A Baobá chegou a Portugal. A marca brasileira, nascida em 2005, abriu a sua primeira loja no País —que é também a estreia em espaços fora do Brasil —, diretamente de São Paulo para a Rua de São Paulo, em Lisboa. Mas a Baobá é muito mais do que um sítio para beber uma simples bica: aqui, o café é de especialidade, e há tempo para o degustar.

Por mais que estejamos habituados às provas de vinho, as de café também existem, e foi justamente esse o propósito da visita da MAGG. Na prova, experimentámos variedades de caramelo e chá preto, bem como pêssego e mel. Uma delas, por exemplo, tinha notas de chocolate preto, caramelo e uma acidez cítrica, que sentíamos no fundo da boca. Durante toda a prova, houve um barulho de fundo constante: café a ser moído. O aroma a café, esse, começa antes de entrarmos pela porta do Baobá.

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Aqui, apenas se usa grão de café Arabica, cultivado em maiores altitudes, com elevada qualidade e sete vezes menos cafeína do que o grão habitual. Se o grão for plantado, por exemplo, junto a uma raiz de bananeira, é muito provável que, quando consumido, tenha aroma a banana — mesmo sem qualquer adição, tal como nos explicaram.

Sabia que é possível identificar mais de 100 sabores no café?

De acordo com a Coffee Taster's Flavor Wheel (uma ferramenta muito útil para quem trabalha com café), é possível identificar mais de 100 sabores no café. Tudo condiciona a forma como o degustamos, até as características das chávenas — e conseguimos colocar a ideia em prática. Servindo o mesmo café em duas chávenas diferentes, uma mais larga e alta, e uma outra mais estreita e pequena, conseguimos detetar diferenças na cor e no sabor.

E por mais que pareça estranho, dado que se trata exatamente do mesmo café, isto tem que ver com o facto de uma chávena ter mais oxigénio que outra, o que vai fazer com que uma tenha mais acidez, ou sabores mais frutados, seja mais cremoso ou mais amargo, mais ou menos denso ou volumoso. Algo parecido com o que se sucede com o vinho.

Café Baobá
créditos: Café Baobá/Divulgação

Nesta cafeteria estão disponíveis os cafés da temporada, uma vez que trabalham com lotes sazonais. Pode adquirir só uma variedade (Acaiá, Acauã Novo, Arara, Catuaí Amarelo e Vermelho, Catucaí Amarelo, Catiguá, Icatu, Mundo Novo, Obatã Amarelo, Tupi) ou blend (várias juntas). De acordo com o Líder de Operações Internacionais em Portugal e no Brasil, João Damião, todo o café que servem em loja está disponível para venda, caso queira tomá-lo em casa.

Os clientes podem provar todos os cafés disponíveis em métodos de extração (V60, Clever e Chemex) ou em Expresso. Há ainda o Microlote Expresso Experience, onde o cliente toma um pequeno lote selecionado, complementado por um bombom que se adeque ao sensorial do café, por 3€.

O Baobá oferece toda a vertente de preparações de máquina, como expresso ou americano a 1€, macchiato a 1,50€ ou capuccinos e lattes a 3€. No que toca a bebidas, pode ainda experimentar um expresso martini ou um liquid tiramisu, cada um por 7€.

Já considerou beber uma "imperial de café"? É possível no Café Baobá. Basta pedir um Nitro Cold Brew, um café extraído com nitrogénio, que tem o custo de 4,50€. Se preferir, pode optar por um sumo natural (a 3€) ou uma das quatro variedades de chá presentes na carta da casa (a 3€).

Para acompanhar estas bebidas, pode pedir uma tosta (com ou sem glúten, de queijo de cabra, presunto ou abacate, a partir dos 3,90€) ou uma fatia de bolo (de pistachio, noz, chocolate sem lactose e sem glúten, à volta dos 4€) ou um croissant (até 3,20€). Têm ainda produtos focados na terra Natal, como o brigadeiro (1,80€) e o pão de queijo (que é feito com queijo brasileiro e com queijo português e custa 2€).

"Desde a Fazenda até chegar à chávena, o processo é exigente e demorado"

O grão de café original é verde. Depois, passa por um processo de secagem no qual perde toda a água e, decorrido um processo químico dentro do grão, o mesmo muda de cor, carameliza, expande e torra. Nesta torra há que ter cuidado com a temperatura final da cozedura, para garantir que não queima e deve demorar no máximo 12 minutos, nos quais é sempre acompanhada, para garantir que o grão não fica arruinado. Este processo ocorre, por norma, duas vezes por semana no Café Baobá, consoante a necessidade que sentem. Depois de torrado, o café deve ser consumido, no máximo, num período de dois meses.

Finda cada torra, fazem sempre o cupping, o dito "controlo de qualidade", para garantir que o sabor está de acordo com o da Fazenda e para o avaliar. A MAGG experimentou todas as fases do processo, desde sentir os aromas do café (em constante mudança), mexê-lo de forma meticulosa e controlada (com a colher sempre aquecida para não existirem quebras na temperatura), e sorvê-lo da colher, quase como se o estivéssemos a inspirar. Uma vez provado, cuspimo-lo para um copo.

No início de 2022, o Café Baobá terá mesas de cupping para que qualquer pessoa possa ter esta experiência, que classificam como "uma aprendizagem dinâmica", ideal para os amantes de café. Carina Esteves, roaster e head barista do Baobá, explicou à MAGG que, no mundo do café de especialidade, é preciso "muito treino, muita prova". Com todas as provas de café que faz graças à sua função, brinca, dizendo que está sempre desperta e que já não consegue encontrar prazer numa bica de qualquer café.

Para continuar a consumi-lo com gosto, acaba por o produzir em casa. O Café Baobá vende o seu produto aos clientes para que estes façam a extração em casa, concedendo-lhes a receita. No entanto, alertam para o facto de ser impossível o café sair igual quando feito pelo consumidor em casa, pois há todo um conjunto de variantes em jogo. A título de exemplo, todas as máquinas da Baobá têm filtros de água, algo que o consumidor comum, à partida, não tem.

A Baobá tem várias fazendas no Brasil, como uma só para a produção de leite, outra para gado. Ainda assim, pretendem adquirir mais por todo o país e, desse modo, "ter um pouco do mundo todo no Brasil", conseguindo produzir todos os tipos de café e garantindo várias experiências sensoriais. Embora queiram incluir cápsulas na oferta (dado o grande consumo), estão com dificuldade em desenvolvê-las, pois ainda não conseguiram garantir que não corroem o café (algo que acontece, por exemplo, ao adicionar açúcar). Mas está para breve.

O Café Baobá foi inaugurado em Lisboa a 15 de setembro, esta que é a primeira loja da marca fora do Brasil. O Café Baobá é um espaço de degustação de café, aberto todos os dias, das 8h às 18h. "Com a internacionalização, Portugal teria de ser o segundo país onde iríamos abrir cafeterias", assegurou João Damião.

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