Quem já viajou até Macau certamente reconhecerá o nome Po Tat, uma popular tarte de ovos chinesa inspirada no icónico pastel de nata português. Foi esse o símbolo de ligação cultural que inspirou o nome do restaurante em Lisboa, inaugurado em agosto de 2024, e que nasceu para celebrar a combinação vibrante de sabores da culinária pan-asiática com o espirito dos portugueses do século XV.

Localizado em Belém, no interior do Palácio do Governador, o espaço assume-se como uma cozinha sem fronteiras que transporta os clientes numa viagem feita de contrastes e descobertas. Com uma esplanada perfeita para as noites quentes e salas interiores que preservam a identidade do edifício, o Po Tat convida a saborear a história através de cada prato.

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À frente da cozinha está o chef André Santos, acompanhado pelo sub-chef Manuel Maria, que sublinha a importância de respeitar a geografia e a identidade do local. "Houve aqui uma necessidade de respeitar a geografia do edifício e do hotel em si e dar algum valor também às descobertas feitas pelos portugueses no mundo e também, apanhando o pan-asiático, criar uma viagem que fosse toda ela muito mais do que uma memória e tentar reinterpretá-la de uma forma gastronómica”, explicou.

Para o sub-chef, Manuel Maria, o conceito do Po Tat pode resumir-se a um triângulo com três vértices: o produto português, o pan-asiático e os Descobrimentos. “Nenhum deles tem mais valor que outro, apesar de eu gostar de dar o produto português como primeiro, porque faz sentido, obviamente”, acrescenta.

Nas novidades do menu alguns pratos sobressaíram. Entre as entradas, destacam-se o tiradito de lírio, cenoura e miso branco com shiso verde (14,50€) e as gyosas de camarão, kimchi e molho ponzu (13,50€). Já nos pratos principais o tamboril grelhado malai tikka, acompanhado de couve chinesa e arroz pilaf (29€), e o caril verde de camarão com noodles de trigo sarraceno e furikake (23,50€) são algumas das novidades que combinam técnica e ingredientes de estação.

Para os apreciadores de cozinha coreana, o bibimbap de barriga de porco, feijão de soja e gochujang (20€) é a opção ideal. Apesar das inovações, o restaurante mantém também os clássicos que já conquistaram o público, como os cogumelos ostra grelhados com molho de inhame e amendoim (12€), considerados um dos best sellers, e o parfait de manga e curcuma com gelado de arroz negro e merengue de yuzu (8,50€).

Para iniciarmos a nossa viagem, começámos pelo couvert, um pão de massa mãe de cereais com manteiga de sal, mel e especiarias asiáticas (5€), o equilíbrio perfeito entre tradição portuguesa e aromas orientais.

Nos snacks, a gamba da costa curada com gaspacho de coco e lima (8€), fresca e leve, perfeita para o calor, e os rissóis de lula e berbigão à bulhão pato (6€), um clássico português elevado com um toque de lima que intensifica a frescura na boca, e sem dúvida um dos nossos pratos de eleição.

Nas entradas, a viagem começa a ficar mais interessante e começamos a sair de Portugal com o tiradito de lírio, cenoura, miso branco e shiso verde (14,50€), que surpreendeu pela forma como reuniu os três pilares do conceito do restaurante: produto português, pan-asiático e Descobrimentos, numa experiência que nos transportou automaticamente até à Ásia. Já os cogumelos ostra grelhados com molho de inhame e amendoim (12€) foram uma verdadeira explosão de sabores, rapidamente tornando-se o prato de eleição da refeição.

Quanto aos pratos principais, o tamboril grelhado malai tikka com couve chinesa e arroz pilaf (29€) combinou suculência, ligeiro picante e a crocância da couve, com o molho à base de queijo creme, especiarias e iogurte a criar a ligação perfeita entre textura e sabor.

Já a terminarmos esta viagem, as sobremesas não falharam. O parfait de manga e curcuma com gelado de arroz negro e merengue (8,50€) destacou-se como a nossa preferida, equilibrando doçura, acidez e crocância de forma totalmente inesperada. A mousse de trigo sarraceno e amaranto com iogurte e caramelo de café (8€) sem dúvida que surpreendeu pelo paladar, aproveitando ingredientes de forma sustentável, e pela complexidade de texturas e sabores.

Para fechar, nada como o clássico “Po Tat”, o pastel de nata reinventado que dá nome ao restaurante, e que vem de oferta no final da refeição.

O Po Tat reafirma a sua identidade como um espaço de descoberta culinária, onde cada prato é uma história e cada refeição uma viagem entre Portugal e o Oriente. Nesta carta de verão, os ingredientes da estação e a criatividade transformam o jantar numa experiência inacreditável, que faz querer voltar no dia seguinte.

Morada: R. Bartolomeu Dias 117, 1400-030 Lisboa
Telefone: 963 637 239
Horário:
Todos os dias das 19h30 às 22h30