"Ó não, outro italiano!", poderão pensar os leitores que, tal como nós, já estão assim um bocadinho fartos da quantidade de restaurantes cujo tema gastronómico gira em torno de pastas, pizzas, focaccias e afins. A verdade é que o BellaLisa Valmor não é novo por estas bandas.

O restaurante, situado na zona das Avenidas Novas, em Lisboa, é um dos mais antigos do grupo Fullest (que, entre Lisboa, Porto e Algarve, tem 22 restaurantes, desde o clássico Sol Dourado, na capital, até um dos sítios da moda do verão de 2021, o Motäo, na marina de Vilamoura). Existe há uma década, com a sua sala espaçosa, agradável, a iluminação suave, as mesas largas (não sabemos em relação a vocês, mas nós estamos fartos de cadeirinhas e banquinhos onde o rabo não cabe e de mesas empoleiradas umas em cima das outras, em que é possível ouvir o casal vizinho a conversar sobre uma possível separação).

Mas estamos a divagar. O BellaLisa Valmor pode já não ser novo, mas a carta está de cara lavada (fruto do trabalho de reformulação dos chefs Alexandre Santos e Tomás Pires) e foram essas novidades que nos levaram até lá. Acompanhados por Flávia Moreira, VIP manager, e por José Gouveia, diretor de operações do grupo Fullest (e se o nome vos parece familiar, é o mesmo José Gouveia que fez parte do grupo de empresários da área da restauração e discotecas que fizeram greve de fome em frente à Assembleia da República, em novembro de 2020), fizemos aquilo que podemos considerar uma refeição à antiga: sem pressas, com boa conversa (ou não fossemos contemporâneos de Flávia e José de outros tempos, mais gloriosos e animados, da vida noturna lisboeta e algarvia), boa comida e muitas histórias para contar (mas não reproduzir).

O couvert, generoso, trazia pedaços gulosos de focaccia, alta e fofa, pizza pane (que é como quem diz, fatias de pão de pizza), os inefáveis grissini, azeite, manteiga de trufa e uma pasta de ricota com tomate seco (4,50€).

Deixámos a escolha do vinho nas mãos de José Gouveia e a decisão, mais do que acertada, recaiu sobre um dos seis tintos italianos que constam da carta do restaurante: Piccini Memoro (22€), um vinho encorpado, frutado, com estrutura para acompanhar pratos com mais substância, mas não demasiado pesado para uma refeição de terça-feira à noite.

Se podíamos viver só de pão, queijo e enchidos? Podíamos, mais concretamente deste prato do BellaLisa Valmor, Antipasti per Due, (16,70€) que é servido a abarrotar de coisas boas: arancini (deliciosos croquetes de queijo e arroz), burrata al pesto, bruschetta de tomate e presunto San Daniele, queijos e enchidos.

antipasti per due

Antes das massas (feitas de forma artesanal, na cozinha do restaurante) que nos encheram as medidas (literalmente, mas também o que é que se leva de bom desta vida se não comer, beber e o resto?), fomos às pizzas. Mais concretamente 'À' pizza. A rainha das pizzas, tartufo, provolone e funghi (28,60€).

E se está a pensar "quase 30 euros por uma pizza?!", nós explicamos: além dos ingredientes mais comuns (tomate, mozzarella fiordilatte, cogumelos e pancetta), esta pizza vem decorada com folhas de ouro. Isso mesmo. Folhas de ouro. E, como se isso não bastasse, quando chega à mesa, é-lhe administrada uma aromática chuva de trufa negra, ralada no momento. Não é uma pizza, é uma experiência. E o aroma da trufa, ralada no momento, faz empalidecer todas as experiências prévias com este delicado ingrediente.

pizza bellalisa valmor

As massas. O fettucine al gamberi e spinacci (14,80€), com gambas, espinafres, tomates frescos e ervas, desiludiu ligeiramente, como quase sempre desilude os pratos de massa confecionados com marisco. Ou sabem demasiado a tomate, ou o marisco está demasiado cozinhado, ou não têm molho suficiente. Não é problema exclusivo do BellaLisa Valmor.

fettucine al gamberi bellalisa

A moda já não é nova, mas nunca tínhamos tido a oportunidade de ver e comer o linguine alla forma (18,20€), que é uma coreografia deliciosa de massa acabada de cozer e atirada para dentro de um queijo gigante (neste caso, um grana padano) onde foi previamente aberto um buraco, misturada com lascas do mesmo até estas derreterem e, por fim, servida com presunto, porcini e azeite trufado. Não enche apenas o olho. É delicioso e decadente porque queijo é vida.

linguine alla forma

Por fim, e antes das sobremesas (save the best for last, que neste caso se confirmou), um dos melhores risotti que já comemos. É difícil conseguir preparar risotto em grandes quantidades num restaurante e o que acontece, muitas vezes, é que ou chega ao prato já seco, com consistência semelhante a argamassa, ou espapaçado e com o grão do arroz demasiado cozido.

risotto
créditos: MAGG

Os riscos são muitos, mas arriscámos provar o risotto de funghi (cogumelos Paris, porcini, portobello, parmesão, pós de boletus e cebolinho, 13,30€) e não ficámos desiludidos: grão cozido na perfeição, cogumelos bem salteados, consistência e temperatura no ponto.

Já aqui o escrevemos e voltamos a escrever: qual é a verdadeira prova de fogo de um restaurante italiano? O tiramisù. O do BellaLisa Valmor (5,60€), que vem enformado e, depois, numa gesto teatral, se expande no prato, é equilibrado nos sabores, e apraz sobretudo quem não aprecia sobremesas demasiado doces. Apreciámos bastante, sobretudo por não estar espapaçado e se sentir claramente o sabor amargo do café.

tiramisu bellalisa valmor

Por fim, Ferrero Rocher (6,20€). Não, não são os bombons que tanto adoramos que nos ofereçam no Natal, mas uma interpretação dos sabores do mesmos. Mais uma vez, num gesto teatral, é deitado chocolate quente sobre uma meia esfera gelada. O chocolate solidifica e, depois, com a colher, quebra-se, para revelar um interior onde se misturam os sabores da avelã e do chocolate. Divinal.

bellalisa valmor
créditos: BellaLisa Valmor

Sendo um restaurante familiar, o BellaLisa Valmor tem ainda a particularidade de, no piso inferior, ter uma sala com capacidade para mais de 100 pessoas, que pode ser reservada para jantares e eventos. E sim, tem espaço para dar um pezinho de dança.

BellaLisa Valmor
Av. Visconde de Valmor, 65A 1050-239 Lisboa
Horário: Todos os dias, das 12h às 16h e das 19h às 23h
Contactos: +351 21 797 9026
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