Quando chegámos ao Praia D'El Rey Marriott Golf & Beach, em Óbidos, naquela que terá sido a sexta-feira mais quente de 2021, o dia estava assim.

Praia D'El Rey Marriott Golf & Beach
créditos: MAGG

Pouco mais de 12 horas depois, como se por magia se tratasse, amanheceu assim e assim se manteve já a tarde ia longa.

Praia D'El Rey Marriott Golf & Beach
créditos: MAGG

Os caprichos meteorológicos da região Oeste (termo simplificado para designar a Comunidade Intermunicipal do Oeste, constituída por 12 municípios, que vão desde Torres Vedras até Alcobaça) não são para todos. Mas, como em tudo na vida, há que viver para aprender a gostar. E nós cá gostamos do Oeste, de ter o mar pela frente e o campo nas costas, o verde e o azul, as águas frias do mar e o aconchego da floresta. E, em cada recanto, uma horta, um pomar, algo novo para provar.

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E, falando em provas, esse foi o motivo que nos levou ao Praia D'El Rey Marriott Golf & Beach: conhecer a carta de verão do restaurante Emprata. Teste à COVID-19 feito, depois de confortavelmente instalados num dos quartos do resort (com vista para a fabulosa piscina e, claro, para o mar), rumámos ao restaurante cuja nova carta foi criada pelo sous chef e responsável pelo Emprata Bernardo Vitorino, pela chef de pastelaria Salomé Inácio, sempre sob a batuta de Luís Correia, chef executivo do Praia D'El Rey Marriott Golf & Beach.

Começamos, claro, pelo couvert, composto por um sortido de pães, manteiga com alho e salsa, azeite, vinagre da Bairrada e flor de sal (3,50€). E, sem pressas, porque as cores serenas do Emprata, entre o azul e o branco, convidam a desfrutar com calma da refeição e do por do sol, vamos provando o primeiro vinho, Azulejo Rosé 2019, da região de Lisboa, que vai também acompanhar a entrada, onde surge a primeira surpresa. Queijo da Maçussa, pêra rocha do Oeste e Figo pingo de mel (16€).

Este queijo, de produção local, cujo nome nunca tínhamos ouvido, provou ser digno de conhecimento e de louvor. Surge no prato em três formas (braseado, em gelado e em mousse) e dá ares de chèvre... mas só que melhor.

Queijo da Maçussa, Pera Rocha do Oeste e Figo Pingo de Mel
Queijo da Maçussa, Pera Rocha do Oeste e Figo Pingo de Mel créditos: MAGG

Ficámos com vontade de pedir um quilo de mousse de queijo da Maçussa para levar para casa e barrar no pão mas tínhamos compromissos inadiáveis com aquela que é a criação mais surpreendente da seleção de pratos que nos foi sugerida. Pregado, risoto negro de bivalves da Lagoa de Óbidos e gambinha do Atlântico (29€). Parece uma combinação estranha, mas o resultado é uma verdadeira explosão de sabores, em que a textura delicada do peixe, cozinhado em manteiga noisette, não é prejudicada pela untuosidade do risotto mas sim elevada.

Há mar à nossa frente e também no prato mas não é um mar qualquer. Este sabor é de mar do Oeste. E que bom que é.

Acompanhamos com um Casa Santos Lima Chardonnay 2020, também da região de Lisboa, um casamento perfeito de frescura, que alegra as papilas gustativas no intervalo de cada garfada.

pregado, risotto negro de bivalves da Lagoa de Óbidos e Gambinha do Atlântico
pregado, risotto negro de bivalves da Lagoa de Óbidos e Gambinha do Atlântico créditos: MAGG

Depois do mar, o campo, e este chega na forma de um clássico do fine dining. Codorniz do Landal, tupinambor (tubérculo, também conhecido como girassol-batateiro) e vieiras caramelizadas (27,50€). Para acompanhar a ave, oriunda de uma das maiores reservas de codorniz da zona, um Vale Zias Syrah 2017, também da região de Lisboa. A codorniz, cozinhada na perfeição, as vieiras, tenras mas firmes, casavam amorosamente, num perfeito surf and turf made in Oeste.

Codorniz do Landal, tupinambor e vieiras caramelizadas
Codorniz do Landal, tupinambor e vieiras caramelizadas créditos: MAGG

Tudo estava a correr de forma suave e sem ondas até lermos o nome da sobremesa. Chocolate, ginjas ginjinha d'Óbidos e nata fresca (10,50€). Não querendo agitar as águas, mas agitando, não somos fãs de ginjinha.

O licor viscoso e terrivelmente açucarado traz-nos à memória filas de turistas no Rossio e dores de estômago subsequentes. Não somos fãs de vinhos licorosos mas, que não fosse por isso, que nos seria atribuída outra sobremesa, a Ode à Cornucópia de Alcobaça (7,50€), uma homenagem ao doce típico daquela zona, que casa a massa estaladiça com o doce de ovos.

Ode à Cornucópia de Alcobaça
Ode à Cornucópia de Alcobaça créditos: MAGG

Quando a criação da chef de pastelaria Salomé Inácio veio para a mesa (e, nestas coisas ainda bem que fomos acompanhados), a reação à primeira colherada foi: "bem, mais valia estares calada". Não há açúcares a mais nem aquele travo enjoativo que associamos à ginjinha. Há frescura, acidez, doçura q.b. e esta fruta, tão típica do Oeste mas tão pouco valorizada fora do âmbito do licor, combina na perfeição com a presença robusta do chocolate negro. Ficámos fãs.

Chocolate, ginjas, ginjinha d'óbidos e nata fresca
Chocolate, ginjas, ginjinha d'óbidos e nata fresca créditos: MAGG

A carta de verão do restaurante Emprata não se fica por aqui e há muito mais por onde escolher. Estão omnipresentes os ingredientes locais, desde o limão de Mafra ao polvo de Peniche, passando por essa leguminosa que devia ser mais acarinhada e cozinhada em nossas casas, o delicioso chícharo.

"Este menu reflete muito aquilo que nós somos, o nosso antigamente"

Quis o destino que os cérebros por detrás destes pratos, Bernardo e Salomé, se encontrassem na cozinha do Emprata, ou não fossem eles dali bem de perto. Ele de Santa Catarina (vila pertencente às Caldas da Rainha), ela da Benedita. Sob a batuta de Luís Correia, o chef executivo do Praia D'El Rey Marriott Golf & Beach, começaram a desenhar este menu no início de junho. "A ciência desta juventude é oferecer um produto que, transformado, acaba por ir buscar a essência mas com uma abordagem diferente", explica o chef executivo. 

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Bernardo Vitorino, tem apenas 24 anos. Está há dois anos e meio no Marriott, depois de ter passado por várias experiências de norte a sul do país, da Serra da Estrela ao Algarve. "Este menu reflete muito aquilo que nós somos, o nosso antigamente. É um menu centrado no melhor que temos daqui". 

E o melhor do Oeste implica, como salienta Salomé, a chef de pastelaria do Emprata, muito trabalho de campo. "Nós trabalhamos muito em conjunto e acabamos por fazer um trabalho de investigação lá fora. Temos a vantagem de sermos aqui da zona. Falamos com os nossos avós, com as pessoas mais antigas, que conhecem produtos que não são usamos hoje em dia mas que, há 50, 60 anos, eram muito usados", explica. Com 37 anos, Salomé Inácio tem um percurso semelhante ao de Bernardo. Depois de percorrer o País, acabou por vir parar às proximidades da terra que a viu nascer.

E é com ela que discutimos "aquela" sobremesa e admitimos, com alguma vergonha, o nosso preconceito em relação à ginjinha d'Óbidos. Sem ressentimentos por parte da chef, claro, que nos vai explicando todo o processo.

“A ideia daquela sobremesa é pegar nos elementos de um Floresta Negra [sobremesa alemã, camadas de bolo de chocolate, com chantilly e cerejas entre cada camada, que inclui também aguardente de cereja] mas fazê-lo com o que temos cá na zona. Eu uso a ginja fresca, porque estamos na época dela, e que vai buscar o sabor de frutos do bosque. Tem uma acidez muito característica", explica.

"Uso também a ginja desidratada, que mantém o sabor ácido mas, ao mesmo tempo, com alguma doçura. Relativamente à parte da nata, temos um fornecedor local de queijos, a Flor do Vale, com quem andamos a trabalhar para desenvolver algumas coisas novas. Tem um queijo creme fantástico e parti daí para criar a parte da mousse da nata", acrescenta Salomé Inácio. 

Bernardo salienta também que a ginjinha d'Óbidos tem má reputação porque é difícil encontrar um licor de qualidade. "Ao contrário do que muita gente pensa, a ginjinha tem uma acidez fantástica. Encontrar uma ginjinha pura, com a acidez certa, é cada vez mais difícil, com a massificação do turismo, principalmente em Óbidos. A surpresa é mesmo a combinação com o chocolate negro", explica. 

A aposta nos produtos locais não se vai ficar por esta carta de verão e, como explica o chef executivo Luís Correia, nos meses de agosto e setembro, vão incluir uma baga a que muitos chamam de pérola do Atlântico. A camarinha, uma preciosidade ácida que só quem nasceu perto dos pinhais do litoral norte e centro conhece. Ficámos ansiosos pela próxima visita.

*A MAGG visitou o restaurante Emprata a convite do Praia D'El Rey Marriott Golf & Beach Resort

Restaurante Emprata

Praia D'El Rey Marriott Golf & Beach Resort
Avenida D. Inês de Castro n°1 - Vale de Janelas, 2510-451 Vale de Janelas

Reservas: reservations@praia-del-rey.com
Contacto: (+351) 262 905 100

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