A Doca da Marinha, na zona do Terreiro do Paço, já existia, mas estava ali num espaço vazio, vedado ao público, numa das zonas mais nobres (e belas) de Lisboa. A inauguração oficial do espaço, após uma reabilitação profunda, aconteceu em 2021, seguindo-se depois o concurso para a concessão terrestre da Doca da Marinha. E é pelas mãos do grupo Leanman, liderado por Bernardo D'Orey Delgado, que esta verdadeira varanda para o rio (onde, para apreciar a vista, nem sequer é preciso pagar renda) vai, aos poucos, nascendo um espaço de lazer, divertimento e restauração.

A renovada Doca da Marinha foi projetada pelo arquiteto Carrilho da Graça e é a casa da última obra de Julião Sarmento, que morreu em maio de 2021. Já há três quiosques abertos, mas o ponto alto será a inauguração do restaurante de Miguel Rocha Vieira, prevista para o próximo mês de fevereiro.

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O espaço que alberga o restaurante de Miguel Rocha Vieira créditos: Rui Valido

Depois de vários anos a viver na Hungria, onde conquistou duas estrelas Michelin nos restaurantes Costes, em Budapeste (a juntar à que já tinha ganhado aquando a sua passagem pela Fortaleza do Guincho, em Cascais), Miguel Rocha Vieira regressou a Portugal em janeiro de 2022, para abraçar o novo projeto na Doca da Marinha. Foi convidado por Bernardo D'Orey Delgado "numa conversa simples". "Ele disse logo 'claro que sim'. Isto não é um projeto para estrelas Michelin. É um projeto democrático, para ser vivido por vários targets", salienta o CEO do grupo Leanman.

"É impossível dizer não a um projeto assim. Tinha de ser uma coisa que realmente me fizesse mover, porque eu não estava mal onde estava. Bastou ter aterrado em Lisboa e vir aqui, ainda isto estava em obras, para perceber o potencial disto. Sentia falta de algo que me tirasse o sono, que me voltasse a dar borboletas no estômago", diz Miguel Rocha Vieira à MAGG.

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O chef de 44 anos, natural de Cascais, admite que esta "não é a altura ideal" para encetar um novo projeto. "Está um bocado complicado na hotelaria e na restauração, não só o problema com o staff mas também a subida de preços todas as semanas, as incertezas com a guerra, COVID outra vez... mas se estivermos à espera do momento ideal nunca vamos fazer nada. E a sorte protege os audazes", salienta Miguel Rocha Vieira.

miguel rocha vieira
créditos: Rui Valido

Sobre o seu novo restaurante, descreve-o como "um sítio divertido". "Nós estamos no negócio da diversão. Queremos que as pessoas passem um momento bom connosco. Esse é o ponto de partida. Obviamente, depois, o bom serviço e a boa comida são aliados a isso."

Os preços do restaurante liderado por Miguel Rocha Vieira rondarão os "60€ mais bebidas". O espaço, cujo nome permanece no segredo dos deuses, terá um acesso direto para quem chega de barco e estará aberto todos os dias, desde a hora do almoço até ao final do dia e, às quintas-feiras, sextas-feiras e sábados, a hora de fecho estende-se até às 3 da manhã. "Hoje em dia, as pessoas querem, cada vez mais, uma solução chave na mão. Chegam, jantam, divertem-se, fazem tudo no mesmo sítio", diz o CEO do grupo Lean Man. Nos quiosques, os valores de uma refeição estarão entre "os 15€ e os 25€".

O grupo Leanman (que detém espaços como os quiosques Banana Café e o Ministerium Club), irá explorar a Doca da Marinha nos próximos 15 anos. E pretende fazê-lo "de forma disruptiva e surpreendente", como salienta Bernardo D'Orey Delgado. "Nós somos aquele tipo de empreendedor que salta do precipício e constrói o avião na descida. Felizmente, nestes 12 anos, isso tem dado resultados, e a equipa tem mostrado muita solidez. Chegámos aqui e dissemos 'vamos ter de fazer acontecer este projeto'. E foi uma loucura, foi um desafio muito grande para nós, e sem esta equipa extraordinária não teria sido possível", diz o líder do grupo Lean Man.

Bernardo d'Orey Delgado, CEO do grupo Lean Man
Bernardo d'Orey Delgado, CEO do grupo Lean Man créditos: Rui Valido

Os eventos terão também especial importância na nova Doca da Marinha. "A nossa grande aposta numa programação regular que, entre março e outubro, trará à Doca da Marinha, mercados gastronómicos de plantas e flores, concertos de jazz, dj sets com novos talentos, exposições de arte urbana, bem como grandes eventos, como o Santos no Tejo, o festival gastronómico Heróis do Mar, e o Winter Fanatics", explicou Bernardo D'Orey Delgado na apresentação do plano de dinamização do espaço, esta terça-feira, 10 de janeiro.

Vista dos quiosques da Doca da Marinha
Vista dos quiosques da Doca da Marinha créditos: Rui Valido

O que há (e o que vai haver) na Doca da Marinha?

  • 3 quiosques, já abertos (Azul, uma marisqueira, Amarelo, com petiscos portugueses, Vermelho, de comida vegetariana e brunches);
  • restaurante / bar de Miguel Rocha Vieira (abertura prevista em fevereiro);
  • eventos
  • área marítimo-turística (o cais será usado para atividades de operadoras turísticas do rio Tejo).

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