Nos meses anteriores ao início das filmagens de "Mais Uma Rodada", que este domingo, 25 de abril, foi premiado com o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, o realizador Thomas Vinterberg ("A Caça") pediu à filha, Ida, de 19 anos, que o lesse. A jovem, tal como o realizador dinamarquês a descreve, era "muito crítica" dos seus guiões. "Se não gostasse deles, dir-me-ia", recorda.

Na altura em que Ida leu a história, estava em África. "Enviou-me uma carta a declarar doses ilimitadas de amor, não só ao projeto, mas também a mim enquanto artista. Creio que ela se sentiu representada nesta história, enquanto adolescente e estudante", continua em entrevista à revista "Vulture". Talvez por isso tenho feito tanto sentido ao realizador incluí-la no elenco enquanto personagem secundária.

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Quatro dias após o início das filmagens do filme, no entanto, o telemóvel tocou. Do outro lado da linha, a notícia que Vinterberg nunca esperou receber: tinha havido um acidente e Ida, que seguia no carro conduzido pela ex-mulher do realizador, tinha morrido instantaneamente no seguimento de uma colisão com um veículo conduzido por um homem que estava ao telefone.

"Quando ela morreu, fui rodeado de psiquiatras e psicólogos. Todos eles me diziam: 'Se consegues comer, tomar banho e olhar as outras pessoas nos olhos sem chorar, então talvez devas regressar ao trabalho.' Respondi que não conseguia, porque estava constantemente a chorar. Ainda estou", diz.

A produção do filme parou de imediato e a dúvida ressoava na cabeça de Vinterberg. Afinal, como era possível fazer um filme em que os protagonistas, descontentes com a monotonia e a inércia em que as suas vidas caíram, decidiam começar a beber diariamente por acreditarem que isso os desinibiria social e profissionalmente? À partida, seria difícil.

Mas Vinterberg lembrou-se de Ida. "Sabíamos que a minha filha iria odiar que tivéssemos desistido do filme por causa dela. A partir daí tornou-se muito importante para nós [referindo-se a toda a equipa, incluindo atores] dar vida a uma história que celebrasse a vida, que fosse mais do que apenas a bebida. Acabámos por fazê-lo em homenagem à sua memória."

Ida não pôde fazer parte da história, mas a sua escola e as suas colegas aparecem em algumas das cenas. O realizador fez questão que assim fosse. As filmagens retomaram após o funeral e os quatro atores principais acordaram que, além da homenagem à jovem, iriam fazer de tudo para apoiar o realizador.

"Se as pessoas que virem o filme se rirem, é porque aqueles tipos [os atores] tentaram com toda a força fazer com que o realizador se risse num momento em que ele achava que tal coisa nunca seria possível", confessa em entrevista ao "The Hollywood Reporter".

O resultado é emocionante. A história, que à partida pode parecer focar-se apenas nas consequências e nas vantagens do consumo de álcool, é celebratória. Por isso, é eufórica e, em parte, profundamente triste. Exatamente como a vida e, também, algumas ressacas.

A estreia em Portugal está prevista para a próxima quinta-feira, 29 de abril. Do elenco fazem parte nomes como Mads Mikkelsen, Thomas Bo Larsen, Magnus Millang e Lars Ranthe.

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