A estreia está marcada para quinta-feira, 23 de janeiro, mas os críticos de cinema já o viram e garantem que é imperdível. Falamos de "1917", a produção realizada por Sam Mendes que venceu o Globo de Ouro de Melhor Filme e que se arrisca a repetir levar também o prémio na próxima gala dos Óscares marcada para 9 de fevereiro.

E todas estas condecorações parecem ser justificadas. É que além de ser um épico de guerra focado na Primeira Guerra Mundial, uma época histórica com relativamente poucos filmes quando comparada com a da Segunda Guerra, o realizador faz uso de uma técnica de filmagem e edição conhecida como plano-sequência, através do qual a ação narrativa decorre sem cortes. Melhor dizendo, dando a ideia de que não há um único corte ao longo do plano.

A ideia parece ter funcionado, com a BBC a argumentar que Sam Mendes teve a mestria de, neste filme, “personalizar a experiência da guerra através da experiência de dois soldados britânicos que são enviados para uma longa através da criação de um filme que tem tanto de tenso, como de profundamente emocionante e comovente.”

A revista "Time" é da mesma opinião ao escrever que Sam Mendes "criou um filme que parece vivo" e que está "cuidadosamente polido". No entanto, considera que é uma produção que não se esforça pelo realismo negro da guerra porque é "a devoção à vida e à beleza, mesmo durante a guerra, que faz parte do seu poder."

Em Portugal, já há quem tenha visto o filme. É o caso de Miguel Somsen, entusiasta e crítico de cinema e televisão que, em conversa com a MAGG, diz que "1917" se assemelha àquelas alturas em que as pessoas pagam para ir um restaurante caro com o objetivo de viver uma experiência única.

Porque mais do que um filme, "1917" é uma experiência. E talvez mereça ser visto em IMAX só por isso. "O filme é muito curioso nesta sua narrativa e vive muito este fascínio, em termos técnicos, de as pessoas pensarem que se trata de um plano-sequência. E embora eu veja este tipo de planos associados a um excesso de virtuosismo, neste caso isso não acontece", começa por dizer.

Segundo Miguel Somsen, o que geralmente acontece em filmes repletos de preciosismos técnicos é que, no final, os espectadores saem da sala com o trabalho incrível de fotografia na cabeça — e acabam por reconhecer as fragilidades do argumento e da história.

Mas com "1917" é diferente. "Aqui o espectador esquece-se imediatamente do plano-sequência e percebe que a câmara vai acompanhar as personagens do início ao fim. Mas não tem a noção da importância que é aquela realidade e aquele tempo real que compõe o filme inteiro", explica.

Talvez isso leve Somsen a considerar que o filme de Sam Mendes, que parece regressar em forma depois de um "Spectre" , que não entusiasmou o especialista, seja muito "claustrofóbico" e "desolador" apesar de "se desenrolar num espaço incrível  e numa área tão desoladora como o foi o da frente ocidental da Primeira Guerra Mundial."

"É daqueles filmes que se assemelham àqueles momentos em eu que as pessoas vão aos restaurantes caros e dizem que não comeram uma refeição, mas que tiveram uma experiência. E este é um filme de experiência", só que aqui não é preciso pagar muito mais do que habitual".

Apesar de ser cada vez mais difícil encontrar filmes perfeitos, o entusiasta de cinema e televisão diz não ter encontrado pontos negativos — o que tem sido cada vez mais raro na sua experiência e que apontou a outras produções, algumas até nomeadas para os Óscares.

"Não encontrei pontos negativos e isso é incrível porque é uma coisa que me tem acontecido nos filmes que supostamente toda a gente gosta. Há muitos que, este ano, até podem ser extraordinários, como é o caso do 'Joker' ou o 'Parasitas', só que em todos eles tive problemas com a história."

Isso não aconteceu na produção de Sam Mendes que tem a capacidade de "agarrar o espectador pelo colarinho e fazer dele a terceira personagem daquele filme".

"É quase como se fosse um jogo de computador, só que aqui o espectador tem a capacidade de mental de lá estar sempre. E isso fica guardado de forma muito forte, quase como se fosse uma cicatriz de guerra." E esta gestão da geografia, do espaço temporal e toda esta história assemelham-se à de "O Resgate do Soldado Ryan", filme muito marcante para Miguel Somsen.

Mas embora não se considere um especialista em detalhes técnicos de cinema, diz que muito provavelmente será digno de ser visto em IMAX — principalmente pela questão do som que, explica, dá corpo à claustrofobia que marca o filme. Um pouco à semelhança do que Christopher Nolan fez, em 2017, com "Dunkirk".

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"1917" começa a 6 de abril de 1917, o mesmo dia em que os Estados Unidos declararam guerra à Alemanha e conta uma história em apenas duas horas. E também esse é um ponto importantíssimo para Somsen.

"É impressionante o filme só ter duas horas numa altura em que os realizadores acham que têm de ter capacidade para contar grandes épicos em três horas ou mais. Este é um filme com uma história muito simples, a transmissão de uma mensagem entre as trincheiras, mas que é muito meticuloso com o tempo que dispõe para a mostrar", conclui.

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