Nota: este texto contém spoilers sobre a segunda temporada da série da HBO MAX "The Pitt".

Primeiro, as boas notícias: "The Pitt" foi renovado para uma terceira temporada. Ainda antes de a segunda temporada da série protagonizada por Noah Wyle chegar à HBO MAX em Portugal esta sexta-feira, 9 de janeiro, a plataforma de streaming confirma a continuação da trama. 

Agora, as más: o nosso dr. Robby (Noah Wyle) anda a catrapiscar (ou a ser catrapiscado). Estamos legalmente proibidos pela HBO de revelar mais pormenores mas podemos avançar que, sim, é verdade: estamos oficialmente com ciúmes.

A MAGG já viu os dois primeiros episódios da segunda temporada de "The Pitt", série protagonizada por Noah Wyle e criada por R. Scott Gemmill. Para os que não estão familiarizados com a história, a primeira temporada acompanhou um turno nas urgências do Pittsburgh Trauma Medical Center. Cada episódio corresponde a uma hora desse turno, com os dramas dos pacientes e funcionários do hospital a correrem em paralelo. A segunda temporada segue a mesma lógica mas, agora, o telespectador já tem em mãos a ficha clínica dos protagonistas.

Philip Fortuna, intensivista da ULS São José, referiu esta quarta-feira, 7 de janeiro,  na SIC Notícias, enquanto comentava a crise no Serviço Nacional de Saúde, que "The Pitt" era uma boa referência para perceber que "estes problemas não são só portugueses". E não é por acaso que profissionais de saúde de todo o mundo, a começar pelo médico / influencer mais famoso do mundo, conhecido nas redes sociais como Dr. Mike, consideram esta série a mais fidedigna de sempre do universo dos dramas médicos. E que reflete também os desafios que os serviços públicos de saúde enfrentam, desde as pressões das seguradoras à falta de financiamento, passando também pela exaustão física e mental dos profissionais.

As urgências deste hospital ficam em Pittsburgh, nos Estados Unidos, mas bem podiam ser em Santa Maria da Feira, em Faro ou em Vila Franca de Xira: falta crónica de profissionais de saúde, corredores cheios de macas, familiares desesperados e muitos dramas humanos. Se há um dr. Robby em cada urgência? Não sabemos mas gostávamos.

Langdon de volta, Whitaker convencidão e um possível romance

Após o atentado da primeira temporada, reencontramos a equipa 10 meses depois. Os novatos já não o são e há uma nova leva de estudantes de Medicina, ansiosos por fazer brilharetes. Dana (Katherine LaNasa), a enfermeira-chefe, mantém-se atrás do balcão das urgências, depois do episódio dramático que quase a fez desistir da profissão. Quem parece estar no sentido contrário é Robby, que está, nesta segunda temporada, num processo de passagem de testemunho para Baran Al-Hashimi (Sepideh Moafi ). Métodos tradicionais vs. introdução da Inteligência Artificial na Medicina são abordados logo no arranque da segunda temporada, levantando (como faz, de resto, toda a série) questões prementes sobre os desafios da medicina num mundo dominado pelos avanços tecnológicos.

O homem forte das urgências do Pittsburgh Trauma Medical Center parece estar mais descontraído e bem disposto (ainda não se apercebeu que este dia que começa no primeiro episódio é nada mais nada menos que o 4 de julho, feriado nacional nos EUA), mas isso não tem tanto a ver com a tal (aparente) passagem de testemunho mas sim com motivos não profissionais (mais ou menos...). Se, na primeira temporada, vimos o médico a ser confrontado com uma relação passada, agora vamos testemunhar um envolvimento presente. E tem tudo para correr mal.

A autenticidade dos ferimentos, sangue, órgãos humanos e procedimentos médicos que impressionou na primeira temporada de "The Pitt" continua, ao ponto de ser difícil manter os olhos no ecrã sem sentir náusea. Acreditamos que deve ser um gaudio para estudantes de Medicina mas, para nós, que somos um bocado sensíveis, achamos que podiam mostrar menos fraturas expostas. Só para podermos manter o almoço no estômago.

Quem também está de volta às urgências é Frank Langdon que, recorde-se, foi expulso por Robby depois de ter desviado medicação do hospital para consumo próprio. Langdon vai ter de fazer o caminho das pedras e dar passos atrás, trabalhando lado a lado com os que foram, há menos de um ano, seus alunos.

Samira (Supriya Ganesh), Mel (Taylor Dearden), Santos (Isa Briones), Whitaker (Gerran Howell) e Javadi (Shabana Azeez) continuam no núcleo duro dos médicos júniores, com a principal transformação, em termos de personalidade, a pertencer ao outrora inseguro e azarado Dennis Whitaker, que agora se apresenta cheio de confiança e até um bocado arrogante.

O que queremos muito ver nesta temporada

  • mais pele (e não estamos a falar de queimaduras de terceiro grau nem rabos a espreitar em batas hospitalares entreabertas);
  • mais flashbacks dos traumas vividos por dr. Robby durante a pandemia da COVID-19
  • mais tiradas fofinho-inconvenientes de Mel