"Eu, Georgina", o documentário de seis episódios que acompanha o dia a dia e conta a história da namorada de Cristiano Ronaldo chegou esta quinta-feira, 27 de janeiro, à Netflix e já vimos e dissecámos o primeiro episódio.

Se ainda não viu e não quer saber o que acontece, por favor não continue a ler.

Percebemos que Georgina é do povo quando, a meio do primeiro episódio, e durante uma conversa com a decoradora Paula Brito, diz: "não quero flores de plástico nem livros. Quero poucas coisas para ser fácil limpar o pó". Ao longo de quase 40 minutos, ficamos a conhecer, de forma detalhada, como aconteceu o início do namoro de Georgina e Cristiano. É um clássico de Gata Borralheira conhece o Príncipe Encantado, só que mete loja da Gucci, Bugattis, jantares tardios com sopa, frango e vegetais, viagens à Disneyland Paris e perucas.

Georgina Rodríguez é aquela amiga que andou connosco no liceu e, depois, se casou com um gajo rico. Mudou-se da Amadora para o Restelo mas continua a ir ao Babilónia comprar champô e a regatear calças de fato de treino na feira de Carcavelos. E é por isso que "Eu, Georgina" é deliciosamente divertido, constrangedor e piroso ao mesmo tempo.

Ficamos a conhecer uma das melhores amigas de Gio, Elena Pina, que parece uma Rapunzel da Wish e se veste como uma adolescente em 2005. E eis que acontece o momento mais WTF do primeiro episódio. Gio e Elena estão de partida para Paris, no "jacto privado do Cris". Gio faz questão de levar sempre uma amiga nas voltas que dá, como quem vai ali às compras à Baixa, só que em vez de ser em Lisboa é em Paris e em vez de ser na Zara, é no atelier de Jean Paul Gaultier. Já no voo, a namorada de CR7 saca de uma caixa da Louis Vuitton. "Ah, vai dar à amiga, que querida!". Que nada. Era só jajão e Elena fica a olhar para a Capucines BB, que custa para cima de 5 mil euros, como nós ficamos cada vez que passamos em frente a uma loja da Louis Vuitton.

Podes tirar a rapariga do bairro mas não tiras o bairro da rapariga. Georgina conta-nos que a melhor parte de viajar de jacto privado é o "cáterín" (assim, à espanhola, que é como deve ser dito) da Rebeca, a sua assistente de bordo preferida. Gio é como qualquer um de nós quando vai a um hotel melhorzinho ou a uma festa mais chique: o que interessa são os comes e bebes. No caso luso, camarão e leitão, no caso de Gio, tortilha de batata e presunto ibérico. "A Gio não confia em gente que não come", revela Elena. Ámen.

Elena Pina é também a responsável por tirar aquelas fotos que vemos no Instagram de Gio. É também ela que conta que Gio não recorre a fotógrafos profissionais nem a tratamento de imagens. E, quando diz isto, ecoa-nos uma célebre frase de um célebre anúncio, dita por alguém muito próxima desta família: "Poupa filha, que não sabes o dia de amanhã!".

Gio vai a Paris em busca de um vestido para usar no Festival de Cannes (julho 2021). Entre as mil e uma peças à sua disposição, Gio consegue escolher não só o vestido mais feio de todos mas também uma peça que pertenceu a uma falecida. Gostos.

Achávamos nós que multimilionários como Cristiano Ronaldo chegavam e compravam, sem olhar a custos? Antes de Gio até podia ser mas, com a argentina a gerir a(s) casa(s), não há cá pão para malucos. Não serve? Bota para vender no OLX. Numa das cenas do primeiro episódio, a namorada do futebolista está a falar com a decoradora Paula Brito e pede-lhe peças mais simples. A decoradora portuguesa sugere vender as peças na plataforma online. Já estamos a imaginar o anúncio. "Mesa de jantar Armani de Cristiano Ronaldo com 3,20m. Bom negócio. Precisa de guindaste para mudanças". "Ainda deve dar 10 mil euros", diz a decoradora. Não sabemos se havemos de rir ou de manchar de lágrimas a nossa mesa IKEA comprada em segunda mão por 40 euros. No OLX, claro.

O portunhol de Cristiano Ronaldo, que aparece várias vezes ao longo do primeiro episódio, qual marido babado, é delicioso e acreditamos mesmo, sem ponta de ironia, nesta história de amor. Fora os festivais, a modas, as tentativas de parecer um documentário sofisticado, ao estilo de "Keeping up with the Kardashians" ou de "The Ferragnez - The Series" (sobre a vida da influenciadora digital italiana Chiara Ferragni e do marido, o músico Fedez), "Eu, Georgina" mostra o dia a dia normal, até aborrecido, de um casal com três filhos. "Los locos", como descreve Gio. E percebemos que Gio é mesmo como qualquer um de nós quando, ao voltar de Paris, traz, como presente para as crianças, ovos Kinder (só que, em vez de virem num saco de plástico do duty free, vêm dentro de uma Louis Vuitton). Mais uma vez, como não amar?

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O problema de "Eu, Georgina" não é Georgina. Nem Cristiano Ronaldo. Gio está muito bem, e só parece desconfortável quando profere frases feitas sobre estilo e moda, que se percebe perfeitamente que foram ensaiadas até à exaustão. O problema é tudo o resto. É a produção, uma cópia barata "Keeping Up with the Kardashians", é a banda sonora, com muitas músicas claramente royalty free e que são um bocado metidas a martelo para criar emoção / diversão, são os locais escolhidos para gravar as entrevistas, todos eles cheios de dourados, rococós e mobiliários que uma pessoa até fica com dores de cabeça. Nos momento em que "Eu, Georgina" é espontâneo, tem graça. Nos restantes, é só um desfile vazio de jactos, Louis Vuitton e trapos de marca.

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