrou a união entre os duques, já Harry e Meghan tinham casado em segredo.

A cerimónia privada, que só contou com a presença dos dois e do arcebispo da Cantuária, aconteceu três dias antes da cerimónia real e serviu para que os dois celebrassem, longe do escrutínio público, a sua união.

6. Harry diz já não receber dinheiro da família real britânica

Após anunciado o afastamento da família real, Harry terá deixado de receber dinheiro do palácio de forma imediata. Foi essa decisão que o levou a considerar os contratos com o Spotify e com a Netflix, mas adianta que o que o permitiu fazer a mudança para os EUA foi o dinheiro que lhe fora deixado pela mãe, a princesa Diana, após a sua morte.

créditos: CBS

"Sem isso, não teríamos sido capazes de fazer isto [referindo-se à mudança para Califórnia]. A única coisa que queria era garantir que tinha dinheiro suficiente para dar segurança à minha família." 

Questionado por Oprah sobre se teria decidido afastar-se da família se não tivesse conhecido Meghan, Harry diz que não. "Sentia-me preso naquele sistema, como grande parte da minha família está. O meu pai, o meu irmão... todos eles estão presos", diz.

7. Archie terá uma irmã

No único momento menos tenso da entrevista, Harry e Meghan revelaram que o próximo filho será uma menina. "Ter um menino e, depois, uma menina... O que é que uma pessoa pode pedir mais? Temos tudo aquilo que queríamos: uma família."

Este será, segundo o casal, o último filho.

8. As divergências de Harry com o pai, príncipe Carlos

Durante as conversas em que Harry tentou avisar das suas intenções de se afastar da família real, o duque de Sussex revela que, a certa altura, o príncipe Carlos, o pai, deixou de lhe atender as chamadas. Quando Oprah lhe pergunta porquê, Harry é assertivo: "Porque pus mãos à obra e mexi-me. Era aquilo que precisava de fazer para a minha família e não foi surpresa para ninguém", diz.

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E continua: "Tive três conversas com a minha avó [a rainha Isabel II] e duas conversas com o meu pai antes de ele deixar de me atender as chamadas. Quando, finalmente, deu notícias, disse-me: 'Podes simplesmente indicar isso tudo por escrito?".

"É muito triste que tudo isto tenha chegado a este ponto, mas sentia que tinha de fazer alguma coisa pela minha saúde mental e pela da minha mulher. Porque sabia exatamente o rumo que isto estava a tomar. Quando digo isto, refiro-me, claro, ao que aconteceu à minha mãe. Quando vemos tudo a acontecer da mesma forma sem que nos seja dada ajuda..."

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